Capo do Cartel do Bilhão trama e determina ‘destruir email sondas’

Presidente da Odebrecht, da cadeia, envia bilhete a seu advogado com orientações e ordem para destruir provas, com o objetivo de ficar impune dos crimes contra a Petrobrás

O nobre exercício da advocacia não pode ser a arte de tratar os outros – isto é, o público, o povo – como se fossem idiotas. Até porque tal tática "jurídica" tem pouca possibilidade de funcionar.

Mas é isso o que fizeram os advogados do sr. Marcelo Odebrecht, depois que a Polícia Federal revelou que o preso enviara um bilhete a eles, recomendando "destruir e-mail sondas". Diz o ofício do delegado Eduardo Mauat, da PF, ao juiz Sérgio Moro:

"... na data de 22/06/2015 por volta das dez horas da manhã, policiais que atuam na carceragem desta Regional receberam um bilhete manuscrito das mãos do custodiado MARCELO BAHIA ODEBRECHT, o qual seria entregue aos advogados. Como de praxe as correspondências dos internos são examinadas por medida de segurança, tendo chamado a atenção da equipe a expressão ‘destruir e-mail sondas’, o que motivou fosse feita uma fotocópia do documento".

O fac-símile da parte mais importante do bilhete de Odebrecht está em nossa primeira página.

FOLHA

Mas, segundo disseram os advogados, "destruir e-mail sondas" não significa "destruir e-mail sondas". Ao invés, seria uma sábia "estratégia processual" do jovem Marcelo, que é formado em engenharia civil, mas deve ser também um expert em Direito, talvez porque enxergue à sua frente uma longa folha-corrida.

Disseram os advogados: "As anotações não continham o mais remoto comando para que provas fossem destruídas, e que - à toda evidência - a palavra destruir fora empregada no sentido de desconstruir, rebater, infirmar a interpretação equivocada que foi feita sobre o conteúdo do e-mail".

Portanto, "destruir e-mail sondas" não é "destruir e-mail sondas".

A última parte é a mais interessante: os advogados afirmam que Odebrecht estava se referindo a um e-mail anterior, que a PF já tem em seu poder, portanto, esta seria a prova de que "destruir e-mail sondas" não pode ser "destruir e-mail sondas".

Mais fácil e mais lógico é concluir (ou estabelecer a possibilidade) que Marcelo Odebrecht, em seu bilhete, não estava se referindo a esse e-mail, que já está com a polícia, mas a outro – ou a outros – que a PF ainda não conseguiu pegar. Por que ele usaria a expressão "destruir", ao invés de dezenas de outras de nosso rico vocabulário que não querem dizer "destruir", para um e-mail que ele não pode destruir?

Foi exatamente a conclusão a que chegou a PF - e não poderia chegar a outra.

Aliás, na Odebrecht, os diretores e advogados se comunicam numa língua sem relação com qualquer outra língua terráquea. Vejamos, a esse respeito, o caso do outro e-mail - um dos principais motivos de decretação da prisão de Marcelo Odebrecht - que agora os advogados querem confundir com o objeto das atuais preocupações de seu cliente, em seu bilhete, nessas horas de infortúnio.

Trata-se do e-mail de um funcionário do Grupo Odebrecht, Roberto Ramos, no dia 21 de março de 2011, comunicando a Marcelo Odebrecht:

"Falei com o André em um sobre-preço (sic) no contrato de operação da ordem de $20-25000/dia (por sonda). Acho que temos que pensar bem em como envolver a UTC e OAS, para que eles não venham a se tornar futuros concorrentes na área de afretamento e operação de sondas. Já temos muitos brasileiros "aventureiros" neste assunto (Schahim, Etesco…). Internamente, eu posso transferir resultado da OOG [Odebrecht Oil & Gas] para a CNO [Construtora Norberto Odebrecht], mas não posso fazê-lo para as outras duas; isto teria que ir dentro do mecanismo de distribuição de resultados dentro do consórcio. Meu ponto é que ele não pode ser proporcional as participações atuais, porque, sem a OOG, a equação não fecha e quem trás a OOG é a CNO. Em tempo: falei ao André, respondendo a pergunta dele, que o desenvolvimento do Operador tem que ser desde o inicio, para participar da escolha dos componentes, acompanhar a construção das Unidades, definir níveis de spare parts e, principalmente, preparar os testes e comissionamento. Ele pareceu entender" (grifo nosso).

O André deve ter entendido, pois é André Esteves, dono do BTG Pactual, banco que mais contribuiu para a campanha de Dilma e maior acionista da Sete Brasil, empresa formada pelos srs. Duque e Barusco, com a intenção de construir sondas com dinheiro do BNDES e do FGTS e alugá-las à Petrobrás, sob operação da Odebrecht e semelhantes – provavelmente, a maior forma de achacar a Petrobrás já revelada desde o começo da Lava Jato.

Mas, segundo a Odebrecht e seus advogados, a palavra "sobre-preço", neste e-mail, não quer dizer sobrepreço, mas um termo "técnico" que "nada tem a ver com superfaturamento, cobrança excessiva, ou qualquer irregularidade. (…) Ou seja, representa a tradução do termo usual de mercado ‘cost plus fee’".

Em suma, "sobrepreço" não é "sobrepreço", mas taxa de administração ("fee"). Não é lógico?

Sobrepreço (ou "sobre-preço") em inglês é "overprice", "overpriced" ou "overpricing", dependendo da frase. Nada tem a ver com "cost plus fee". Reciprocamente, "cost plus fee" é a designação de um contrato em que o cliente, ao invés de pagar um preço fixo pelo serviço, paga o custo ("cost") e mais ("plus") uma taxa ("fee"). Nada tem a ver com sobrepreço.

Além disso, como respondeu o juiz Moro à Odebrecht:

"Apesar da explicação apresentada de que ‘sobrepreço’ representaria o lucro da empreiteira acima do custo (!?), no restante das mensagens eletrônicas pertinentes, não há qualquer nova utilização do termo ‘sobrepreço’ ou do termo ‘cost plus fee’ que, segundo o comunicado, ele representaria."

Em suma, em odebrechtiano, não somente "destruir e-mail sondas" não é "destruir e-mail sondas", como "sobrepreço" não é "sobrepreço" - e jamais uma palavra tem o mesmo significado duas vezes.

CARTEL

É difícil – ou impossível – perceber o que um juiz poderia fazer que não fosse o que o juiz Moro está fazendo. Não o conhecemos. Mas a campanha que os chefes do cartel do bilhão, a mídia, o governo, o PT e a confraria de puxa-sacos do governo estão fazendo contra ele é uma tremenda recomendação – além de dar náuseas e vômitos em qualquer cidadão decente.

São aqueles, a que se referiu Ruy, adeptos do provérbio "quem pouco furta é ladrão, quem muito furta, barão" (v. Ruy Barbosa, "A imprensa e o dever da verdade").

O ministro da Justiça (v. matéria nesta página), dr. Cardoso, desmerece um lugar onde estiveram Tancredo Neves e João Mangabeira, lançando-se na estúpida campanha contra um juiz – e não por alguma coisa errada que ele tenha feito, mas pelo que ele fez de bom, correto e patriótico.

O que Moro escreveu sobre a Odebrecht vale para os bajuladores dos ladrões: "a empresa tem o direito de se defender, mas fazendo-o seria recomendável que apresentasse os fatos por inteiro e não da maneira parcial efetuada, em aparente tentativa de confundir, valendo-se de seus amplos recursos financeiros, a opinião pública e colocá-la contra a ação das instituições públicas, inclusive da Justiça".

Depois de frisar que um dos operadores da Odebrecht - Bernardo Schiller Freiburghaus – já fugiu para a Suíça, Moro aponta que a única alternativa à prisão preventiva dos diretores seria "suspender todos os contratos públicos da Odebrecht e proibir novas contratações com o Poder Público".

Porém, a alternativa do dr. Cardoso e do círculo planaltino é manter todos os contratos, todas as propinas – e impunes, para todo o sempre, traficantes e corruptos.

 

CARLOS LOPES


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