Povo brasileiro está “aborrecido com o governo”, afirmou Ciro

Ex-governador diz que Dilma fez “tudo ao contrário” e na presidência da Câmara tem um “pilantra de 5ª categoria”

O ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes criticou o governo Dilma e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), durante encontro político realizado na última segunda-feira (17) em Fortaleza. "Não é simples, nem é fácil a gente ver uma pessoa e um governo que a gente ajudou a eleger com tanto carinho, com tanto entusiasmo, com sacrifícios… Cid se sacrificou e muito… Todos os que estão aqui nesta mesa se sacrificaram, correram riscos sérios com aquele povo todo em cima do muro. E o Ceará foi o Estado que deu a maior votação do Brasil para a presidente, 76%", lembrou.

"E, com tudo isso, no dia seguinte, tudo o que a gente achava que ia ser, foi ao contrário", prosseguiu Ciro, ao criticar o estelionato eleitoral de Dilma Rousseff, que, segundo ele, tem feito "tudo ao contrário" do que prometeu na campanha pela reeleição. "É o preço da gasolina, é o preço da energia…[Dilma] Nomeia o cara dos bancos pro Ministério da Fazenda [Joaquim Levy]", denunciou. "E aquilo que era um conjunto de valores, a questão nacional, a questão da desigualdade, a questão do valor dos salários como remuneração do trabalho decente das pessoas, foi esquecido".

"Isso explica", prosseguiu Ciro, "porque a sociedade brasileira está aborrecida e qualquer governo que queira ter o mínimo de condições de se reconciliar com sua nação tem que ter humildade para entender isso". Durante o encontro de lideranças políticas para discutir os rumos partidários, o governador Ciro Gomes insistiu na defesa de uma mudança radical na política econômica do governo. O ex-ministro destacou que "tem de se buscar coalizão para que o governo volte aos trilhos. Não é amedrontando e cobrando cargos que o país vai retomar o crescimento".

Recentemente Ciro Gomes já vinha criticando os atuais níveis da taxa de juros básica do Brasil. "A rentabilidade dos papéis do governo é mais alta que a rentabilidade média dos negócios e é por isso que os investimentos no Brasil estão parados", disse. "Alguém fure meu olho com uma razão técnica para a taxa de juros ser dessa altura, não há razão", assinalou o ex-governador, durante uma entrevista concedida em São Paulo. Ciro foi muito aplaudido pelas lideranças presentes ao defender outros rumos para o país. Diversas vezes os presentes entoaram o coro de "Ciro, guerreiro...do povo Brasileiro!

O ex-governador disse ainda que o presidente da Câmara Federal, que deverá ser denunciado nesta quinta-feira pelo Ministério Público Federal (MPF) por cobrar e embolsar propina de US$ 5 milhões para viabilizar contratos da Mitsui com a Petrobrás, é um pilantra que "manda e desmanda" na República. "Não é fácil o trabalhador chegar em casa e ligar a televisão e assistir à novela mal-cheirosa, diária, da ladroeira, que não poupa mais ninguém. Pra bem dizer, o presidente da Câmara Federal do Brasil é um pilantra de quinta categoria que tá aí mandando e desmandando na República".

Depois disso, o ex-governador ainda avaliou as manifestações ocorridas recentemente pedindo a saída do governo federal e disse que não adianta desqualificá-las. "Existe doido de todo o tipo, mas é necessário se respeitar a Constituição". "Não adianta desqualificar as manifestações. Tem coisa de todo o tipo, doido de todo o tipo e modalidade, mas não adianta desqualificar. Aquelas multidões que foram pras ruas ontem só foram porque tem uma coisa muito errada acontecendo no nosso país", acrescentou. As declarações de Ciro foram dadas na abertura de um encontro interno do Pros, em Fortaleza, no qual o ex-governador cearense e seu grupo político debateram a possibilidade de migrar para o Partido Democrático Brasileiro (PDT).

Ciro defendeu que a militância do Pros seja focada não somente no respeito às instituições democráticas, mas principalmente na cobrança sistemática das ações do governo federal. Uma doutrina que, coincidentemente, tem sido pregada pela cúpula do PDT. Ele avaliou que "a crise política se descomprimiu um pouco". "Não que a gente não esteja no meio de uma crise política muito grave, com potencial muito grave de ameaça ao futuro do país, mas o próprio governo começou a cair em si", prosseguiu Ciro. Ele defendeu que os militantes tenham como tarefas prioritárias neste momento a defesa da democracia e a cobrança vigorosa da mudança da política econômica do governo, que está arrasando o país.

Estiveram presentes à reunião, além de Cid e Ciro, Lúcio Gomes, secretário das Cidades, a governadora interina Izolda Cela (Pros), o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (Pros), o presidente da Câmara Municipal, Salmito Filho (Pros), entre outros. Ao estilo plenária, diversos políticos fizeram o uso da palavra ao microfone durante o evento para discutir os rumos do grupo. Alguns defenderam que a ida ao PDT poderia levar Cid ou Ciro a uma candidatura presidencial em 2018. "O PDT tem sido aliado nosso em todas as eleições. De maneira que é um passo muito natural, que é um passo muito coerente para quem está, como nós, obrigados a tomar essa posição", defendeu Ciro. Entretanto, a posição final do grupo ainda não está oficializada.

SÉRGIO CRUZ


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