Dilma dá Ministérios ao PMDB para destroçar mais a Nação

Apesar das intensas manifestações, partido fechou com Dilma, pelo menos por uma semana, manter os vetos

Dilma Rousseff montou um balcão de negócios no Palácio do Planalto, bem ao estilo da República Velha, em troca do apoio do PMDB ao seu intento de arrancar o máximo de dinheiro da sociedade para fazer superávit primário (reserva para pagar juros) e, com isso, agradar o mercado financeiro, ou seja, os rentistas, os banqueiros e os agiotas.

Ela ofereceu entre cinco e oito ministérios ao PMDB para aprovar suas medidas de arrocho contra o povo. Na terça-feira (22) se deu a batalha campal para derrubar os vetos aos projetos que beneficiam o povo. A votação foi feita com as galerias tomadas por servidores e o Congresso cercado por manifestantes que exigiam a derrubada do veto da presidente ao reajuste dos funcionários do Judiciário.

Sob intensas vaias e com os manifestantes virando as costas nas galerias para o plenário e fazendo o sinal de negativo com o dedo polegar, o líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), tentou argumentar que os servidores do Judiciário, que estão sem reajuste desde 2006, não podem ter o reajuste determinado pela lei aprovada - e parcelado em seis vezes - porque seria "um privilégio" num momento em que os demais servidores estão sendo arrochados pelo famigerado ajuste fiscal imposto pela sua presidente. Ele defendeu a manutenção dos vetos de Dilma sob o pretexto esdrúxulo de que o Brasil tem que economizar para pagar juros aos bancos.

Com as promessas de cargos e ministérios feitas por Dilma, o fisiologismo peemedebista acompanhou o governo e prometeu fidelidade, pelo menos por mais uma semana. Ou seja, esse foi o preço do partido para não derrubar os vetos. Já sobre a aprovação da CPMF, e outras medidas, o PMDB não se comprometeu.

A sala da ministra Kátia Abreu (PMDB) na Esplanada dos Ministérios se transformou numa verdadeira central de negociações com um toma-lá-dá-cá frenético entre bancadas dos partidos da chamada base aliada. Era um esforço desesperado para barrar - a qualquer custo - a derrubada dos vetos da presidente. Terminada a sessão, foram votados 26 dos 32 vetos, todos mantidos. A apreciação dos seis vetos restantes, entre eles o reajuste dos servidores do judiciário, dependerá agora de uma nova sessão conjunta do Congresso (deputados e senadores), em data a ser definida. Entre os vetos mantidos está o veto ao texto que acabou com o fator previdenciário, instrumento criado por FHC para reduzir o valor das aposentadorias, e estabeleceu a regra 85/95, soma de idade e tempo de contribuição de mulheres e homens respectivamente, para poder se aposentar. Mais um golpe do governo nos aposentados.

Este pacote de arrocho que Dilma negocia com o PMDB para impor ao país já é o terceiro só neste ano. Tudo para garantir os recursos para juros. Em maio ela reuniu os ministros para acertar um corte de R$ 80 bilhões no orçamento. Diversos setores foram atingidos e programas sociais foram cortados. As Universidades Federais entraram em crise, as verbas do FIES foram reduzidas, a saúde entrou em colapso. Depois vieram as Medias Provisórias 665 e 664, que cortaram direitos trabalhistas e previdenciários. Pensão por morte, seguro defeso, acesso ao seguro desemprego, auxílio doença, abono salarial e outros direitos foram reduzidos ou abolidos. Agora, depois de enviar uma proposta de orçamento de 2016 com rombo de R$ 30,5 bilhões, Dilma quer impor mais este pacote com cortes ainda mais drásticos e aumentos de impostos para fazer superávit primário de 0,7% do PIB. Em suma, ela quer esfolar o povo.

Durante a semana o PMDB divulgou que não indicaria nomes para o ministério de Dilma. O recado fazia parte do jogo. Deixou o Planalto em pânico. A manjada maneira do PMDB de fazer a chantagem por cargos funcionou bem. Apavorada com a possibilidade de ser derrotada em sua intenção de mostrar serviço aos bancos, Dilma saiu oferecendo ministérios, inclusive o da Saúde, ao PMDB. Telefonou para Eduardo Cunha e ofereceu cargos para a bancada na Câmara. Em seguida telefonou para Renan Calheiros e prometeu ministérios para a bancada do Senado. E assim foi o dia inteiro. Uma verdadeira feira livre. No final, os 26 vetos foram mantidos, mas, apesar de toda a orgia, a apreciação dos mais importantes foi adiada. A barganha, portanto, segue nos próximos dias. Afinal, o PMDB não vive sem cargos - seja em que governo for. O vice-presidente chegou a pedir que Dilma mantenha no governo federal o ministro Helder Barbalho (Pesca), cuja pasta deveria ser extinta na nova configuração ministerial.

Até o investigado Eduardo Cunha, que foi denunciado - mais uma vez - nesta quarta-feira, desta vez por Eduardo Vaz da Costa Musa, ex-gerente da Área Internacional da Petrobrás, que colabora com a Justiça, como o homem que dava a última palavra na indicação de nomes para a diretoria internacional da Petrobrás, participou do botim e orientou quais seriam as exigências da bancada federal na reunião com a presidente. O líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), entregou o nome de sete deputados para ocupar dois ministérios. Para Saúde, foram sugeridos Saraiva Felipe (MG) – já vetado por Dilma –, Marcelo Castro (PI) e Manoel Júnior (PB). Cunha emplacou como candidato a ministro até o seu "pau mandado", Celso Pansera, dono do restaurante "Barganha", no Rio de Janeiro, fiel escudeiro que o ajudou a ameaçar a advogada Beatriz Cata Preta e sua família na CPI da Petrobrás. Pela vontade de Cunha, ele iria para a pasta de Infraestrutura. Sua experiência na "barganha" provavelmente o ajudaria muito nas obras de infraestrutura do país.

Com os cargos na mão, o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), falou sobre a sessão do Congresso Nacional desta terça, que manteve vetos da presidente. Eunício não deu nenhuma garantia de que o partido vai aprovar os aumentos de impostos do pacote. Ele disse apenas que a presidente fez uma avaliação positiva das votações. "O resultado dos vetos foi um resultado de demonstração de responsabilidade da Câmara e do Senado com o Brasil", afirmou. O senador disse que a criação de mais despesas para o país poderia levar o Brasil ao mesmo caminho da Grécia. "Estamos em processo de discussão, o governo encaminhou ao Congresso um buraco de R$ 30 bi [no Orçamento de 2016]. Não podíamos aumentar as despesas senão seríamos obrigados a aumentar impostos", disse.

SÉRGIO CRUZ


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O PT na Petrobrás: Vaccari, Duque & alguns outros - 6

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