Pnad: desemprego sobe a 8,1% no trimestre encerrado em maio

No ano passado, no mesmo período, a taxa estava em 7,0% e no trimestre dezembro/fevereiro era de 7,4%

Os últimos resultados sobre o desemprego – que se alastra como praga – e sobre o salário, que, mais do que caindo, está próximo de entrar em queda livre, arrastam o país para um abismo cada vez mais fundo. Isso é tudo o que se pode esperar do atual governo e sua política econômica.

É preciso ser (muito) obtuso ou (muito) cínico, amoral - ou covarde e subserviente - para dizer que os cerca de um milhão de desempregados que o “ajuste” neoliberal de Dilma já vitimou, desde janeiro, têm alguma coisa a ver com o crescimento – e não com o afundamento do país.

Qual a necessidade econômica de desempregar um milhão de trabalhadores – provavelmente mais, considerando que não foram divulgados os resultados de junho, e mais, se isso continua até o fim do ano?

Saquear os trabalhadores, rebaixando violentamente o salário, promover uma quebradeira nas empresas nacionais – que dependem do salário dos trabalhadores para vender seus produtos e já estão sufocadas pelos juros – e transferir renda do Estado, das empresas produtivas e dos trabalhadores para o setor financeiro multinacional, quer dizer, estrangeiro.

O que poderia ser dito de outra forma: imergir o país continuamente sangrado em um pântano.

Porém, diz o ministro do Trabalho, um capacho infiltrado no PDT que deve estar fazendo Brizola se revirar no túmulo, que 244 mil demitidos de janeiro a maio “não é um desastre” e que “as pessoas que não foram dispensadas estão com um salário bom, acima da inflação, renda familiar altíssima”.

Há coisas para as quais a pena de morte é pouco. Talvez mais adequado seria condenar esse elemento a ganhar o pão de cada dia na General Motors. Ou numa fazenda de sisal lá na Paraíba.

Mas esse sujeito apenas expõe o espírito (espírito?) do governo Dilma. Tanto assim que não foi demitido por essa declaração, o que era certo em governos com mais identidade, ou alguma, com o Brasil.

Por sinal, ele contou apenas o acumulado de desempregados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), na série “com ajuste”. A soma dos desempregados que tinham carteira assinada, de janeiro a maio, é 278.334.

Porém, segundo o IBGE, o país tem 36 milhões de trabalhadores com carteira assinada para um total de 92 milhões de “ocupados”. O ministro do Trabalho de Dilma não acha que é problema da sua pasta a demissão de trabalhadores que não têm carteira assinada. Aliás, ele acha que também não é seu problema o desemprego entre os que têm carteira assinada. Por que acharia que a demissão dos que não têm carteira seria um problema seu?
A apresentação da PNAD Contínua, no último dia nove, não foi rotineira. O Coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, que expôs os resultados, frisou o significado dos números em tom de alarme – o que, aliás, era inteiramente justificado.

Disse o estatístico:

“Os resultados da PNAD Contínua referentes aos meses de março a maio de 2015 mostram um aumento da taxa de desocupação, esse aumento da taxa de desocupação, ele se justifica principalmente em função do aumento da desocupação, ou seja, uma pressão maior sobre o mercado de trabalho, principalmente na comparação em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Então, quando se compara março a maio de 2015 com março a maio de 2014, houve um aumento expressivo da desocupação, consequentemente, a taxa de desocupação teve um processo de aceleração forte. O número de pessoas trabalhando com carteira assinada reduziu substancialmente em relação ao ano passado, e não foi só a carteira de trabalho, reduziu o emprego, de forma geral, reduziu também o contingente de trabalhadores sem carteira de trabalho assinada, então, a redução do emprego fez com que aumentasse o número de trabalhadores por conta própria. Outro ponto a destacar é a desaceleração do rendimento da população ocupada. Então, maio de 2015 mostra um mercado de trabalho, segundo a PNAD Contínua, com uma procura de trabalho maior, ou seja, mais pessoas procurando trabalho, uma ocupação que não cresce, a carteira de trabalho caindo, a construção, que é um grupamento que abarca cerca de 7% da população ocupada, apresentou queda, nesse período...”.

É difícil, por escrito, transmitir a urgência do tom, ou seja, da voz. Mesmo assim, julgamos eloquente a transcrição desse trecho.

A PNAD Contínua, hoje a principal pesquisa sobre desemprego do IBGE, é realizada por “trimestres móveis”. O resultado do mês é, na verdade, o de três meses no qual esse mês é o último. Por exemplo, vejamos o número de desempregados desde a PNAD Contínua de dezembro:

1) outubro a dezembro: 6,452 milhões;

2) novembro a janeiro: 6,763 milhões;

3) dezembro a fevereiro: 7,401 milhões;

4) janeiro a março: 7,934 milhões;

5) fevereiro a abril: 8,029 milhões;

6) março a maio: 8,157 milhões.

Esse é o resultado que alarmou o estatístico do IBGE – e com razão.

Nestes resultados, adverte o IBGE, é preciso comparar trimestres em que não há repetição de meses para observar “movimentos conjunturais completos” (cf. PNAD Contínua, “Notas Técnicas”). O motivo é que, dessa forma, a comparação é entre trimestres “nos quais as informações são inteiramente novas” (idem).

Por exemplo, março a maio menos dezembro a fevereiro (8,157 milhões menos 7,401 milhões) - o que daria +756 mil desempregados de um trimestre para outro. Essa conta não inclui junho, que ainda não foi divulgado, onde o desemprego se acelerou ainda mais, chegando, segundo as estimativas, a um pouco mais ou um pouco menos de um milhão. Por outro lado, teremos que esperar o resultado de junho para termos um número mais exato deste ano, ou seja, do semestre.

Entretanto, notemos que, segundo os dados da PNAD Contínua, no trimestre setembro-outubro-novembro do ano passado, os desempregados eram 6 milhões e 450 mil trabalhadores. Seis meses depois, eles são 8 milhões e 157 mil. Mesmo sem o resultado de junho, há um aumento de +1 milhão e 707 mil desempregados entre o fim da campanha de Dilma e a PNAD Contínua de maio.

Em outra parte desta edição (v. página 8), o juiz do trabalho Jorge Luiz Souto Maior, ao analisar a Medida Provisória que permite às multinacionais reduzir o salário dos trabalhadores, observa – com outras palavras – que esfolar os trabalhadores para resolver a crise em que a subserviência do governo aos monopólios financeiros externos jogou o país, além de ser uma indecência, é um engodo.

Realmente, não é para resolver crise alguma que essa política está sendo executada, e sim para saquear trabalhadores e empresas nacionais em prol do setor financeiro multinacional, isto é, estrangeiro.

A preocupação com o Brasil – seja com os trabalhadores, seja com as empresas produtivas, seja com qualquer setor nacional - é nenhuma. Se for possível, menos que nenhuma.

CARLOS LOPES

 

 

 


 

 

 

 

 


Capa
Página 2
Página 3

Governo faz a Petrobrás parar a exploração de poços em Sergipe

“Eu não vou pagar por essa merda”, disse Dilma sobre depoimento de dono da UTC

Aliado de Cunha achaca Youssef

Para atender Odebrecht, Duque dobrou orçamento na licitação para terraplanagem de Abreu e Lima

Delegada da PF cobra original do bilhete em que Odebrecht manda destruir provas

Ciro e Cid reúnem aliados para discutir opções políticas

MP da presidenta vai lavar dinheiro sujo tirado do país

Página 4 Página 5

Sindicatos ampliam campanha contra MP que reduz salários

Greve dos servidores do INSS contra arrocho salarial cresce em todo país

Em sessão no Senado, Anfip cobra que governo federal não barre aumento das aposentadorias

Planejamento: “Reajuste para servidores do Judiciário é incompatível com ajuste fiscal. É motivo para veto”

Cegonheiros param Anchieta contra mudanças na Volks

Para Manoel Dias, ministro do Trabalho, demissão de 244 mil não é nenhum “desastre”

ESPORTES

CARTAS

Página 6

Papa na Bolívia: “Não às velhas e novas formas de colonialismo”

Multidão em Honduras exige renúncia do governo atolado em desvios associados a empreiteiras

Srebrenica como pretexto às atrocidades do Império mundo afora

DEA, agência anti-tráfico dos EUA conhecia planos de escape de El Chapo

FARC anunciam cessar-fogo e governo aceite para negociar

Página 7

Manolis: ‘ninguém tem o direito de ignorar a vontade do povo’

 
  “Tsipras tem o direito de retirar o acordo antes da votação final ou será o povo que irá revogá-lo”

  
Atenas: Servidores públicos fazem greve de 24 horas contra votação do ‘ajuste’ de Bruxelas

   “Pedem à Grécia para que ponha uma arma na cabeça e aperte o gatilho”, alertam economistas


 
  CIA usa apoio de psicólogos em suas sessões de tortura

PC de Portugal e Bloco de Esquerda denunciam “chantagem e imposição colonialista” da Troika contra Grécia


  

Página 8

Souto Maior: corte nos salários é golpe contra o trabalhador e o país

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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