Governo corta US$ 90,3 bilhões dos investimentos da Petrobrás

Além disso, aumenta o “desinvestimento” com a venda de ativos: campos de no pré-sal, partes da BR Distribuidora e navios da frota de petroleiros

Um corte de US$ 90 bilhões (mais precisamente: 90,3 bilhões de dólares) no plano de investimento de uma empresa é algo tão avassalador, em qualquer país do mundo, que seria suficiente para que as autoridades tomassem alguma providência.

Porém, imagine o leitor que esta companhia é também responsável, sozinha, por 10% do investimento (formação bruta de capital fixo) do país e, como disse um economista de banco - o sr. Carlos Kawall, do Safra - que “cada 10% que ela reduz de seu investimento tira 0,3 ponto do PIB”.

A estimativa, no caso concreto, é até modesta. Mesmo assim, evidentemente, é uma tragédia para a economia, para as pessoas, para o país.

Entretanto, o que ocorreu na Petrobrás é que foram as “autoridades” que deveriam se preocupar com ela – pois é, longe, a maior e mais importante empresa do país – que cortaram US$ 90,3 bilhões (o equivalente a 40%) do seu plano de investimento.

E, mais: esse corte de 40% ou US$ 90,3 bilhões é em relação ao plano que a ex-favorita de Dilma, senhora Foster, já havia cortado no ano passado.

Comparado ao investimento previsto no plano de 2013, o corte foi de -US$ 106,4 bilhões ou -45%.

Com esse corte, anunciado na quarta-feira, a previsão de investimentos da Petrobrás, para os próximos quatro anos, passa a ser US$ 130,3 bilhões, menos do que, com todos os cortes e incompetência das senhoras Rousseff e Foster, foi investido nos últimos quatro anos (U$ 171,2 bilhões).

Mas isso não é tudo, nem, provavelmente, o mais grave – apesar de que as previsões de um plano de investimento norteiam, obviamente, as decisões de investimento de uma empresa.

Além de diminuir a previsão de investimento, Dilma e seus prepostos na Petrobrás estão aumentando o “desinvestimento” - a venda de ativos da companhia, inclusive campos de petróleo no pré-sal, partes da BR Distribuidora e navios da frota de petroleiros.

No começo do ano, a senhora Foster anunciou que a Petrobrás venderia de US$ 5 bilhões a US$ 11 bilhões de seus ativos, “divididos entre exploração e produção no Brasil e no exterior (30%), abastecimento (30%) e gás e energia (40%)”. E ainda acrescentou: “O grande mote do nosso plano 2015/2019 é o redimensionamento da Petrobras, em nível da nossa financiabilidade”.

O tamanho da Petrobrás não seria mais determinado pelas necessidades nacionais, mas por um fictício – ou mentiroso - critério de “financiabilidade”.

Nem o Credit Suisse aceitou essa inventada “financiabilidade” da Petrobrás. Aliás, como disse o engenheiro Fernando Siqueira, vice-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET) e do Clube de Engenharia, uma das mais respeitadas autoridades no tema:

Os prejuízos causados à Petrobrás pelo cartel das empreiteiras e pela desastrosa política de Dilma obrigaram a Petrobrás a exportar petróleo cru e  importar gasolina a 1,70 para vender com prejuízo a 1,40. Apesar disso, a Petrobrás continua poderosa. Mesmo depois dos escândalos, a Petrobrás foi ao mercado captar 2,5 bi e lhe ofereceram 16 bi por 100 anos. As reservas de petróleo da empresa e sua condição de operadora única dos campos do pré-sal são seu maior trunfo.

Depois da defenestração da senhora Foster, foi anunciado que a Petrobrás seria obrigada a vender US$ 13,7 bilhões de seus ativos (e não de US$ 5 a 11 bilhões).

Na quarta-feira, foi anunciado que o desinvestimento será ainda maior. Aliás, imensamente maior: os US$ 13,7 bilhões foram aumentados para US$ 15,1 bilhões até o fim de 2016. Depois, em 2017 e 2018, a meta de “desinvestimento” será US$ 42,6 bilhões.

Só para frisar: o governo anunciou, através de seus prepostos na Petrobrás, que queimará ativos (campos de petróleo, navios, etc.) no valor total de US$ 57,7 bilhões.

Isto significaria torrar o equivalente a 49,6% do valor do patrimônio líquido que a Petrobrás informou à SEC, isto é, à Bolsa de Nova Iorque, ao fim de 2014 (US$ 116,272 bilhões. Cf. Rel. FORM 20 F 2014, arquivado na Securities and Exchange Comission (SEC) em 15 de maio de 2015, p. 16).

Porém, mais importante do que a Petrobrás informou aos americanos: o que significa isso para o Brasil?

Significa que o governo Dilma está tentando estrangular a Petrobrás para que “diminua de tamanho” (como disse um entreguista governamental).

E por que a Petrobrás precisa diminuir de tamanho?

Só existe um motivo possível, uma vez que não existem problemas de financiamento para quem tem uma reserva como o pré-sal.

O motivo é abrir espaço para outras empresas – e todas são multinacionais petroleiras.

Daí, esse “desinvestimento” de US$ 57,7 bilhões, constituído por “reestruturações de negócios, desmobilizações de ativos e desinvestimentos adicionais”.

Traduzindo: a Petrobrás passa campos petrolíferos, navios, parte da BR, e sabe-se lá o que mais, para as multinacionais.

O tamanho atual da Petrobrás é apenas o suficiente para que o cartel transnacional das petroleiras não monopolize a produção de petróleo, a refinação e a distribuição de derivados de petróleo no Brasil, deixando nosso desenvolvimento inteiramente dependente deles, ou seja, travado, enquanto o povo vegeta na miséria e as nossas riquezas são levadas em contêineres.

Certamente, se a Petrobrás não for a operadora única do pré-sal e não dispuser dos 30% em cada empreendimento, como a lei atual lhe garante, as condições de obter financiamento serão piores.

Mas é exatamente isso que o governo está querendo, com seu apoio ao projeto do senador José Serra (v. página 8) – apoio que nem é um segredo de Polichinelo, pois o líder do governo, Delcídio Amaral (PT-MS), votou pela urgência para o projeto Serra, que elimina a Petrobrás da operação única no pré-sal.

Evidentemente, palhaçadas como as concessões de estradas vão atrair, no máximo, alguns ladrões já atrás das grades na Lavajato. O governo não é tão idiota a ponto de não saber disso. Seu plano verdadeiro é, portanto, a privatização (e desnacionalização) das reservas do pré-sal.

O leitor poderá indagar: cortar os investimentos da Petrobrás, vender seus ativos, rigorosamente, não piora a situação de um país que já está em recessão, com o investimento rolando pelo abismo?

Certamente, leitor.

Mas quem disse que o governo está preocupado com o crescimento, muito menos com o desenvolvimento do país? Exceto sob a forma de encenação – e encenação cínica – a senhora Rousseff e seu círculo não têm o menor cuidado com isso. O “plano” do governo (é triste chamar isso de “plano”) é retirar recursos do Estado – ou seja, da coletividade – e do setor produtivo para transferi-los e aumentar, assim, a parcela dos monopólios financeiros,  sobretudo externos, na divisão do produto.

É óbvio que a Petrobrás é um obstáculo à essa intenção dos lacaios de rentistas.

CARLOS LOPES

 

 

 


 

 

 

 

 


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A tentativa antinacional de eliminar a Petrobrás como operadora do pré-sal - 2

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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