Novas revelações do esquema de Cunha para assaltar a Petrobrás

Operador do PMDB confessou propina e mais uma maracutaia do presidente da Câmara contra a estatal

O depoimento do operador João Augusto Rezende Henriques, relatando que depositou numa conta de Eduardo Cunha, na Suíça, propina exigida pelo atual presidente da Câmara referente à compra, pela diretoria internacional da Petrobrás, de um campo de petróleo em Benin, na África, é um escândalo como jamais houve na história do Legislativo brasileiro.

E, no entanto, é apenas um entre muitos – mas vejamos este.

Tudo se resume ao seguinte: por que a Petrobrás, sob a gestão do sr. Jorge Zelada na diretoria internacional, comprou esse campo – aliás, 50% dele? Por que a Petrobrás, companhia altamente competente, foi obrigada, em 2011, a comprar parte de um campo, que, após as fanfarras de marketing, passou - segundo nota da empresa em 2015 - para a lista dos "ativos exploratórios de alto risco", onde, ao custo de US$ 250 milhões, furou quatro poços, todos secos, ou seja, sem petróleo?

Só existe uma resposta possível: para garantir a propina do sr. Cunha - que, sob o abrigo do PT, mandava e desmandava na diretoria internacional da Petrobrás – e aprochegados.

Segundo João Henriques, um empresário de nome Idalécio de Oliveira lhe recomendara o campo em Benin [NOTA HP: Oliveira era o diretor-geral da Compagnie Béninoise des Hydrocarbures, subsidiária da Lusitania Petroleum, que era a proprietária do campo em Benin].

O operador diz ter ficado entusiasmado, porque a área tinha "um grande potencial de exploração". Tão grande que a Lusitania Petroleum queria se livrar dela...

BENIN

Porém, Henriques, hoje um operador daquele tipo que manipula dezenas de empresas de fachada, apesar disso, não é um ignorante em petróleo: funcionário por 22 anos da Petrobrás, foi gerente de empreendimentos, chefe da divisão de engenharia, assistente de dois diretores de engenharia, chefe-executivo (CEO) da Petrobrás na Alemanha, e, durante seis anos, diretor da BR Distribuidora, segunda companhia do grupo Petrobrás e segunda empresa do país em faturamento.

Exatamente por isso, era impossível que não soubesse que Benin é um país onde o petróleo está quase esgotado – hoje, 40% do PIB do país é devido à produção de algodão e o resto vem do cacau, milho, feijão, arroz, amendoim, caju, abacaxi, mandioca e alguns produtos artesanais.

Mas, disse João Henrique à PF, sua crença no petróleo de Benin tinha sólidos fundamentos: "era perto da Nigéria, e a Nigéria era a maior produtora de óleo da costa da África. Eu peguei, e contratei, e o custo foi meu, geólogos que eu conhecia. Eles avaliaram e falaram que a área era ótima".

O operador não esclareceu como os geólogos seus "conhecidos" avaliaram uma área que está a uns 200 metros debaixo da água do mar, sem os recursos de alguma empresa ou instituição especializada.

"Combinei com Idalecio que ganharia um sucess fee (taxa de sucesso). Se a gente conseguisse vender a gente dividiria os lucros. Vendemos esta área para a Petrobrás e a Petrobrás pagou pela área em torno de US$ 15 milhões".

Como a Petrobrás pagou US$ 15 milhões por uma área de pesca (se é que ela serve para isso)?

Pagou porque o diretor internacional era Jorge Zelada, doido para arranjar negócios que propiciassem – como dizem os bicheiros – uma "estia", ou seja, uma propina.

Mas não coloquemos em Zelada a culpa além da que lhe é devida. Quem mandava em Zelada?

Uma boa síntese é a seguinte:

"... João Augusto [Henriques] era o nome favorito do PMDB para assumir a diretoria na Petrobras que Lula prometera aos deputados do partido, em janeiro de 2008. Seu nome, porém, foi barrado na Casa Civil: João Augusto fora condenado pelo Tribunal de Contas da União a pagar uma multa de R$ 500 mil, em virtude de irregularidades cometidas quando era diretor da BR Distribuidora. O deputado Fernando Diniz, que comandava a bancada do PMDB de Minas, comunicou-lhe o óbice. E pediu um nome alternativo. João Augusto indicou um de seus melhores amigos na empresa, o engenheiro Zelada, que trabalhava com um dos diretores petistas da estatal. Ao nomear Zelada, João Augusto se tornou, segundo deputados e lobistas, o diretor ‘de fato’ da área internacional. ‘A função do Zelada era obedecer às ordens de João Augusto’, diz um lobista do PMDB" (Época, 12/08/2013; o importante neste artigo, desmentido pelo governo e por todos os citados, inclusive João Henriques - que foi a fonte dos jornalistas - é que a Petrobrás, através de auditoria interna, confirmou as informações nele contidas).

Mas, em 2009, o deputado Fernando Diniz, que sustentava João Henriques e Zelada, morreu.

Nesse momento, Eduardo Cunha passou a ser o sustentador de Zelada. Assim, de 2009 até 2012, Cunha tornou-se o mandachuva da Diretoria Internacional.

A PROPINA

Por isso, o campo em Benin foi apenas um episódio em sua carreira. Vejamos alguns fatos:

"... Eduardo Cunha solicitou e aceitou vantagem indevida no montante aproximado de US$ 15.000.000,00 (quinze milhões de dólares) de Júlio Camargo, representante da Samsung, em razão da contratação pela Petrobrás da construção do navio-sonda PETROBRAS 10000.

"... Eduardo Cunha solicitou e aceitou vantagem indevida no montante aproximado de US$ 25.000.000,00 (vinte e cinco milhões de dólares) de Júlio Camargo, da Samsung, por conta da construção do navio-sonda VITORIA 10000.

Júlio Camargo e Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, relataram que Eduardo Cunha recebeu US$ 5 milhões em propinas, em 2006.

Quando a Samsung e o grupo Mitsui atrasaram alguns pagamentos, "Eduardo Cunha passou a pressionar Júlio Camargo pelo retorno do pagamento das propinas. Para tanto, se valeu de dois requerimentos perante a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados (CFFC), solicitando informações sobre Júlio Camargo, Samsung e o grupo Mitsui. Os requerimentos foram feitos em julho de 2011 pela então deputada Solange Almeida, a pedido de Eduardo Cunha, (…) com desvio de finalidade e abuso da prerrogativa de fiscalização inerente ao mandato popular, para obtenção de vantagem indevida. Um dos requerimentos solicitava informações ao Tribunal de Contas da União, enquanto o outro as solicitava ao Ministério de Minas e Energia. (…) após reunião pessoal entre Fernando Soares, Júlio Camargo e Eduardo Cunha, ocorrida no Rio de Janeiro, em 18 de setembro de 2011, os pagamentos voltaram. O valor restante — cerca de dez milhões de dólares — foi pago por meio de pagamentos no exterior, entregas em dinheiro em espécie, simulação de contratos de consultoria, com emissão de notas frias, e transferências para igreja vinculada ao denunciado Eduardo Cunha, sob a falsa alegação de que se tratava de doações religiosas".

O texto do requerimento assinado por Solange Almeida foi escrito em um computador do gabinete de Eduardo Cunha.

Alberto Yousseff relatou que Fernando Soares ("Fernando Baiano") operava para Eduardo Cunha, o que foi essencialmente confirmado pelo próprio Fernando Soares.

O depoimento de Júlio de Camargo, lobista da Mitsui, Samsung e Toyo, sobre o pagamento de propina a Cunha, foi também inteiramente confirmado pelo depoimento de Fernando Soares.

E, leitores, por hoje basta.

CARLOS LOPES


Capa
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