Planalto devasta o país e arma aumento de tributos

Dilma quer garantir pagamento de juros aos banqueiros a qualquer custo, afundando o povo brasileiro na recessão e no desemprego

Não existe nenhuma dificuldade especial em encontrar "saídas para o rombo fiscal", como a presidente Dilma implorou ao PMDB – ou seja, a Cunha, Renan, Jucá, Temer, Fernando Baiano e outros de moral ilibada, caráter sem jaça e patriotismo indiscutível – que lhe ajudasse a encontrar.

Para acabar com o rombo fiscal basta reduzir os juros, cauterizar a maior hemorragia de recursos que o país já viu – 8,66% do PIB em transferências do setor público para o setor financeiro ou R$ 288,623 bilhões em apenas sete meses, +94,7% que no mesmo período do ano passado (v. matéria na página 2) – e aumentar a arrecadação com uma política de crescimento, de investimentos públicos.

Os juros são o rombo fiscal. Cortar despesas com o atendimento da população – nem toquemos no incentivo à produção – e aumentar impostos para manter esse rombo fiscal é algo que beira o jumentino, para ser educado.

Os juros estúpidos atuais e essa drenagem alucinada foram estabelecidas pelo governo Dilma. Agora, seu servilismo histérico já começa a se tornar algo pior, tão fora da realidade que faz lembrar as cartas daquele oligofrênico que foi o último czar da Rússia.

Qualquer dos sujeitos do PMDB sabe que Dilma não está implorando ajuda coisa alguma. Quer, na verdade, que eles façam o que ela quiser – aumentar impostos, por exemplo. Como, segundo a concepção neo-petista ou neo-tucana (é a mesma coisa) ninguém trabalha de graça...

O roubo ao dinheiro público e o suborno são o lado "político" do neoliberalismo.

Entretanto, até esses elementos que arrumam emprego como comentaristas econômicos de TV sabem que, numa recessão que já está em -2,1% (v. matéria na página 2), com uma queda de quase 10% no investimento e mais uns -2% no consumo, aumentar impostos só serve para afundar mais o país, ou seja, aumentar a recessão, porque retira dinheiro da circulação.

Certamente, pode-se imaginar uma situação em que o dinheiro desse aumento de impostos pudesse aumentar o investimento público – portanto, fosse injetado na produção, servindo para combater a recessão.

Mas isso nada tem a ver com a situação atual no Brasil.

Como ficou claro na intentona do retorno da CPMF, o objetivo de aumentar os impostos é repassar esse dinheiro para os bancos, que se empanturram com os juros que asfixiam o país.

Desde o início do ano, o país foi arrasado – e o fato de que, como alguns disseram, se depender de Dilma, estamos só no começo, não faz com que, até agora, o país tenha sido menos arrasado.

Pelo menos um milhão e meio de desempregados, uma queda de 6% no salário real, um corte salazarista nos direitos dos trabalhadores, um aumento de 85% nas falências de médias empresas, segundo o Serasa, uma queda nas compras (e, portanto, vendas) até mesmo de comida. Os Estados e municípios foram garroteados, a Educação e Saúde foram submetidos a um confisco financeiro como nunca houve.

Tudo isso foi em nome do famigerado "superávit primário", a reserva em dinheiro para juros.

Depois disso tudo, o governo apresenta uma proposta de Lei de Diretrizes Orçamentária onde, pela primeira vez na História do país, há um déficit no projeto.

O que equivale ao governo decretar a falência do país e a chantagear parlamentares para que aprovem aumentos de impostos para cobrir esse rombo.

O mais absurdo é que qualquer parlamentar sabe que isso é apenas uma palhaçada contábil. Aliás, qualquer quitandeiro sabe fazer um balanço ou orçamento em que as receitas são iguais às despesas.

Quanto mais o governo - que tem capacidade tanto de emitir quanto de tomar emprestado.

Por isso, nenhum presidente, até hoje, apresentou uma proposta de Orçamento em que as despesas fossem maiores que as receitas – pois é em função das primeiras, isto é, das necessidades, que se vai atrás das últimas.

Mas isso nem passa pela cabeça da senhora Rousseff.

No entanto, ninguém, que não seja um débil mental, acha que o Brasil está falido.

Pelo contrário, um país que transfere R$ 288,6 bilhões para juros em sete meses, não pode ser um país falido.

Porém, é um país em que o governo despoja o povo do que ele tem, para fornecê-lo a um punhado de bancos e rentistas.

O sr. Temer e seus correligionários, evidentemente, não são infensos a essa política. Nem mesmo a um aumento de impostos, como se pode ver pelo que disse sobre a proposta de orçamento com déficit de R$ 30,5 bilhões:

"O que a sociedade não aplaude é o retorno repentino, de supetão, como ia ocorrer com a CPMF, de um tributo. Isto a sociedade não aplaude. Nós temos que saber que a economia depende muito da atuação política. A atuação político-econômica é que determina também, ou leva à harmonia social. Você tem desarmonia, se você tiver a sociedade satisfeita e para ter a sociedade satisfeita é preciso ir ao encontro daquilo que a sociedade pensa".

Enrolação pra cá, enrolação pra lá, lé com lé, cré com cré, um sapato em cada pé...

Quanto ao Cunha Lavajato, enviou sua mensagem diretamente dos EUA: "Vai ter que cortar tudo: vai ter que cortar despesas, vai ter que cortar tamanho de governo, vai ter que cortar investimentos, vai ter que cortar tudo, é inevitável, o governo vai ter que diminuir o tamanho do seu gasto de acordo com o tamanho da sua receita".

Em suma, o Brasil que se exploda, contanto que ele continue a mamar na Petrobrás. Afinal, o corte é só para os pobres e honestos...

Da mesma forma, o seu amigo Renan: "... é preciso cortar despesas, melhorar a eficiência do gasto público. O Congresso está disposto a colaborar nesta direção".

Realmente, ele jamais teve algo contra cortar a comida dos outros. Quanto foi da Transpetro ou da Petrobrás que ele investiu para melhorar Alagoas, um dos Estados mais pobres, senão o mais pobre, da federação?

A decadência de um estado de coias – de um regime ou sistema – é sempre acompanhado pelo apodrecimento e loucura da casta que espolia a sociedade.

Foi assim no final do Império Romano e no fim do feudalismo, quando a Revolução Francesa batia as portas – e sempre se poderia lembrar outros países e experiências, inclusive do Brasil, naquilo que precedeu a República ou a Revolução de 1930.

Ao que parece, estamos prestes a uma nova limpeza das estrebarias de Áugias – até porque, é inevitável que o Brasil não possa se conformar debaixo de tanta decomposição.

CARLOS LOPES


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