Para Sra. Rousseff, ‘certo’ agora é subir juros e arrochar o país

Deboche e escárnio com a inteligência do povo brasileiro. Fez pronunciamento longe da TV com medo de panelaço

No Brasil, desde que um charlatão, Joaquim Murtinho, apareceu, no longínquo ano de 1898, com a história de que a economia precisava de "remédios amargos", se sabe o que isso significa: desemprego, queda nos salários, quebra das empresas nacionais – para que um punhado, aqui e no exterior, aumente sua pilhagem sobre a população e as riquezas do Brasil.

Dilma, no pronunciamento que não fez no Dia da Pátria – enviou-o à Internet, com medo do panelaço – repetiu, com 117 anos de atraso, a charlatanice de Murtinho, que resultou na bancarrota do país, com a eliminação da indústria nascente, no governo Campos Sales.

Na época, um homem inteligente, Vieira Souto, escreveu: "O que temos desde o princípio impugnado na política financeira do Dr. Murtinho, e hoje todos condenam, é que S. Exa. tenha saído do terreno da aspiração para aplicar um remédio infinitamente mais ruinoso do que o próprio mal. S. Exa., que é médico, sabe quantos doentes poderiam ter escapado da enfermidade, se não houvessem morrido da cura".

Remédio que mata o doente – e, no caso, sobretudo gente sã – costuma receber o nome de veneno.

A mal disfarçada satisfação com "remédios amargos" (para os outros) é apenas um travesti do princípio escravocrata: "o que o povo precisa não é de emprego, mas de chibata", muito caro às mal amadas lacerdistas, tão fascinadas quanto horrorizadas por uma chibata.

Se alguma leitora de sensibilidade mais reativa achou grosseira essa nossa incursão pela psicanálise, muito mais grosseiro e desrespeitoso é a senhora Rousseff atribuir o afundamento do país ao excesso de emprego e aos excessivos salários dos trabalhadores, assim como aos excessivos investimentos públicos e gastos sociais.

O leitor que julgue se isso não é uma afronta:

"As dificuldades e os desafios resultam de um longo período em que o governo entendeu que deveria gastar o que fosse preciso para garantir um emprego e a renda do trabalhador, a continuidade dos investimentos e dos programas sociais. Agora temos de reavaliar todas essas medidas e reduzir as que devem ser reduzidas."

A culpa, portanto, é do Lula. Daí, "alguns remédios para essa situação, é verdade são amargos, mas são indispensáveis": aumentar juros, cortar empregos, salários, investimentos e gastos sociais.

Mas, por que ela acha que é "indispensável" aumentar juros, cortar empregos, salários, investimentos e programas sociais?

Ora, leitor, para "assegurar oportunidades iguais para nossa população".

Em suma, é desempregando e rebaixando o salário que as pessoas ficam mais iguais...

Pelo menos, Joaquim Murtinho não pretendeu assegurar "oportunidades iguais" a ninguém. Aliás, nem Dilma. Só não tem a pouca honestidade de confessar.

Durante o seu primeiro mandato, Dilma forçou o setor público a uma sangria, em juros, de R$ 1 trilhão e 10 bilhões de reais, em favor dos rentistas – bancos, fundos, outros especuladores, tanto internos quanto estrangeiros (aliás, fundamentalmente, estrangeiros). Foi um aumento de +45,44% em relação aos quatro anos anteriores. De 2011 a 2014, ela entregou aos bancos quase um ano inteiro do Orçamento da União, mais (bem mais) que a média anual da arrecadação tributária federal (impostos + taxas), derrubando o crescimento do país para um nível medíocre - "ínfimo", como disse um sujeito que agora é ministro da copa e cozinha do governo.

No entanto, o que está acontecendo no segundo mandato é uma transferência avassaladoramente maior de recursos - dos trabalhadores, empresários produtivos e do Estado - para o setor financeiro.

Comparemos o período de janeiro a julho (ainda não saíram os resultados de agosto) no primeiro e no segundo mandato. Foram as seguintes as transferências de juros do setor público:

2011: 138,54 bilhões;

2012: 128,46 bilhões;

2013: 141,49 bilhões;

2014: 148,24 bilhões;

2015: 288,62 bilhões.

A drenagem para os bancos, sob a forma de juros, aumentou, portanto, +95%, em relação a 2014. Ou, se o leitor preferir uma comparação ainda mais rigorosa, um aumento de +107,37%, em relação à média do primeiro mandato, no período de janeiro a julho.

Assim, o "remédio amargo" de Dilma significou um aumento de +42,12% no lucro dos três maiores bancos privados (Itaú Unibanco, Bradesco e Santander) no primeiro semestre, em relação ao mesmo período do ano passado.

Isso, em meio a uma recessão na qual as falências e pedidos de recuperação judicial das empresas brasileiras se espraiam como a peste negra e com mais 1,5 milhão de trabalhadores desempregados desde janeiro (com a estimativa de que "vai acrescentar, ainda este ano, dois a três milhões de desempregados adicionais a nosso atual desemprego" - v. o recente artigo de Mário Bernardini, diretor da ABIMAQ, "Ajuste fiscal, crise e oportunidade", 02/09/2015).

Esse é o "remédio amargo" da malta dilmista: saquear trabalhadores, empresários e o Tesouro. Realmente, ele é "indipensável" para que alguns bancos e outros rentistas aumentem sua parcela na apropriação da riqueza produzida pelo trabalho e pelo esforço dos brasileiros.

Não espanta – aliás, nem um pouco – que o sr. Setúbal, dono do Itaú, ocupe a mídia para exaltar as virtudes do governo Dilma e que a própria mídia golpista, sempre submissa aos bancos, esteja sustentando esse poste sem luz. Já temos, portanto, uma definição do que é golpe no momento atual: consiste, precisamente, em manter um governo odiado pelo povo.

Já o sr. Trabuco, presidente do Bradesco, saiu por aí a assaltar a paciência alheia, com a original teoria de que aqueles que são contra o governo estão movidos pelo "seu ego pessoal".

Não vamos pedir que explique qual o ego que não é pessoal, porque banqueiro metido a psicólogo só pode dar em bobagem. Mas existem 190 milhões de egos pessoais querendo que Dilma deixe o país em paz, ou seja, saia da Presidência.

Dilma procurou o Bradesco - aliás, Trabuco – para ouvir que "o governo não pode jogar a toalha" e que "não dá só para aumentar impostos".

Logo, além de aumentar impostos (para todos, menos os bancos, que fazem o povo pagar os poucos impostos que lhes cabem), é preciso cortar as despesas obrigatórias do Orçamento, quais sejam, a verba mínima constitucional da Saúde, a verba mínima da Educação, a folha de pagamento real do funcionalismo, e, claro, mais uma vez, a Previdência.

CARLOS LOPES


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