Para PT, ilegal é o juiz e não os assaltantes da Petrobrás

Ataques para intimidar a Justiça e a Polícia Federal visam deixar propineiros na impunidade

Muito interessante, como demonstração do clima – e da ética - nos arrabaldes do governo, é a nota da bancada do PT no Senado, lida pelo senador Humberto Costa (PT-PE), onde, sobre o PSDB, se diz que "o Estado Democrático de Direito não admite o uso cínico, hipócrita e oportunista da moral de ocasião e a utilização despudorada dos ‘dois pesos e duas medidas’".

Até parece que o problema do governo (e do PT) é o PSDB. O governo sabe que não é. Se depender do PSDB, Dilma ficará infelicitando a Nação até que aconteça algo como ocorreu com o sr. Fernando de la Rua, em 2001, na Argentina – ou seja, até que o povo resolva o problema.

A propósito, ninguém chamou de golpista o povo que cercou a Casa Rosada e somente saiu quando de la Rua renunciou. Não há maior democracia que a do povo na praça, ao modo de Castro Alves: "A praça! A praça é do povo/ Como o céu é do condor/ É o antro onde a liberdade/ Cria águias em seu calor!".

POVO

O problema do governo – e do PT – é o povo, a Nação, o Brasil. Por isso, a presidente e seus sequazes nem conseguem mais sair na rua. Não por causa do canhestro senador Aécio e seus canhestros correligionários. É por causa do povo.

Mas, vejamos a frase que acima citamos.

O senador Costa, que jamais foi um privilegiado do ponto de vista intelectual, parece que não percebeu o que leu - ou escreveu. Aliás, não percebeu mesmo. Só há uma forma de acusar o PSDB de "moral de ocasião": é admitir que, se os tucanos, quando no poder, roubaram, não têm o direito de apontar os roubos dos petistas. Em suma: "se vocês roubaram, por que nós não podemos roubar?".

O que isso tem a ver com o "Estado Democrático de Direito" é, precisamente, o mesmo que a Grande Meretriz, do Apocalipse, tem em comum com a Virgem Maria.

O governo e o PT, aliás, não podem se queixar dos tucanos. Foi o PT que concedeu fórum privilegiado a Fernando Henrique, Serra e outros paladinos do "estado-mínimo" (como se sabe, a melhor forma de diminuir o Estado é colocar uma parte dele no bolso ou no bolso de algum "sócio" estrangeiro).

Foi o governo do PT que se recusou a investigar as falcatruas das privatizações, até mesmo aquelas que faliram – caso da Eletropaulo - em prol de um acordo pelo qual os tucanos os deixariam soltos. Houve até alguns petistas que propuseram a fusão com o PSDB, segundo eles, o "destino histórico" do PT.

Entretanto, não é de hoje que, diante da exposição crescente das vísceras do atual governo – e nem precisa ser das vísceras, em um governo que, pela primeira vez nos 126 anos da República brasileira, expeliu um decreto para diminuir os salários dos trabalhadores – seus partidários, aprochegados e alguns ridículos bobos da corte têm levantado o espantalho do golpe de Estado.

Para esses elementos, o governo, por ser "eleito", tem licença para roubar, mentir, servir aos monopólios financeiros contra o Brasil, saquear a população, destruir a indústria nacional – e, de resto, falir as empresas nacionais – arrastar o povo para o desemprego, a miséria e a fome, levar o país a um abismo ou a um deserto em que os brasileiros vagam, esfomeados, por seu próprio território - ou emigram para outros países - enquanto monopólios externos, à custa de suborno, se empanturram com a Nação.

Não importa o que o governo faça – e é isso o que ele está fazendo - não importa que o governo seja repudiado por 90% ou 95% da população ou mesmo se, daqui a pouco, exceto eles, só haja apoiadores do governo em lugares mal afamados de Washington e Nova Iorque. Não importa, pois, segundo esses Catões de bordel, tirar a presidente para acabar com essa desgraça é golpe.

Por quê? Porque eles querem manter essa situação. Antes de tudo, querem manter-se nessa situação. O que é peculiar: quem deu um golpe foi Dilma, ao cometer o maior estelionato eleitoral da História republicana. Se isso não é golpe, o que será golpe?

A Constituição assegura o direito do povo de remover o governante que trair o país. Até mesmo o documento fundador da atual Meca desses elementos concede tal direito: "... todos os homens são criados iguais, dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, entre os quais a vida, a liberdade e a procura da felicidade. (...) sempre que qualquer forma de governo se torne destrutiva de tais fins, cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la e instituir novo governo, baseando-o em tais princípios e organizando-lhe os poderes pela forma que lhe pareça mais conveniente para realizar-lhe a segurança e a felicidade" (Declaração de Independência dos Estados Unidos).

No entanto, todos os palhaços governistas – perdão, leitor, pela expressão, mas não encontramos nada mais exato nem mais suave -, passaram a fazer campanha contra um suposto golpe, no mesmo momento que o governo está tentando dar mais um golpe: despojar os trabalhadores de direitos que estão em vigor desde a década de 30 do século passado, a começar pela irredutibilidade do salário – a proibição de que o salário seja reduzido.

A própria Dilma, em entrevista à "Folha de S. Paulo", falou, referindo-se às investigações da Lava Jato, em "comprometer o Estado democrático de direito" - menção menos que oblíqua, mas logo seguida de outra, quanto à prisão dos presidentes da Odebrecht e da Andrade Gutierrez: "Olha, não costumo analisar ação do Judiciário. Agora, acho estranho. Eu gostaria de maior fundamento para a prisão preventiva de pessoas conhecidas. Acho estranho só".

Maior "fundamento" do que roubar a Petrobrás?

O problema, portanto, é atacar a Justiça no momento em que ela se coloca em defesa do país, especialmente do seu maior patrimônio – a Petrobrás.

Pois, o governo atual é um sistema de propinas que ficou sem as propinas – ou está ameaçado de tal, se as investigações da PF, do MP, e a ação do juiz Moro, continuarem.

Não por acaso, Dilma fez menção a Silvério dos Reis. Desde o leilão do campo de Libra, passando pela vergonhosa bajulação a Kissinger, Albright, Obama e outros bandidos, é fora de dúvida a quem está reservado, hoje, o papel de Silvério dos Reis. Além disso, como algum gaiato lembrou, se o presidente da UTC fosse Silvério dos Reis, o Tiradentes de Dilma seria o Vaccari...

Dilma não considera suficiente, para a prisão dos presidentes da Odebrecht e da Andrade Gutierrez, o rombo de alguns bilhões na Petrobrás. Ela acha "estranho" a sua prisão.

BARÃO

O Brasil, este ano, segundo o Ministério da Justiça, ultrapassou os 600 mil encarcerados. Cerca de 40% não têm condenação. Apenas 12% cometeram crimes graves. E 55% são jovens (18 a 30 anos).

Dilma não acha "estranho" nada disso.

Essa população carcerária – a terceira taxa do mundo por 100 mil habitantes e a quarta em números absolutos – é composta, quase toda, de pés-rapados, negros, sem emprego, sem dinheiro e sem empresa para pagar propinas e regar campanhas eleitorais.

Dilma não acha "estranha" a situação desses brasileiros. Em 2011, liberou somente 11,1% das verbas autorizadas no Orçamento para o Fundo Penitenciário; em 2012, apenas 3,2%; em 2013, 10,61%. Deve achar que a situação deles é até muito boa, por isso as penitenciárias não precisam de verbas.

Mas ela acha "estranho" que o sr. Marcelo Odebrecht seja preso por roubar a Petrobrás – apesar das provas e, inclusive, da sua tentativa de destruir as provas.

Ao modo daqueles que, na frase de Ruy Barbosa, seguem a máxima: "quem pouco furta é ladrão, quem muito furta, barão".

CARLOS LOPES


Capa
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Para PT, ilegal é o juiz e não os assaltantes da Petrobrás

Moro defende prisão do presidente da Odebrecht

Pressionar o ministro da Justiça para coibir ação da PF é premeditar um crime, diz diretor

Comissão reduz mais ainda tempo de propaganda para facilitar golpe contra eleitor

Roubo do cartel de empreiteiras contra a Petrobrás pode chegar a R$ 19 bi, estima Polícia Federal

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Servidores ocupam Esplanada e exigem: “aumento real já!”

INSS inicia greve em todo o país

GM demite 400 em São Caetano do Sul após governo liberar redução de salário

JBS-Friboi dispensa 500 e afasta mais 400 no MS

Centrais sindicais repudiam, em nota, MP da redução salarial: “mais uma medida contra os trabalhadores”

Oswaldo Lourenço: “vamos às ruas barrar esse assalto”

Governo federal tenta impedir, mas Senado aprova reajuste para aposentados igual ao do mínimo

ESPORTES

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Bolívia se industrializa e cresce em média 5% ao ano desde 2007

Jeb Bush a trabalhadores: “Trabalhem mais!”

Ingleses rechaçam cortes no orçamento: “Grécia disse Não, nós também Podemos”

Dinastias Bush e Clinton: a política como espetáculo

Besteirômetro de Sanders ultrapassa limite máximo da escala em Portland, Maine

 

Página 7

Tsipras a eurodeputados: dívida foi imposta para salvar bancos

 
  Tsipras cita Sófocles: é hora da justiça prevalecer

  
Lagarde alerta que dívida grega precisa de reestruturação para ser “sustentável”

   Frenesi na bolsa de Shangai depena milhões de neófitos

 
  BRICS realiza 7ª reunião anual para aprovar plano de cooperação do bloco

Berlusconi é condenado por suborno a senadores em 2007


  

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Os gregos contra os bárbaros: Leônidas luta nas Termópilas