Cunha e Dilma fazem conchavo para espremer o povo mais ainda

“A harmonia tem que ser mantida”, disse Cunha após se reunir com a Sra. Rousseff

Uma sinistra reunião ocorreu na terça-feira (1) no interior do Palácio do Planalto. O conchavo se deu entre o denunciado na Lava Jato, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acusado de embolsar US$ 5 milhões no esquema de propinas de obras na Petrobrás, e a presidente Dilma Rousseff. Os dois personagens que vinham fingindo se estranhar nos últimos tempos acabaram se entendendo muito bem nos planos de ampliar o arrocho contra o país e os trabalhadores. Eles debateram várias medidas para estrangular a economia e restringir os ganhos de trabalhadores, servidores e aposentados.

O convite feito a Cunha para discutir e preparar as medidas nefastas partiu de Dilma. Não satisfeita em ter cortado os direitos dos trabalhadores, como pensão por morte, abono salarial, auxílio doença, seguro desemprego, seguro defeso, etc, ela quer agora que Cunha a ajude a impedir a votação de qualquer matéria que signifique benefícios para a população.

A ordem é aprofundar a recessão, arrochar salários de servidores, cortar programas sociais, reduzir investimentos e, se possível, aumentar impostos. Toda a preocupação do Planalto está em garantir recursos para o pagamento de juros aos banqueiros. Só nos primeiros sete meses deste ano, o governo fez o setor público destinar R$ 288,6 bilhões para pagamento de juros. Dilma não descarta nem mesmo assaltar os recursos da Previdência Social e até outras despesas obrigatórias para cobrir o rombo provocado por sua desastrada política nas contas públicas.

Além de pedir apoio a Eduardo Cunha para atacar a população, a senhora Rousseff convocou seu ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, para fazer um périplo de convencimento junto aos parlamentares. Ele passou toda a terça-feira fazendo isso. Ela quer que eles apóiem o veto do governo ao reajuste dos servidores do judiciário. A proposta foi aprovada pelo Congresso, mas a presidente vetou o reajuste. Os servidores públicos de vários órgãos, inclusive professores e funcionários das Universidades Federais, estão em greve contra o arrocho salarial e a intransigência do governo. Agora, a ideia do Planalto não é apenas arrochar salários, mas cortar verbas, desativar programas, demitir, provocar recessão e aumentar impostos. Em entrevista na quarta-feira, Dilma foi categórica: "não é hora de inventar despesas", disse. E acrescentou que não abre mão de novos impostos.

Cunha afirmou, em entrevista realizada assim que saiu da reunião no Planalto, que Dilma pediu a ele apoio para impedir a tramitação de projetos que aloquem recursos orçamentários em benefício da população. Segundo o parlamentar, ela lhe manifestou "preocupação" com a tramitação de projetos de lei que podem gerar despesas e aumentar o déficit de R$ 30,5 bilhões previsto para o Orçamento de 2016. "A preocupação é o Orçamento, o déficit, e o aumento da despesa pública por projetos que possam ser aprovados e que têm impacto orçamentário. Obviamente, ela manifestou essa preocupação. Da minha parte, eu mostrei a ela que o déficit não é o principal problema. O principal problema é não aumentar a dívida bruta do país porque você vai financiar o déficit aumentando a dívida. Se você controlar a dívida, você tem uma sinalização positiva [para o mercado]", disse o presidente da Câmara. Em suma, Cunha mostrou-se, no essemcial, em perfeita sintonia com os cortes e o arrocho do governo.

O deputado revelou na entrevista que Dilma está de olho mesmo é nos recursos da Previdência e em outras despesas obrigatórias. "Ela debateu a situação e pediu apoio para que medidas possam ser tomadas para que a gente possa ter uma solução estrutural para o processo. Ela não me pediu para aumentar impostos nem que a gente encontrasse uma solução. Quem faz a peça orçamentária é o Poder Executivo. O Executivo que sabe suas capacidades, limitações, gastos e aquilo que são despesas obrigatórias", explicou o parlamentar.

Dilma teria buscado com a reunião, segundo Cunha, manter aberto um "canal de diálogo". "O que ela quis fazer, politicamente, é discutir um problema que está afetando as contas públicas do país, para, politicamente, ter o canal aberto para diálogo nas circunstâncias que forem necessárias", afirmou.

Pode ser verdade que Dilma não falou sobre aumento de impostos com Cunha, mas, em sua entrevista ela foi incisiva em defender que o Congresso "tem que ajudar o governo a achar uma solução para o rombo". Isso um pouco antes de repetir que não abre mão de nenhuma receita, ao ser perguntada sobre uma suposta volta da CPMF.

"Rompido" com o governo depois que foi denunciado pelo Ministério Público por cobrar e receber propina, Cunha sentiu necessidade de explicar a seus apoiadores porque está participando de conchavos com Dilma. "Sempre disse: uma coisa é meu alinhamento político, outra coisa é o papel institucional. A harmonia tem que ser mantida. E harmonia é isso, é conversar. Isso não quer dizer que voltei atrás no meu rompimento político, mas isso não quer dizer que eu não vá conversar com ela ou debater as questões do país", completou. Ou seja, Cunha quis deixar claro que concorda com Dilma no arrocho ao país.

O presidente da Câmara relatou ainda ter garantido na conversa com Dilma que o problema da queda da arrecadação não seria provocado pela recessão e nem pela falência de milhares de empresas, mas pela "falta de confiança dos investidores". "É a falta de confiança dos investidores na economia brasileira", garantiu. "Nosso maior problema é que arrecadação cresceu menos", acrescentou. "E isso", eu disse a ela, "é por causa da perda da confiança na economia como um todo, seja do investidor, seja do consumidor".

Aliás, ele esqueceu de dizer que a "confiança" deve estar caindo muito também por causa dos escândalos de corrupção como os que ele vem protagonizando. Afinal, com 93% da população de repúdio à Dilma e o presidente da Câmara Federal, terceiro na hierarquia do poder, prestes a ser preso, parece natural que ninguém tenha muita segurança em investir o seu capital. Cada vez mais fica claro que a solução da crise política e econômica que está assolando o país passa pela saída de ambos de seus cargos.

SÉRGIO CRUZ


Capa
Página 2
  Página 3

Cunha e Dilma fazem conchavo para espremer o povo mais ainda

Moro: ‘não foi a Lava Jato que fez custos da Abreu e Lima passarem de US$ 2 bi para US$ 18 bi’

Marcelo Odebrecht exalta a omertà

PLS de Serra “tem de ser derrubado”, diz Randolfe

Glauber Braga: “o presidente da Câmara tem que se afastar imediatamente deste posto”

Para Delgado, problemas do país não são criados por fator externo: “é a incompetência do governo”

TSE reitera investigação das contas eleitorais de Rousseff

Página 4 Página 5

“Taxa de juros nesse patamar é criminoso”, afirmam centrais

No Rio Grande do Sul, trabalhadores condenam arrocho de Dilma e Sartori

Frente de mobilização popular toma as ruas no próximo dia 18 contra arrocho fiscal do governo

Petroleiros aprovam início de greve a partir do dia 5 contra plano de desinvestimento da Petrobrás

Servidores defendem, no mínimo, o reajuste da inflação

Após pressão do governo, sessão que votaria veto ao reajuste do Judiciário é cancelada no Congresso Nacional

Funcionários do Banco Central fazem paralisação nacional de 24 horas

ESPORTES

 

 

Página 6

Hungria atende Alemanha e bloqueia trens a refugiados

Viena: dezenas de milhares exigem que “UE receba bem os refugiados”

Curuguaty: Julgamento-farsa é novamente suspenso

Contrabando e especulação na fronteira sangram a economia da Venezuela

PIB da Bolívia cresce 5,2% durante o primeiro semestre 

 

Página 7

 China comemora os 70 anos da Vitória e pede mundo multipolar

 Peru repudia chegada de porta-aviões dos EUA em Lima com 3.200 militares

    Foi a China que sustentou o peso central da guerra no oriente

   
Vietnã festeja independência no 2 de setembro e presta homenagens ao patriarca Ho Chi Minh

Otto Pérez renuncia à Presidência da Guatemala já sob ordem de prisão

Índia faz greve geral contra ataques a direitos trabalhistas
  

Página 8

Odebrecht é condenada por trabalho escravo em Angola