Ex-presidente Lula recebe legado do estelionato eleitoral de Dilma

Ex-presidente se assusta com a vertiginosa queda da sua popularidade em seus antigos redutos eleitorais

O ex-presidente Lula parece ter descoberto que o país está uma casa de noca devido ao estelionato eleitoral de sua protegida, Dilma Rousseff. Disse ele:

"Tem uma frase da companheira Dilma que é sagrada: ‘Eu não mexo no direito dos trabalhadores nem que a vaca tussa’. E mexeu. Tem outra frase, que é marcante, que é a frase que diz o seguinte: ‘Eu não vou fazer ajuste, ajuste é coisa de tucano’. E fez. E os tucanos sabiamente colocaram Dilma falando isso (no programa de TV do partido) e dizendo que ela mente. Eu fiquei muito preocupado".

Não é difícil entender por que Lula está tão preocupado. Dilma, afinal de contas, nunca teve um voto seu – exceto, talvez, o próprio. Tanto em em 2010, quanto em 2014, os votos eram de Lula.

Para operar tal prodígio na última eleição, Lula teve que garantir na TV, e várias vezes, que, se o primeiro mandato de Dilma havia sido ruim – fora o pior da História da República, inferior em crescimento a heróis do atraso e da reação tipo Campos Salles, Café Filho ou Fernando Henrique - o segundo seria um tremendo espetáculo. Para supostamente provar essa tese, Lula citou o seu próprio exemplo, passando por cima do fato de que, em seu primeiro mandato, recebera o país devastado pelo governo Fernando Henrique, enquanto Dilma, se reeleita, receberia o país dela mesma. Não havia, portanto, motivo para esperar mudanças (embora, poucos esperassem uma piora tão violenta).

VOTOS

É óbvio que o estelionato eleitoral escandaloso de Dilma não tinha como deixar de afetar a popularidade do ex-presidente Lula. Afinal, a única razão para votar em Dilma era o fato de que ela era a candidata de Lula.

Foi isso que Lula expressou, ao dizer aos religiosos que se reuniram com ele, que "acabamos de fazer uma pesquisa em Santo André e São Bernardo, e a nossa rejeição chega a 75%. Entreguei a pesquisa para Dilma, em que nós só temos 7% de bom e ótimo". E, usando uma imagem tucana (ou alckmista): "Dilma está no ‘volume morto’, o PT está abaixo do ‘volume morto’, e eu estou no ‘volume morto’".

Note o leitor que a pesquisa foi realizada no ABC paulista, isto é, no próprio berço do PT, e, especialmente, de Lula enquanto liderança.

Segundo Lula, quanto ao PT, "hoje a gente só pensa em cargo, a gente só pensa em emprego, a gente só pensa em ser eleito e ninguém trabalha de graça".

Mas, por que isso ocorreu? Em suma, qual o projeto do PT para o país? Segundo uma liderança petista por nós ouvida há alguns meses: "ficar no poder". Logo, se o único projeto era esse, como o resultado poderia ser diferente?

A primeira providência de Dilma, em janeiro de 2011, foi derrubar o crescimento que seu antecessor – o próprio Lula – conseguira deslanchar. Em seguida, inteiramente servil à mídia, ela detonou as alianças costuradas também por Lula – e a isso a mídia chamava "faxina de Dilma". No lugar daqueles que ela afastou – e com humilhação, apesar de nada ficar provado contra eles – entraram, na aliança, honestos homens públicos: Kassabs, Padilhas & Kátias Abreu. Não falaremos da nomeação do sr. Vaccari Neto para o Conselho da Itaipu Binacional, porque essa nomeação foi feita em 2003 pela então ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff.

Mas podemos acrescentar ao legado de Dilma a entrada da Shell e da Total no pré-sal – aliás, no maior campo petrolífero do mundo, descoberto pela Petrobrás. Apesar de ser o oposto da política que Lula implementou para o pré-sal, o ex-presidente, infelizmente, apoiou esse ato de entrega do patrimônio nacional por parte de sua correligionária.

Na última campanha eleitoral, é evidente que o comportamento de Dilma desrespeitou qualquer princípio – o negócio era se reeleger, não importa que acusações falsas fossem fabricadas contra adversários. Sobretudo, ela acusou os adversários daquilo que pretendia fazer tão logo fosse reeleita. Apenas três dias após o segundo turno das eleições, com o aumento da taxa básica de juros, que ficara estacionada desde o início de abril, o estelionato ficou claro – e, depois, com a nomeação do sr. Levy para a Fazenda e o pacote neoliberal sobre o povo brasileiro, ficaria ainda mais claro.

Que protesto houve de Lula e do PT?

Depois disso, não adianta reclamar do Cunha. Aliás, até adianta, desde que esteja claro quem foi que abriu, com sua falta de princípios, espaço para ele e assemelhados – não dispersemos nossa atenção: o problema fundamental está no Planalto.

Por que será que Lula não percebeu isso, que, pelo menos parcialmente, já aparecera no primeiro mandato de Dilma – e, ainda por cima, fez uma segunda campanha eleitoral para Dilma, assinando embaixo de um festival de obscenidades políticas contra adversários?

Talvez não esperasse a deterioração tão rápida da situação do país – e, em especial, da situação do PT e da sua própria, em termos políticos e eleitorais.

Hoje, o país está à beira da explosão – asfixiado por juros altos, com 452.835 trabalhadores, entre os que tinham carteira assinada, demitidos em 12 meses; com uma retração de -4,8% no emprego industrial nos quatro primeiros meses do ano; com a produção da indústria de transformação caindo -8% no primeiro quadrimestre. E a recessão, provocada pela política econômica do governo, apenas começou.

Enquanto isso, a presidente da República aparece na mídia dando pedaladas numa bicicleta. Só falta um jet-ski para que a alienação collorida esteja completa. Ah, quase esquecemos: Collor é um dos honestos homens públicos que são a base do governo Dilma. É verdade que ninguém acusou Collor de fazer algo semelhante ao que os srs. Vaccari e Duque fizeram contra a Petrobrás...

Porém, ao que tudo indica, não foram essas questões da vida do povo brasileiro que mobilizaram Lula, diante de religiosos que criticavam o governo, a fazer suas declarações. Tanto assim que, segundo ele, "ajuste não é programa de governo. Em vez de falar de ajuste... Depois de ajuste vem o quê?".

Não vem nada. O único programa do governo Dilma é esse "ajuste" - não existe nada depois, se depender do governo. Aliás, tanto Levy quanto Barbosa deixaram claro, inclusive por escrito, que o "ajuste" vai até o final do governo Dilma, sem nenhum protesto, pelo contrário, da srª presidente.

Dilma perpetrou um estelionato eleitoral. Mas, para que foi perpetrado esse estelionato eleitoral?

Para impor um pacote neoliberal que, como disse um conhecido operador da especulação financeira, não está fazendo o país recuar, mas cair de degrau em degrau em direção à catástrofe – as falências de médias empresas, onde está o principal contingente das empresas nacionais, aumentou +85,4% entre janeiro e maio, em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto as recuperações judiciais aumentaram +371,4% em maio em relação ao mesmo mês do ano passado (cf. relatório Serasa/Experian).

DEMAGOGIA

Lula quer resolver o problema do governo e do PT sem mudar a política econômica, com algo que chama de "política". Sucintamente: "na falta de dinheiro, tem de entrar a política", "é preciso fazer as pessoas acreditarem que o que vem pela frente é muito bom", "na hora que a gente abraça, pega na mão, é outra coisa. Política é isso, o olhar no olho, o passar a mão na cabeça, o beijo".

Entretanto, sem mudar a política econômica, isso é mera enganação destinada ao fracasso. Quando o povo tem seu salário rebaixado, fica sem emprego, as empresas quebram, as aposentadorias são amesquinhadas, quando até o salário-desemprego e a pensão por morte são cortadas, não há como enganá-lo. Até para a demagogia é necessário alguma base material.

CARLOS LOPES


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Ex-presidente Lula recebe legado do estelionato eleitoral de Dilma

Dilma sanciona parlashopping de Berluscunha

TCU: governo confessou fraudes fiscais

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Errata

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Força defende que regra de Dilma para aposentados seja derrubada

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Servidores fazem dia de mobilização nesta quinta-feira contra “ajuste fiscal”

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ESPORTES

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A falsa crise fiscal e o estrangulamento do Estado pelas taxas de juros escorchantes