MP dilmista corta salário e aprofunda recessão no país

Dilma libera corte de até 30% do salário do trabalhador e redução da jornada a pretexto de “proteger” o emprego. Medida é para beneficiar as múltis, principalmente montadoras

Os metalúrgicos da Mercedes Benz haviam rejeitado, na quinta-feira, um corte de 10% nos salários. Quatro dias depois, na última segunda-feira, Dilma impôs, por Medida Provisória (MP), uma "permissão" para que as empresas cortem 30% do que pagam aos trabalhadores.

Os operários da Mercedes rejeitaram o rebaixamento dos salários por 73,8% dos votos (ver matéria na página cinco), apesar da pressão de sindicalistas da CUT, possuídos pela exótica ideologia de que o arrocho salarial é remédio contra o desemprego. Quatro dias depois, Dilma baixou uma MP que é três vezes pior do que a proposta que a CUT acertara com a Mercedes, rejeitada por maioria acachapante.

CONFISCO

O corte na jornada de trabalho, alardeado por alguns, não tem a menor importância – nenhum trabalhador pediu que lhe cortassem a jornada de trabalho para que lhe cortassem o salário. Todos sabem que o resultado final disso seria o rebaixamento geral dos salários, não a diminuição da jornada. O que importa para o trabalhador é quanto ele receberá ao final do mês.

A MP de Dilma é mais ditatorial que todos os decretos-leis da ditadura (que jamais cortou, por decreto, 30% do que os patrões deviam pagar aos seus empregados). Sem discussão, contra o movimento sindical - exceto alguns trouxas e/ou traíras - contra os trabalhadores, contra o povo, contra o país, com um espírito democrático à altura (ou à baixura) do falecido Benito Mussolini.

Para completar, pela MP, o trabalhador é obrigado a aceitar a redução do salário, se houver acordo entre seu sindicato e a empresa – como havia na Mercedes Benz. Deve ser para evitar que certos dirigentes da CUT deem com os burros n’água ao tentar convencer os trabalhadores de que o melhor para eles é ganhar menos.

A propalada "compensação" do governo de metade do corte de salário é de um cinismo vomitivo. Ao usar o Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT) para essa "compensação", o governo está usando dinheiro que é dos próprios trabalhadores, dinheiro que não é do governo, para cortar o que os monopólios multinacionais têm de pagar aos mesmos trabalhadores. A rigor, está fornecendo dinheiro do FAT, dinheiro dos trabalhadores, para que multinacionais e outros monopólios cortem os salários.

Por sinal, o FAT, devido aos abusos do próprio governo, está deficitário (cf. Boletim Financeiro do FAT – 2º Bimestre de 2015). O que demonstra que o objetivo é cortar salários – a "compensação" é apenas coisa de vigaristas que creem que os trabalhadores são idiotas.

Nem vamos nos ater ao fato de que, pela Medida Provisória, essa "compensação" é apenas até R$ 900,84, porque isso é outra demonstração da mesma coisa: de que se trata de corte de salário, sem nenhuma relação com a manutenção do emprego, para beneficiar monopólios externos.

Também não vamos nos deter no fato de que a MP é um arremedo das "leis Volkswagen", impostas aos trabalhadores da Alemanha em 2002, exatamente para efetuar um cavalar arrocho salarial. Os elogios de alguns elementos à legislação alemã, na segunda-feira, são suficientes para que se pergunte o que eles viram de tão adiantado em um país onde, até janeiro deste ano, nunca houvera, sequer, salário mínimo. Talvez tenham visto os avançados euros alemães e confundido os euros com a legislação.

Em suma, o objetivo da Medida Provisória de Dilma, ao permitir que as empresas paguem quase 1/3 menos de salário aos trabalhadores, é, exatamente, o que a medida faz: rebaixar, diminuir, reduzir, aviltar, amesquinhar o salário dos trabalhadores.

Chamar essa medida de "Programa de Proteção ao Emprego" é mais um estelionato, pelo qual a senhora Rousseff terá que prestar contas à sociedade, mais cedo do que tarde. Nesse caso, um estelionato de um cinismo que ultrapassa, outra vez, os limites toleráveis em qualquer sociedade civilizada.

A medida nada tem a ver com preservação do emprego. Pelo contrário, por achatar mais ainda um mercado interno que já está em recessão, ela vai provocar, inevitavelmente, mais desemprego. Os trabalhadores, evidentemente, são o principal contingente dos consumidores. Quanto menos dinheiro eles tiverem, pior a recessão, pior o mercado, pior as vendas das empresas, pior o desemprego.

O fato de que, ao mesmo tempo que incentiva a redução dos salários, o governo dispare os juros para a órbita de Netuno, mostra qual o caráter de classe da malta do Planalto, que interesses defende, a que amos ela serve. A ladroagem que o governo acha tão natural – mesmo quando é contra a Petrobrás – é intrínseca do servilismo aos parasitas financeiros. Este não existe sem aquela.

Mas, que empresas serão beneficiadas com o corte nos salários dos trabalhadores?

Os monopólios multinacionais, a começar pelas montadoras automobilísticas, que têm seu mercado concentrado nas faixas de mais alta renda – portanto, podem dispensar o conjunto dos consumidores.

Quanto às empresas nacionais, que dependem, direta ou indiretamente, desse conjunto de consumidores, o que elas terão é menos mercado – menos ainda do que já têm - e sob um descomunal garrote de juros.

A medida, portanto, beneficia as multinacionais e arrasta as empresas nacionais para a vala da bacarrota – numa situação em que, entre janeiro e junho, as falências aumentaram +90,9% entre as médias empresas e +40% entre as grandes empresas nacionais, comparadas com o mesmo período do ano passado (cf. Indicador Serasa Experian de Falências e Recuperações - junho 2015).

NEOLIBERALISMO

Os aplausos de todos os sacripantas neoliberais à Medida Provisória demonstra qual o caráter dessa Medida – e qual o caráter do governo Dilma. O "ajuste" neoliberal de Dilma sempre foi, precisamente, para rebaixar o salário real, transferindo renda para os monopólios financeiros.

Como disse, no último domingo, antes da MP de Dilma, um neoliberal despudorado, o sr. Samuel Pessoa: "Queda de salário real é boa notícia! (…) Até o momento, a queda de 5% do salário real ocorreu com elevação da taxa de desemprego (ante maio de 2014) de 1,8 ponto percentual, de 4,9% para 6,7%. Quanto mais rápida for a queda do salário real, mais rapidamente a inflação - principalmente a inflação de serviços - convergirá para a meta" (cf. FSP, 05/07/2015).

A inflação está aí mais deslocada que Pilatos no Credo: o que leva o sr. Pessoa ao êxtase é o rebaixamento dos salários. Pouco importa, só para tocar no assunto, que ele seja um tucano do tipo grosseiro, que não sabe disfarçar a intenção de saquear os trabalhadores em prol de alguns sanguessugas. Afinal, o sr. Levy também o é. O que realmente importa é que, quanto ao corte de salários, não há diferença entre Pessoa, o governo Dilma, a cúpula do PT, ou certos próceres da CUT.

Trata-se de uma medida abertamente anti-operária, já repudiada pelos trabalhadores.

Esse é o conceito de democracia de Dilma: contra a vontade do povo, tentar, por Medida Provisória, submeter os trabalhadores à política reacionária que eles já rejeitaram, ampliando-a para todo o país, uma política antipopular, antinacional, de pilhagem do país em prol de alguns magnatas, em geral estrangeiros, de miséria, desemprego e quebradeira das empresas nacionais.

E, claro, sempre mentindo, sempre chamando arrocho de "garantia de emprego", agiotagem de "ajuste" e destruição do país de "fundamento do crescimento".

CARLOS LOPES


Capa
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MP dilmista corta salário e aprofunda recessão no país

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Página 4 Página 5

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