Desemprego e arrocho é para o bem dos trabalhadores, diz Dilma na Cut

E quem reclama do caos dessa política é golpista, disseminador do ódio e da intolerância, disse ela

O que Dilma Rousseff disse nos últimos dias, tanto no congresso da CUT, quanto em solenidade no interior de São Paulo, sobre os objetivos de sua política econômica, ignorando o caos provocado por ela na vida dos trabalhadores, com milhões de desempregados, beira ao deboche. Para ela, os juros altos, o arrocho, os cortes e a recessão - as projeções são de que o PIB do Brasil vai encolher 3% esse ano - são medidas tomadas por ela (pasmem) para o país "crescer".

Dilma pensa que pode seguir enganando as pessoas impunemente. Tanto ela como seu governo, além da direção da CUT e outros dilmistas, estão demonstrando que subestimam o tamanho e a força da ira popular que toma conta do país contra essa política.

Já no primeiro mandato, Dilma derrubou a produção do país que crescia a 7,5%. A média do PIB (Produto Interno Bruto) sob a gestão da Sra. Rousseff desabou para 2,2%, taxa menor até que a de FHC, que foi de 2,5%. Apesar do desastre, Dilma insistiu em manter os juros mais altos do mundo por longo tempo. O país continuou ladeira abaixo e a arrecadação desabou. Os juros altos e os subsídios bilionários às multinacionais foram mantidos e o resultado não podia ser outro. Um rombo bilionário se instalou nas contas públicas e agora ela quer jogar a ‘solução" nas costas do povo. E tudo isso, segundo ela, para que o país cresça.

As "pedaladas" e as fraudes nas contas em 2014 esconderam a gravidade da crise. Mas, foi só ela tomar posse para o segundo mandato e a farsa veio à tona. Com o rombo escancarado, tiveram início os ataques aos direitos dos trabalhadores. Cortes no seguro desemprego, no abono salarial, no auxílio doença, na pensão por morte, no seguro defeso, etc. As taxas de juros subiram seis vezes desde a sua posse. Era a garantia de Dilma à Bolsa Banqueiro. Calcula-se que neste ano de 2015, fruto dessa política, o setor público irá pagar R$ 500 bilhões só de juros aos banqueiros. E os cortes no orçamento para garantir isso não pararam. O primeiro corte foi de R$ 80 bilhões no orçamento. A saúde, a educação, o FIES, o Pronatec, os programas sociais, todos eles, foram violentamente tesourados. Agora, para piorar, além dos cortes, ela quer aumentar os impostos e impor congelamento de salários.

Mas Dilma, sem a menor cerimônia, diz, como fez no congresso da CUT, que tudo isso "está sendo feito para o Brasil crescer". "E aí, adotamos várias medidas para garantir o reequilíbrio fiscal, reduzir a inflação e restaurar a confiança na economia". As "medidas" a que ela se referiu foram as citadas acima. Elevação de juros, cortes de investimentos, cortes de programas sociais, de direitos dos trabalhadores, elevação de impostos. O resultado de suas medidas não para de desmentir a conversa fiada da presidente. Todos os órgãos responsáveis pelos estudos da economia apontam uma queda cada vez maior no PIB e do emprego.

COMANDANTE

A crise é tão grave que até o Comandante do Exército, General Eduardo Villas Boas, alertou na última sexta-feira (9) para o risco de uma crise social no país. "Estamos vivendo situação extremamente difícil, crítica, uma crise de natureza política, econômica, ética muito séria e com preocupação que, se ela prosseguir, poderá se transformar numa crise social com efeitos negativos sobre a estabilidade". "E aí, nesse contexto, nós nos preocupamos, porque passa a nos dizer respeito diretamente", disse o general.

As declarações do Comandante foram dadas numa videoconferência na sexta-feira (9) para 2.000 oficiais temporários da reserva (R2), que se prepararam durante o serviço militar, mas não seguiram carreira. O evento foi transmitido para oito comandos pelo país. O general Villas Bôas disse não ver uma crise institucional, destacando que elas estão funcionando e citou como exemplo a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) que reprovou as contas de 2014 da gestão dilmista. "Dispensa a sociedade de ser tutelada. Não são necessários atalhos nos caminhos para chegar ao bom termo". O jornal "Folha de S. Paulo" questionou depois o significado de eventual crise social dizer respeito ao Exército. Em nota, a instituição citou o artigo da Constituição em que diz que as Forças Armadas "destinam-se à defesa da pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem", sob autoridade presidencial. "Foi com o pensamento de legalidade, de estabilidade e de legitimidade que o comandante do Exército se referiu", diz a nota.

REALIDADE

E, apesar da gravidade da crise, as mentiras da Dilma não param. "Vocês sabem que nós hoje vivemos um momento de dificuldade. Um momento de transição, um momento em que as escolhas que faremos vão condicionar o nosso futuro. Momentos de dificuldades e de crise são muito dolorosos para serem desperdiçados". O que ela quis dizer com "desperdiçar" ninguém sabe. Só se sabe que o "ajuste neoliberal" que está sendo posto em prática por seu governo está desperdiçando todo o esforço feito pelo país nos últimos anos. O Brasil está entrando na maior recessão de sua história e, apesar disso, vejam o que ela fala sobre isso na CUT. "Nos quatro anos do meu governo, nós usamos de todos os instrumentos possíveis para continuar gerando emprego e renda". Nos 4 anos de seu governo ela usou de todos os instrumentos possíveis para derrubar ano a ano um crescimento do PIB que foi de 7,5% em 2010 para taxas medíocres, com seus juros altos e cortes no orçamento.

Não satisfeita em tentar enrolar os trabalhadores com sua farsa, ela garante que, apesar de desempregar milhões de trabalhadores (cerca de 500 mil em 2015, segundo o CAGED), seu governo estaria preservando direitos. Veja o que Dilma falou aos sindicalistas da CUT. "Apesar das fortes reduções de despesas que o governo fez, nós fizemos questão de preservar as políticas que nós consideramos ser o centro, o espírito e a alma do nosso projeto e do nosso governo. Além de preservar o que conquistamos, garantir direitos, oportunidades alcançados, nosso compromisso é fazer a transição para um novo ciclo de desenvolvimento em que todos os avanços e novas conquistas se transformem em realidade". Nada mais longe da triste realidade vivida pelos trabalhadores e pelo país.

Como se falasse ao vento, depois de todo o seu desastre, Dilma afirmou que "nós estamos governando para vencer a crise. Estamos governando para continuar gerando oportunidades iguais para todos". A única "igualdade" e o único "direito" que Dilma está garantindo neste momento é de desemprego igual para todos. "Vamos garantir que o país vai dar oportunidades iguais para seus filhos", disse, debochando do país e do povo.

Dilma tentou dizer que não está parada. É verdade, ela não para de tomar medidas para arrochar a população para garantir recursos para os banqueiros. "Dizem que nós não estamos fazendo nada. Não é verdade. Mesmo nesse ano, em que cortamos despesas e enfrentamos dificuldades, é importante aqui falar alguns números que mostram que nós continuamos, sistematicamente, perseguindo aquilo que é o nosso compromisso básico", disse ela. E aí saiu repetindo a sua conversa mole do Pronatec, o Minha Casa Minha Vida, o Mais Médicos. Todos programas tesourados pelo ajuste "Dilma/Levy". Disse também que criou "a política de proteção ao emprego, para diminuir o impacto da crise sobre os trabalhadores". Só que esse programa nada mais é do que permitir que os monopólios, principalmente estrangeiros, reduzam a jornada e os salários duramente conquistados.

Para concluir, ela criticou os que lutam contra sua desastrosa política econômica. "Nessa política de quanto pior melhor, não há nenhum comedimento, nenhum limite, nenhum pudor. Envenenam a população todos os dias nas redes sociais e na mídia. E pior é que espalham o ódio, espalham a intolerância". Só que quem está disseminando o ódio e a desesperança é ela com sua política de submissão aos bancos e monopólios estrangeiros. O que dizer de uma política que transforma o governo num balcão de negócios, distribuindo ministérios e cargos para comprar o parlamento, para aprovar as suas medidas o seu arrocho? Isso não é outra coisa senão, apostar no quanto pior, pior. Uma insanidade, que a população não deixará impune, sem precisar de ninguém para disseminar nada nas redes sociais ou qualquer outro lugar. Sim, porque o povo não é burro, como acha a presidenta e seu séquito palaciano.

SÉRGIO CRUZ

 


Capa
Página 2
  Página 3

Desemprego e arrocho é para o bem dos trabalhadores, diz Dilma na Cut

Deputados petistas divergem do governo e assinam o pedido de cassação do presidente da Câmara

A ilibada Sra. Rousseff e o roubo ao Brasil

Ministros do STF barram a manobra de E. Cunha

Governo dá cargo ao presidente do Conselho de Ética da Câmara para Cunha segurar impeachment

Para PSB, governo Dilma é conservador e antipopular

Página 4 Página 5

Petroleiros são feridos em ato contra desmonte da Petrobrás

Após uma semana de greve, bancos mantêm proposta de arrocho salarial

Metalúrgicos de SP iniciam campanha: “crise é fruto do desemprego, inflação e juro alto”

Sindicato dos Médicos vai à Justiça para barrar demissões na Santa Casa de São Paulo

TRT mantém liminar que impede demissões no Ecoporto Santos

LG afasta mais 573 trabalhadores em Taubaté

Operários do “Minha Casa, Minha Vida” param obra no Mato Grosso contra atraso no pagamento de salários

ESPORTES

Página 6

Chacinas de Israel provocam sublevação do povo palestino

Produção fabril argentina cresce 4,7%

Marcha contra submissão a cartéis dos EUA percorre a Europa

Não haverá paz até que a ocupação de Israel na Palestina tenha fim

Página 7

Rússia pede à entidade mundial de aviação que investigue o MH17

Forças legais da Síria libertam 6 cidades em ação coordenada com aviação russa

Presidente da Comissão Europeia: “não podemos ter nossa relação com a Rússia ditada por Washington”

Produção industrial da zona do euro caiu 0,5% em agosto frente a julho

Moscou critica Washington por não integrar-se no combate ao EI na Síria

A pergunta que Obama não quer ouvir: como aquelas Toyotas todas foram parar nas mãos do ISIS?

 

 

 

Página 8

Os sucessos da Bolívia independente e os fracassos neoliberais no Chile e México (2)

Publicidade