Nova etapa da Lava Jato toca pânico nas hostes governistas

Carros de luxo e fartos documentos são apreendidos nas casas e empresas de Collor 

A Operação da Polícia Federal batizada de "Politeia" - nome dado pelo filósofo grego Platão a uma cidade em que as virtudes éticas prevaleceriam sobre a corrupção - executou na terça-feira (14), 53 mandatos de busca e apreensão, expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal), para investigar a participação de políticos no esquema de propinas nas obras da Petrobrás. Entre os investigados está o ex-presidente Fernando Collor de Melo (PTB-AL), que recebeu, segundo os depoimentos de Alberto Youssef e do executivo da UTC, Ricardo Pessoa, propina milionária em troca de "contratos" na BR Distribuidora, subsidiária da Petrobrás que administra sua rede de postos de combustíveis.

Os agentes da PF foram às casas do senador Fernando Collor em Brasília e em Maceió, nas do senador Ciro Nogueira (PP-PI) e do deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), em Brasília, na do ex-ministro e ex-deputado Mário Negromonte (PP-BA), na Bahia, e na do ex-ministro e senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE). Também foi realizada busca e apreensão na casa do ex-deputado João Pizzolati (PP) e na casa da ex-mulher dele, em Santa Catarina. Ao questionamento, feito pela mesa do Senado, de que a PF não poderia revistar a residência de senadores e deputados sem a presença de agentes da Polícia Legislativa, o procurador Rodrigo Janot, respondeu que a alegação não procede "porque a residência dos parlamentares não representa uma extensão do Senado ou da Câmara Federal".

TURMA

Segundo a PF, os mandados, que foram expedidos pelos ministros Teori Zavascki, Celso de Mello e Ricardo Lewandowski, foram cumpridos no Distrito Federal (12), na Bahia (11), em Pernambuco (8), Alagoas (7), Santa Catarina (5), no Rio de Janeiro (5) e em São Paulo (5). Cerca de 250 policiais federais participaram da operação.

As medidas foram tomadas no âmbito das investigações que tramitam no Supremo. A PGR apresentou em março ao STF relatório contendo denúncia contra 13 senadores e 22 deputados, entre eles, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Para os promotores, as medidas colocadas em prática pela PF tiveram como objetivo principal evitar que provas importantes fossem destruídas. A ação da PF deixou em polvorosa a "Bancada da Lava Jato", como ficou conhecida a turma de parlamentares, encabeçada por Cunha & Cia, que está sendo investigada pela PF e pela Justiça Federal por sua participação no assalto aos cofres da Petrobrás.

Collor de Mello, que foi derrubado do governo em 1992 pelo Congresso Nacional, num processo de impeachment, sob acusação de corrupção, voltou a agir, pelas mãos de Dilma Rousseff, depois de cumprir oito anos de afastamento das atividades políticas, por sua participação nas atividades ilícitas e por seus ataques aos interesses estratégicos do país. Ele foi atraído, depois de eleito senador, para compor a base aliada do governo Dilma. Com os entendimentos feitos com a presidente Dilma, ele passou a exercer, em troca de apoio ao governo, forte influência na BR Distribuidora. Collor e os demais investigados respondem agora novamente por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, fraude a licitação, organização criminosa, entre outros. Em sua residência em Brasília, a conhecida "Casa da Dinda", foram apreendidos, entre outros objetos, três carros de luxo - uma Ferrari, uma Lamborghini e um Porsche - avaliados em mais de R$ 7 milhões. Em suma, além de montar um esquema próprio de propinas na Petrobrás, o governo e o PT, em total desrespeito à história da Petrobrás, abriram as portas de sua subsidiária, a BR Distribuidora, para a ação da famigerada turma de Collor.

Em seu depoimento, o doleiro Alberto Youssef, um dos acusados que assinaram um termo de acordo de colaboração com a Justiça para ajudar nas investigações da Operação Lava Jato, informou que o senador Fernando Collor de Mello recebeu R$ 3 milhões em propina em um negócio da BR Distribuidora. Segundo o doleiro, a operação com a BR Distribuidora foi intermediada por um emissário de Collor e do PTB, Pedro Paulo Leoni Ramos. Nessa ocasião, segundo Youssef, Ramos trabalhou como um operador do esquema, intermediando suborno. PP, como Ramos é conhecido, foi ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos no governo Collor (1990-1992) e é dono de uma empresa de consultoria que também fazia negócios com o doleiro, a GPI Participações e Investimentos.

De acordo com Youssef, a propina resultou de um contrato no valor de R$ 300 milhões assinado em 2012 entre uma rede de postos de combustíveis de São Paulo e a BR Distribuidora. O negócio era para que a rede deixasse uma marca de combustíveis e passasse a integrar o grupo de revendedores da BR Distribuidora. A BR pagou o valor pela troca de bandeira. Em 2012, foi nesse tipo de operação que teria sido negociada a propina no valor de 1% do total do contrato, o que corresponde a R$ 3 milhões. O valor, segundo Youssef, foi arrecadado nos postos, em dinheiro vivo, em três parcelas de R$ 1 milhão, e depois repassado a Leoni.

Em seu depoimento, Youssef disse que o dinheiro era para Collor de Mello. Ele não detalhou como a propina teria chegado a Collor. Ele também não apontou nomes de diretores da BR Distribuidora que estariam envolvidos no esquema. O depoimento de Youssef à força-tarefa da Lava Jato em Curitiba foi feito entre outubro e novembro de 2014. Em novo depoimento sobre Collor, desta vez à Procuradoria-Geral da República, para dar mais informações sobre a participação do ex-presidente no esquema de corrupção, Youssef disse que, em maio de 2013, mandou entregar R$ 50 mil em dinheiro vivo no apartamento de Collor em São Paulo.

BR

O ex-presidente também aparece no depoimento do dono da construtora UTC, Ricardo Pessoa. O empresário afirma ter pago R$ 20 milhões a Collor entre 2010 e 2012 outra vez em troca da influência do senador em negócios com a BR Distribuidora. Os policiais apreenderam discos rígidos de computador, documentos, obras de arte, joias, relógios, veículos, além dos que estavam na Casa da Dinda. Também recolheram grande quantidade de dinheiro em espécie, incluindo cerca de R$ 4 milhões, dólares e euros.

A PF fez ainda buscas na casa do advogado Thiago Cedraz, que é filho do presidente do Tribunal de Contas da União, Aroldo Cedraz. O advogado teria repassado R$ 1 milhão a um ministro do TCU. O ministro seria Raimundo Carrero, atual vice-presidente do TCU. A informação está no pedido de busca de provas na casa de Thiago Cedraz. A informação foi dada pelo dono da UTC, Ricardo Pessoa. Ele citou o ministro ao falar da atuação de Thiago Cedraz na usina de Angra 3, no Rio de Janeiro. Pessoa disse que foi procurado por Thiago que disse que precisava de dinheiro, deixando antever que a importância de R$ 1 milhão, seria para o ministro Raimundo Carreiro, relator do processo de Angra 3 no TCU. Em notas, o TCU e o senador Collor de Mello negaram as acusações. Todos os demais envolvidos também negaram participação no esquema de propinas na Petrobrás. O senador Fernando Bezerra (PSB-PE) também soltou nota negando as acusações contra ele e o seu partido (veja matéria nesta página).

SÉRGIO CRUZ


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