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Dilma aumenta gastos públicos com juros em 88%

 

Conluio com bancos sangra país em 226 bilhões no 1º semestre

 

Seis vezes a verba anual para a Educação

Em gritaria sobre algumas votações no Congresso, saiu a campo (ou pelo ar) a charanga da reação. Mas, quarta à noite na Câmara, o governo virou pasta, com 95,3% dos deputados votando contra ele, inclusive 55 do PT, dos 59 presentes.

Era a votação da emenda constitucional que concede o que se pode chamar, apenas, de uma isonomia parcial entre os salários dos funcionários da Advocacia-Geral da União, das procuradorias estaduais, dos delegados da Polícia Federal e da Polícia Civil, dos  procuradores municipais e do Judiciário.

Nada escandaloso – a revindicação de isonomia completa entre esses salários de funcionários existe desde o fim da ditadura, talvez antes, e ninguém até agora argumentou que esse pleito é injusto.

Porém, disse o sr. Levy: “A situação é séria para aumentar gastos” - como se ele fosse sério ou como se sua atividade não fosse a de aumentar os gastos com juros para cevar bancos e outros rentistas, gasto que foi a R$ 225 bilhões e 870 milhões em apenas seis meses, augurando mais de R$ 400 bilhões até o fim do ano (há quem projete R$ 570 bilhões, o que é mais que a arrecadação de impostos federal).

“Temos de pensar no país”, disse o sr. Temer, como se ele, em tempo algum, o tivesse feito – ou como se soubesse o que é um pensamento que vai além do mais rasteiro interesse próprio.

Em seguida (ou antes?) foi o coro daqueles (e daquelas) débeis mentais que a Globo empregou no “Globo News” (onde será que os Marinho arrumaram tantos muares para um só canal?).

Porém, apesar do barulho, e espantosamente, até o PCdoB, que sempre tem lado, votou contra o lado, quer dizer, contra o governo. Chegou-se a falar que o próprio São Cipriano descera do Céu até o plenário da Câmara para fazer um milagre. Uma senhora deputada, muito devota, jura que viu o santo africano atrás de uma pilastra – mas parece que ela confundiu o santo com outro afro-descendente.

Já o deputado Guimarães, lustrado líder do governo, após a votação da emenda constitucional, saiu pregando o expurgo da base governista. Mente privilegiada que o é, Guimarães não notou que o seu partido, o PT, também votou contra o governo. Ou talvez ele queira expurgar toda a base governista, inclusive o PT.

Mas a síntese suprema foi, como de costume, no dia seguinte, da genialíssima senhorita Leitão: “Aumentar gastos neste momento é jogar contra o país”.

É mesmo?

O governo Dilma acaba de fazer o maior aumento de gasto da História do Brasil em juros: ao todo, forçou o setor público a transferir R$ 225 bilhões e 870 milhões aos bancos, fundos externos e pistoleiros rentistas, em apenas seis meses. Um aumento no gasto com juros de +88% em relação ao mesmo período do ano passado (cf., BC, Relatório de Política Fiscal, Quadro II, 31/07/2015).

Isso numa situação em que, de janeiro a julho, houve um aumento de +84,8% nas falências das médias empresas e de +85% nas falências das grandes empresas – o que quer dizer, sucintamente, empresas nacionais (cf. Indicador Serasa Experian de Falências e Recuperações, 05/08/2015).

O motivo da quebradeira já instalada, e cada vez pior, é registrada até por quem é insuspeito de simpatia com qualquer “desenvolvimentismo”, verdadeiro ou falso: “De acordo com os economistas da Serasa Experian, a solvência das organizações tem sido impactada negativamente com os aumentos nas despesas financeiras, geradas, principalmente, pelas elevações das taxas de juros” (idem).

Além do gasto com juros do governo federal, que aumentou +112%, os governos estaduais e municipais foram obrigados a um gasto de R$ 42,419 bilhões. A situação no Rio Grande do Sul, onde até a polícia está em greve por causa do parcelamento dos salários, é apenas um prelúdio.

Esse foi o resultado de 16 aumentos de juros – sete depois da última eleição – que levaram a taxa básica de juros de 7,25% para 14,25%.

Mas a senhorita Leitão, o sr. Levy, a senhora Rousseff e outros nano-caracteres estão raivosos contra uma votação que aumenta alguns salários de funcionários,  causando um impacto anual de R$ 2,45 bilhões – 92 vezes menos do que o setor público drenou para os bancos, em juros, em um semestre.

Além disso, a quantia de R$ 225,870 bilhões, que o governo gastou de juros em um semestre, é seis vezes a verba anual da Educação, depois dos últimos cortes. Ou, se o leitor preferir, 18 vezes a verba que ainda não foi cortada do Ministério das Cidades, aquele que é responsável (?) pelo Minha Casa Minha Vida. Ou 81 vezes a verba anual da Integração Nacional – que tem a seu cargo a transposição do rio São Francisco, aliás, paralisada outra vez após as eleições.

Para que se tenha uma ideia do que isso representa em termos de trabalho dos brasileiros, o governo, com os aumentos de juros, fez com que o setor público despejasse nos bancos, de janeiro a junho, nada menos que 8% do Produto Interno Bruto, ou seja, 8% de todo o valor que é produzido (adicionado) pelo trabalho dentro do país no mesmo período.

Tudo isso, dinheiro que nós, cidadãos, pagamos em impostos e outros tributos, foi esterilizado nos bancos, virou especulação improdutiva no “mercado” financeiro, foi transferido do Estado para os monopólios financeiros privados – uma meia dúzia que suga o esforço de milhões e milhões de brasileiros – ou virou remessa de lucros para as matrizes dos monopólios no exterior.

O Planalto não está preocupado com esse gasto, perdulário, antissocial, criminoso.

O sr. Levy acha até que isso não é gasto – ora, o que são R$ 226 bilhões se o objetivo é forrar os bancos? É claro que sangrar o país é um direito deles...

O sr. Temer não pensa nada sobre o assunto, exceto que vantagem pode tirar disso...

Os débeis mentais (e as débeis mentais) do “Globo News”, bem...

E a senhorita Leitão acha que gasto perdulário é com salários. Gasto com juros ela acha que é filantropia. Quem pode haver de mais necessitado no mundo do que banqueiros, e outros parasitas, que necessitam dos juros tal como o Drácula necessitava do sangue dos vivos?

Em seis meses, o governo federal drenou para os argentários nada menos que o equivalente a 27% da previsão de arrecadação tributária para o ano inteiro. Ou 51% da arrecadação de impostos, também para o ano inteiro.

No último dia três, o STF condenou três ladrões: um roubara “um par de sandálias da marca ‘Ipanema’, avaliado em R$ 16,00 (dezesseis reais)”; outro, “15 bombons caseiros”, no valor total de R$ 30, e o último, aliás, uma mulher, “2 (dois) sabonetes líquidos íntimos”, no valor total de R$ 48.

É estranho, mas verdade: o tribunal máximo do país julgou roubos que, somados, atingem R$ 94 (noventa e quatro reais) – e condenou seus autores, ao recusar “habeas corpus” que pedia o reconhecimento da insignificância dos delitos. Sem entrar em firulas jurídicas, assim foi (cf. STF, HC 123.734, HC 123.533 e HC 123.108, relatados pelos ministros Luís Roberto Barroso e Teori Zavascki).

Mas o setor financeiro, sob a proteção do governo, pode roubar R$ 226 bilhões de dinheiro do povo em seis meses, sem que a polícia e a Justiça apareçam. Por enquanto.

CARLOS LOPES

 


 

 

 

 

 


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ESPORTES

 

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Carter: EUA são “uma oligarquia com corrupção política sem limite”


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O ataque e a pilhagem do Cartel do Bilhão contra a Petrobrás (2)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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