Cunha extorquiu empresário e recebeu 16 milhões de propina

Câmara não merece um presidente gângster 

Os dilmistas pegaram carona nos atos anti-Eduardo Cunha e estão eufóricos com o repúdio geral ao presidente da Câmara. Os que antes diziam indignados que o "Fora Dilma" é golpe, agora se engajam no "Fora Cunha", sem explicar por que contra ele não é golpe e contra ela é.

Mas o fato é que quem rompeu com o governo foi Cunha. Não foi o governo – nem o PT – que rompeu com Cunha, até há poucos dias elogiado de forma babosa pelo líder do PT, Sibá Machado.

No entanto, já são bem conhecidos os métodos utilizados por Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para atingir seus objetivos nada republicanos.

Agora, na confissão de Júlio Camargo, executivo da Toyo/Setal, ao juiz Sérgio Moro, na última quinta-feira (16), o país assistiu a uma exposição, recheada de detalhes, das atividades criminosas do parlamentar.

Camargo relatou que o presidente da Câmara exigiu US$ 5 milhões (R$ 15,94 milhões) em propina para "não atrapalhar" contratos de sua empresa com a Petrobrás. Documentos entregues por Julio Camargo mostram 35 operações bancárias via contas secretas no exterior ligadas a Fernando Soares, vulgo Fernando Baiano, no período em que a Petrobrás fechou contratos de navios-sonda, que envolveram propinas para o presidente da Câmara.

PRESSÃO

No depoimento gravado (www.youtube.com/watch?v=Vgw06n4Ec_g.), Camargo disse que foi pressionado por Eduardo Cunha a pagar US$ 10 milhões em propinas para ele e para Fernando Soares (operador do esquema do PMDB na Petrobrás) para que um contrato de US$ 1,2 bilhão, de navios-sonda, assinado pela Petrobrás entre 2006 e 2007, fosse viabilizado. Do total do suborno, disse Camargo, Cunha disse que era "merecedor’ de US$ 5 milhões.

Em 2011, quando representava a empresa Samsung, Camargo foi surpreendido por dois requerimentos apresentados na comissão de fiscalização da Câmara dos Deputados para investigar a atuação da empresa, em seus contratos de construção de sondas.

Por intermédio de um ex-diretor da Petrobrás, teve um encontro com o então ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, na base aérea de Santos Dumont. onde mostrou o requerimento: "Edison Lobão viu o documento e falou: ‘Isso é coisa do Eduardo (Cunha)’. Ele pegou seu celular e ligou pro deputado Eduardo Cunha na minha frente. Ele disse: ‘Eduardo, estou aqui com o Júlio Camargo, você está louco?’ Não sei o que o deputado respondeu, mas disse: ‘você me procure amanhã cedo no meu gabinete em Brasília que eu quero conversar com você’", contou o executivo.

Camargo tentou contato com o deputado através de Fernando Soares, na expectativa de resolver o impasse, mas "ele (Fernando) me disse: ‘Júlio realmente temos um problema. Estou sendo pressionado violentamente inclusive pelo deputado Eduardo Cunha’. Eu falei: ‘Estou à disposição para falar com o deputado Eduardo Cunha, explicar a ele o que está acontecendo’. Mas o Fernando me disse. ‘Júlio, ele não quer falar com você. Ele quer receber’".

Camargo continuou, em seu depoimento:

"Marcamos num domingo final de tarde, no Rio de Janeiro, um encontro num edifício comercial no Leblon e tivemos o encontro, o deputado Eduardo Cunha, o Fernando Soares e eu. Eu fui bastante apreensivo. O deputado Eduardo Cunha é conhecido como uma pessoa agressiva, mas comigo foi até amistoso dizendo que ele não tinha nada pessoal contra mim, mas que havia um débito meu com o Fernando no qual ele (Cunha) era merecedor de U$ 5 milhões e que isso estava atrapalhando porque estava em véspera de campanha, se não me engano campanha municipal, e que ele tinha uma série de compromissos e eu vinha alongando esse pagamento há bastante tempo e ele já não tinha mais condições de aguardar".

Além dos US$ 5 milhões diretamente para ele, Cunha exigiu o pagamento da propina de Fernando "Baiano", hoje preso pela Operação Lava Jato. Eduardo Cunha era "sócio" oculto de Fernando Baiano:

"O deputado Cunha não aceitou que eu pagasse somente a parte dele. ‘Olha, Júlio, eu não aceito que você faça uma negociação para pagar só a minha parte. Você até pode pagar o Fernando mais dilatado, mas o meu preciso rapidamente. Eu faço questão de você incluir no acordo aquilo que falta pagar ao Fernando’. E aí chegou um SMS: ‘entre US$ 8 milhões a US$ 10 milhões’".

O ex-consultor da Toyo Setal afirmou que Cunha o ameaçou com um requerimento na Câmara, solicitando que os contratos dos navios-sonda fossem enviados ao Ministério de Minas e Energia para avaliação e eventual remessa para o Tribunal de Contas da União (TCU).

"A exigência deste valor - entre US$ 8 e 10 milhões de dólares - eu paguei através de depósitos ao Alberto [Youssef] no exterior, paguei através de operações com a GFD (empresa registrada em nome de Youssef) e fiz pagamentos diretos ao Sr. Fernando Soares. Daí liquidei os pagamentos", afirmou Camargo. Alberto Youssef também confirmou as operações envolvendo Cunha.

Um dos advogados presentes na audiência perguntou a Camargo quem foram os beneficiários dessa propina:

"Eu não sabia que ele (Fernando Soares) tinha um sócio oculto, que era o deputado Eduardo Cunha, que também ganhou", foi a resposta.

A reação de Cunha às revelações de Camargo foi de histeria e desespero. Pego em flagrante, vociferou: "Ele (Júlio Camargo) é mentiroso. Um número enorme de vezes ele vinha negando qualquer relação comigo e agora (ele) passa a dizer isso. Obviamente, ele foi pressionado a esse tipo de depoimento. É ele que tem que provar. A mim, eu nunca tive conversa dessa natureza, não tenho conhecimento disso. É mentira", disse Eduardo Cunha. Ele aproveitou para informar que vai "explodir o governo" se continuar sendo investigado. Seu comportamento está sendo interpretado pela Justiça como tentativa de obstruir o esclarecimento dos fatos.

AFASTAMENTO

Durante o depoimento, Júlio Camargo alegou que não fez as acusações contra Cunha anteriormente por receio das ameaças do presidente da Câmara e por ter sido alertado, ao fechar o seu acordo de colaboração com o Ministério Público Federal no Paraná, que acusações contra políticos deveriam ser feitas para a Procuradoria Geral da República (PGR), por causa do foro privilegiado. Disse ele:

"Estamos falando de uma pessoa que, segundo ele, tinha o comando de 260 deputados no Congresso. Uma pessoa de alto poder de influência. O maior receio é com a família. Quem age dessa maneira perfeitamente pode agir contra terceiros".

Vários parlamentares, como os deputados Miro Teixeira (PROS) e Jarbas Vasconcelos (PMDB), por exemplo (veja matéria nesta edição), exigem a saída imediata de Cunha da presidência da Câmara.

É importante que ele tome logo essa decisão de deixar o cargo de presidente da Câmara Federal, mesmo que temporariamente, antes que, após essas denúncias, e as provas contra ele, em posse da PF e da Justiça, tenha de sair do cargo algemado e de pijama listrado.

 

SÉRGIO CRUZ


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Cunha extorquiu empresário e recebeu 16 milhões de propina

Carreira de crimes de Cunha vem desde Collor

Renan critica ajuste, mas todas medidas de arrocho fiscal foram aprovadas pelo Senado

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ESPORTES

 

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