Para Dilma, ‘democracia’ é trair o eleitor e governar para os bancos

A presidente mais rejeitada da história diz que é golpe querer tirar do cargo governante antipovo

Em meio a uma distribuição de casas (como se os novos proprietários não pagassem por essas casas!), organizada pelo PTB e por três empreiteiras em Presidente Prudente, São Paulo, quase na fronteira com o Mato Grosso do Sul, a presidenta declarou que "usar a crise como mecanismo para chegar ao poder é uma versão moderna do golpe".

Disse, também, que "qualquer forma de encurtar o caminho da rotatividade democrática é golpe".

É inútil perguntar onde está o pé e a cabeça de semelhante consideração, que esculhamba a si própria: onde está o golpe, se o objetivo, diz ela, é "encurtar o caminho da rotatividade democrática"?

Mas é claro que o problema não é apenas a lógica da senhora Rousseff, na qual as maçanetas e as beldroegas são "conceitos" da mesma ordem – e ela mesmo jamais faz parte do problema.

A questão é o que motiva essa lógica de trapezista mental que sempre se esborracha no chão, capaz de dizer que "usar a crise como mecanismo para chegar ao poder é uma versão moderna do golpe", como se não tivesse sido ela que criou essa crise, com seu estelionato eleitoral, sua política recessiva, neoliberal, submissa, reacionária, antipopular, antinacional, por consequência, antidemocrática até as entranhas.

Há mais de 300 anos, em 1690, John Locke escreveu:

"Cada vez que um poder, colocado nas mãos de alguém que deve governar o povo e preservar suas propriedades, é utilizado para empobrecer, perseguir ou subjugar o povo às ordens irregulares e arbitrárias daqueles que o detêm (...) estão se colocando em um estado de guerra contra o povo, que fica, portanto, dispensado de qualquer obediência (…) não é de se espantar, então, que ele se rebele e tente colocar as rédeas nas mãos de quem possa lhe garantir o fim em si do governo; sem isso, as denominações antigas e as formas enganadoras, longe de representar um progresso em relação ao estado de natureza e à anarquia pura e simples, são bem piores" (John Locke, "Segundo Tratado Sobre o Governo Civil", XVIII e XIX, trad. Magda Lopes e Marisa Lobo da Costa).

Locke era um homem moderado. Por isso, diz ele, "nada justifica a força hostil, exceto quando é negado a alguém o recurso legal". Porém, na falta deste, era legítimo o direito à rebelião, o direito de resistir à tirania, e, em certas circunstâncias, esse direito transformava-se, mesmo, em um dever.

Pois Dilma e seus áulicos – é verdade que poucos e muito chatos – pretendem, 325 anos depois, que o velho Locke era muito avançado... A que ponto se pode regredir, quando se passa para o lado dos inimigos do povo e do país!

Daí os berros de "golpe" que emitem quando, apenas, o que existe é uma colossal insatisfação e repulsa popular - a ela e ao seu governo.

Certamente, berram porque querem ficar no poder contra a vontade de todos. Logo, todo o povo brasileiro passa a ser chamado de "golpista". Para se ver a alta estima em que eles têm o povo brasileiro, isto é, a Nação.

Mas, evidentemente, poderiam ter escolhido outro refrão. Por que escolheram esse, sem que nenhum vivente com alguma decência – ou com alguma inteligência – veja nele algo de real?

Então, vamos aos fatos.

O governo Dilma tem como inimigo principal o povo brasileiro. Esse é o problema dos governistas, porque, agora, o povo brasileiro também tem como inimigo principal o governo Dilma, algo que nem sempre acontece na história dos povos.

Os dilmistas – e a própria Dilma – escolheram o mote do "golpe" porque é o que há de mais próximo a eles. Em suma, estamos com um governo golpista.

Essa é a razão da senhora Rousseff, no discurso de Presidente Prudente, dizer e repetir que "a base da democracia é a legalidade e a legitimidade dada pelo voto".

A base da democracia é a vontade do povo. Com ou sem voto – pois, como inúmeras vezes argumentou Rui Barbosa, o voto pode não refletir a vontade popular, deformado por vários fatores, por exemplo, a fraude ou a mentira sufocante, via ingerência e abuso do poder financeiro.

Aqui, apenas lembraremos que nem assim a maioria do eleitorado votou em Dilma.

Mas o decisivo é que até quem votou em Dilma quer que ela saia da Presidência.

E por óbvias razões: ninguém votou no "ajuste", no pacote neoliberal, ninguém votou a favor do aumento dos juros e do desemprego, na cassação do seguro-desemprego e das pensões por morte, no arrocho salarial, na quebradeira em massa das empresas, no aumento dos impostos para empanzinar banqueiros, no avacalhamento das universidades públicas, da Saúde, de qualquer serviço público – e paramos por aqui apenas devido à falta de espaço.

Existe golpe mais sem-vergonha do que se eleger prometendo fazer o oposto do que foi feito logo após a eleição? Se isso não é golpe, Papa Doc Duvalier – outro estelionatário eleitoral – era um democrata.

Há muito, e especialmente em seu segundo mandato, a senhora Rousseff tem manifestado um desprezo rancoroso pelas leis – em especial, pela Constituição.

O que é o seu último pacote, senão uma tentativa de rasgar a Constituição e as leis vigentes? O fato de que ela tente fazer isso chantageando o Congresso ou os partidos, manipulando cargos e verbas, não apaga o fato de que o objetivo é rasgar a Constituição e as leis – e não para substituí-las por algo melhor.

Poderíamos citar a lei que renegocia as dívidas dos Estados e municípios com o governo federal, aprovada pelo Senado e pela Câmara – que ela, simplesmente, não obedeceu, causando a débàcle atual dos entes federativos.

Mas nada se compara, em desrespeito às leis, em atentado à democracia e à Nação, ao modo como a senhora Rousseff – e o seu partido - bancou a sua campanha eleitoral. Os testemunhos e provas materiais da Operação Lava Jato, que estamos publicando na página oito, são absolutamente irretorquíveis e absolutamente escandalosos. Se ela sabia ou não da origem espúria desse dinheiro, não é relevante, pois, se não sabia é porque não quis saber. O fato é que, agora, que ela sabe, continua defendendo os roubos e os ladrões da Petrobrás, com a infame conversa de que a recessão está sendo causada pela Operação Lava Jato, ou seja, pelos que investigam os ladrões que colaboraram com sua campanha (v. HP 29/07/2015).

De acordo com a modesta opinião dessa filósofa, Luís XVI foi apeado do poder injustamente, por um bando de golpistas - não importa que esse "bando" fosse o povo francês. Ou será que não existia uma crise, que só foi resolvida com a deposição do rei?

Foi há mais de 200 anos – mas a senhora Rousseff acha que foi uma "versão moderna do golpe".

E nem falemos no Washington Luís, aquela flor da oligarquia, que desejava submeter tudo e todos à sua própria submissão aos bancos ingleses. Getúlio Vargas e o povo, provavelmente, eram golpistas que deviam se prosternar diante do regime que impedia a industrialização e o progresso social do Brasil.

Em vez disso, fizeram a Revolução de 30, mandaram Washington Luís passear na Europa, e iniciaram as cinco décadas do maior crescimento de um país capitalista no Século XX.

CARLOS LOPES


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Para Dilma, ‘democracia’ é trair o eleitor e governar para os bancos

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Página 4 Página 5

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O PT na Petrobrás: Vaccari, Duque & alguns outros - 4

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