Presidente do Banco Central, Alexandre Tomini. Foto Calecob

 

Governo eleva juros pela 7ª vez seguida e Selic atinge 14,25%

BC da presidente tira emprego, comida da mesa do povo e a perspectiva de vida dos brasileiros

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Plástico (ABIPLAST), José Ricardo Roriz Coelho, disse algo inteiramente verdadeiro sobre o aumento de juros da quarta-feira: “Com juros na casa de 14% ao ano, o serviço da dívida pública, em 12 meses, consumirá cerca de 4,5 vezes mais dinheiro do que os R$ 70 bilhões cortados pelo ajuste fiscal da União” (v. Monitor Mercantil, 30/07/2015).

O empresário calcula em R$ 317 bilhões a despesa do governo com juros, em 12 meses, com uma taxa básica de 14% (a rigor, 14,25%). É um escândalo, mas é bastante possível que seja mais. Considerando o que foi transferido, em juros, para rentistas, bancos e fundos, até maio (R$ 198,937 bilhões), uma projeção linear apontaria para uma hiper-monstruosa drenagem do setor público para o setor financeiro de R$ 590 bilhões, até o final de dezembro, o que seria 10,6% do PIB (até maio, o gasto com juros correspondeu a 8,4% do PIB; portanto, estamos em marcha batida para os 10%).

Isso numa situação em que, hoje, já existem nove milhões de desempregados no país, as empresas nacionais estão quebrando (de janeiro a junho, segundo o Serasa, houve 1.431 falências, 2.597 pedidos de falência e 1.287 recuperações judiciais deferidas), a folha de pagamento real já caiu em 6%, o consumo das famílias – inclusive o de comida – está diminuindo, o investimento das empresas – em queda já faz 21 meses – ameaça este ano chegar ao centro da Terra, em suma, a economia está estrangulada, precisamente, pelos juros estupidamente altos, pela consequente falta de financiamento e investimento.

Nunca foi tão claro que o objetivo dos aumentos de juros nada tem a ver com combate à inflação – esta, medida pelo IPCA em 12 meses, subiu de 6,34% para 9,31% com os sete aumentos de juros após o segundo turno das eleições presidenciais.

Aliás, o que está claro na declaração do presidente da ABIPLAST é que chamar essa política de “austeridade” é um insulto aos seres humanos. Esse desperdício – com juros que o governo determina a taxa – é tudo menos “austero”. Pelo contrário, o governante que permite esse gasto improdutivo, esse saco cujo fundo está sempre nos cofres dos monopólios financeiros, é um perdulário, um estroina – com o dinheiro dos outros, isto é, o nosso.

O pacote neoliberal de Dilma – que alguns, também impropriamente, chamam de “ajuste” - tem realmente, como descreveu Roriz Coelho, o objetivo de cortar despesas com o povo e transferir essas verbas, esse dinheiro, para o setor financeiro, principalmente, estrangeiro. Mais: tem o objetivo de cortar não somente despesas públicas, mas os salários – e, para isso, aumentam o desemprego – e os direitos dos trabalhadores, para aumentar os lucros que os monopólios multinacionais enviam para suas matrizes nos EUA, Europa ou Japão. Com isso, o mercado das empresas nacionais, que é, sobretudo, o conjunto dos assalariados – e não apenas as faixas mais privilegiadas financeiramente – é achatado, acrescentando mais um motivo para a sua quebra.

O que pode ser dito, ainda, de outra forma, que equivale praticamente às duas anteriores: o pacote neoliberal de Dilma consiste em tirar recursos da produção para esterilizá-los na tarantela financeira.

As consequências estão em todo o país – de São Paulo, estado mais industrializado (v. matéria na página quatro) até os rincões mais afastados do litoral. O seguinte relato foi extraído dos anais da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, sessão do último dia 20:

Deputado Emanuel Pinheiro (PR):Somente este mês, três frigoríficos fecharam, deixando 2 mil desempregados. Então o governo tem que dar uma resposta para essa onda de desemprego que se manifesta. Temos o maior rebanho bovino do mundo. A pecuária é um dos pilares da nossa economia há décadas. (…) Este ano fecharam 7 [frigoríficos], uma média de um por mês. Só este mês são 2 mil desempregados. Só em Mirassol foram 700. Uma cidade pequena, olha o caos social que está sendo. Em Matupá foram 246. Em Cuiabá, 500”.

Chamar esse desajuste completo de “ajuste” é coisa típica da barreira de mentiras que é a única coisa que a reação neoliberal tem a oferecer ao povo. Dilma, nesse sentido, é um exemplar típico.

Ao leitor que achar que estamos exagerando: lembra-se, estimado amigo, das acusações que Dilma fez à Marina Silva, de que a proposta de “independência do Banco Central” era instituir os bancos como “quarto poder” da República, para “tirar a comida da mesa do povo”?

Dilma não precisou da “independência do BC” para tirar a comida da mesa do povo, fazendo, precisamente, o contrário do que disse na campanha.

Só para refrescar a memória: “Um banco central que não tem como meta o máximo emprego tira, sim [comida da mesa do povo]. Tira comida e perspectiva da vida das pessoas. Outro dia eu falei: sabe qual são os objetivos do banco central americano? Máximo emprego, o primeiro, estabilidade de preços e juros moderados a longo prazo” (Dilma Rousseff, 14/09/2014).

Não vamos perder muito tempo com o ridículo puxa-saquismo aos americanos. Há mais de 60 anos, desde que Marriner S. Eccles – nomeado por Franklin D. Roosevelt – saiu da presidência do banco central americano (FED), essa impoluta instituição quer que os empregos (e os trabalhadores) se lixem. O FED, aliás, é uma junta de bancos privados, não uma instituição pública. Seu presidente (“chairman”) é nomeado pelo presidente dos EUA apenas para dar chancela oficial às decisões dos bancos privados. Se Dilma não aprendeu isso, na faculdade de economia que cursou, é porque andou matando aula ou era uma estudanta à altura da futura presidenta.

Quanto ao resto, relembremos o que aconteceu depois das eleições: o segundo turno foi no dia 26 de outubro de 2014. Desde 17 de abril de 2013, o Banco Central começara a aumentar os juros. No dia 3 de abril de 2014, perpetrou o nono aumento consecutivo da taxa básica de juros: para 11%. Depois disso, a taxa permaneceu em 11% nas três reuniões seguintes do Comitê de Política Econômica do Banco Central (Copom) – exatamente até o fim das eleições.

No dia 29 de outubro de 2014, portanto, três dias após o segundo turno das eleições, o BC voltou a aumentar os juros: para 11,25% e continuou aumentando.

Na quarta-feira, o Copom/BC aumentou a taxa básica pela sétima vez consecutiva: para 14,25%.

Em suma, o objetivo é aumentar a espoliação sobre o país, devastando-o, tornando-o mais miserável ainda do que é. Somente nas fantasias petistas (ou dilmistas) os pobres deixaram de existir porque o Bolsa-família os transformou em “classe média”.

Recentemente, a Fundação Abrinq publicou seu quinto relatório  “Um Brasil para as Crianças e os Adolescentes”, referente à situação durante o primeiro mandato de Dilma. Ao fim de quatro anos (2011-2014), “mais de 9 milhões de  domicílios não têm acesso à rede de distribuição de água e esgoto; morrem 54 gestantes a cada 100 mil nascimentos; mais de 8 milhões de crianças e adolescentes vivem em situação de extrema pobreza; mais de 8 milhões de crianças entre 0 a 3 anos estão fora das creches; mais de 3 milhões de crianças e adolescentes se encontram em situação de trabalho infantil; 106 crianças morrem por dia; e mais de 10 mil crianças e adolescentes foram vítimas de homicídio”.

Isso foi antes da devastação de Dilma/Levy, iniciada em janeiro deste ano.

CARLOS LOPES

 

 


 

 

 

 

 


Capa
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Capos do cartel de empreiteiras viram réus por roubo à Petrobrás

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Página 4 Página 5

Para Centrais, “juros altos estão afundando país no desemprego”

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ESPORTES

 

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Turquia e EUA pretextam combate ao terrorismo enquanto planejam invadir e ocupar o norte da Síria

 

 

Página 7

Varoufakis prepara movimento contra arrocho neoliberal na UE

Acusação de “alta traição” por resistir à Troika é “condecoração”, diz ex-ministro


   RPDC homenageia seus heróis na guerra que derrotou o invasor EUA há 62 anos

Moscou veta na ONU manobra dos EUA para criar tribunal-farsa e abafar autoria do abate do MH17

Filmadoras e Armas

EUA mantém juro entre 0-0,25% por decisão unânime do Fed

  

 

 

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João Goulart em 1963: a agenda de um presidente de verdade (2)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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