Pizza: CPI da Petrobrás chega ao fim com licença geral para roubar

Acordão da infâmia envolveu PT, PMDB e PSDB

Em seu voto, na "CPI da Petrobras", o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) fez uma observação pertinente sobre o contrato fechado pelo presidente da CPI, Hugo Mota (PMDB-PB), com a Kroll, agência de detetives norte-americana mais conhecida pelas tortuosas origens que pela competência:

"Não restam dúvidas de que a Kroll foi contratada com objetivo principal de derrubar as delações premiadas dos réus da Lava-Jato, inclusive do Sr. Júlio Camargo, que sempre apontou denúncias contra o presidente Eduardo Cunha. Assim, o contrato da Kroll serviu exclusivamente para investigação particular com dinheiro público. E pela seleção de pessoas investigadas, fica clara a intenção da CPI obedecer aos interesses do presidente Eduardo Cunha".

A CPI gastou com a Kroll R$ 1 milhão e 180 mil reais dos contribuintes – isto é, do povo.

As pessoas investigadas foram 12, todas elas já com culpa provada e comprovada no assalto à Petrobrás, onze delas autoras de confissões que são públicas, todas já investigadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público – e todas, inclusive, já residindo na cadeia.

Por que contratar a Kroll para investigar essas pessoas, senão para tentar derrubar os seus depoimentos, em especial aqueles contra o deputado Cunha?

O deputado Ivan Valente, ao se referir ao contrato com a Kroll, estava denunciando o conluio entre PT, PMDB e PSDB para livrar o deputado Eduardo Cunha, e outros políticos com mandato, do indiciamento por receber propina nos roubos à Petrobrás. No caso de Cunha, até as contas na Suíça já foram reveladas, assim como o caminho do dinheiro.

No entanto, o jogo do Planalto – como até um órgão dilmista, algo retardado, anunciou na quinta-feira – é sustentar Cunha na presidência da Câmara. Em troca, o soba da Barra da Tijuca sustentaria Dilma no Planalto. Tudo em nome da moral, do combate à corrupção e do amor ao povo brasileiro. E sempre um dizendo que não suporta o outro, como se eles não fossem quase a imagem especular do outro.

Por isso, a CPI resolveu inocentar por antecipação os políticos e proibir a sua convocação.

Mas houve uma exceção: justamente Cunha, exibido e sem limites como sempre. No dia 12 de março deste ano, ele declarou, perante à CPI da Petrobrás: "Não tenho qualquer tipo de conta em qualquer lugar que não seja a conta que está declarada no meu imposto de renda". Havia, em sua declaração, uma única conta, no Banco Itaú.

Seis meses depois, já foram descobertas quatro contas de Eduardo Cunha na Suíça. Sem mais rodeios: ele mentiu – portanto, faltou com o decoro – diante da CPI. De nada valeu a bajulação assanhada, durante a fraude em forma de depoimento de Cunha, dos deputados petistas Luiz Sérgio e Sibá Machado, e, também, do líder do DEM, deputado Mendonça Filho, e do líder da minoria, o tucano Bruno Araújo.

Em seis meses as contas de Cunha na Suíça foram descobertas. Em menos tempo, a Kroll fracassou em derrubar os depoimentos colhidos na Lava Jato - segundo disse o próprio presidente da CPI, Hugo Motta. No entanto, acrescentou: "não acredito que tenha sido trabalho perdido porque lá tem indícios".

Indícios de quê? Não se sabe, pois o presidente da Câmara – ou seja, Eduardo Cunha - estabeleceu que o relatório da Kroll é sigiloso até o ano 2020.

Não há, na história do parlamento brasileiro, algo mais avacalhado que essa "CPI da Petrobras", que teve como presidente um cunhista, Hugo Motta, e como relator um dilmista, Luiz Sérgio. Perto dessa CPI, um escândalo por si só, a famosa "CPI do fim do mundo" foi até respeitável.

Em síntese, os suspeitos estavam, supostamente, investigando os seus delitos – ou de seu círculo.

Vejamos o deputado Motta, que gastou R$ 1,180 milhão com a Kroll: ele tem uma marketeira contratada, Danielle Dytz da Cunha Doctorovich, que vem a ser filha do deputado Eduardo Cunha, o que enfiou dinheiro desviado da Petrobrás em contas na Suíça. A mesma Danielle Cunha é detentora de um cartão de uma conta secreta (ou ex-secreta) na Suíça, a "conta Kopek", cuja titular é a atual mulher de Cunha, Cláudia Cruz (v. Nota da Procuradoria-Geral da República, 16/10/2015).

Além disso, 61,24% da campanha de Motta foi paga por duas empresas do cartel que assaltava a Petrobrás: Andrade Gutierrez (R$ 254.572,80 ou 34,30% da receita) e Odebrecht (R$ 200.000,00 ou 26,94% da arrecadação de Motta).

E nem comentaremos as fotos onde esse deputado pela Paraíba aparece, com a camisa do Flamengo, ao lado de Cunha, supostamente torcendo pelo Mais Querido.

Agora, vejamos o deputado Luiz Sérgio, do PT do Rio, um sujeito que parece anular a própria personalidade para melhor servir – e não diremos a quem, pois essa é a parte de que temos dúvidas. As empresas que pilhavam a Petrobrás foram, longe, as maiores contribuintes da sua campanha. Sem o dinheiro delas, sua campanha nem existiria (v. HP 21/10/2015).

Se esses fatos sugerem uma depravação daquelas que é difícil encontrar em qualquer bordel, somos obrigados a avisar que é apenas uma pequena amostra.

O relatório do deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), que a "CPI da Petrobras" votou na madrugada de quinta-feira – e aprovou por 17 votos a nove - tem 754 páginas, que nenhum dos deputados que o aprovou leu, até porque foi confeccionado para não ser lido. Diante do assalto mais escandaloso que já houve à nossa principal empresa, há páginas e páginas e páginas sobre a CPI de 1955, ou seja, há 60 anos, e mais outras investigações do passado - o que, para o caso de hoje, não tem a menor importância.

Por pouco o relatório não recua até o Pithecanthropus Erectus ou ao que Zoroastro deve ter escrito sobre a Petrobrás no Zend Avesta – não importa que a Petrobrás não existisse na época do Pithecanthropus ou na de Zoroastro – para mostrar (?) que a corrupção de hoje não existe porque a do passado não existia. O objetivo, evidentemente, não é esclarecer coisa alguma, e sim confundir alfaces com melancias para acobertar os ladrões da sua e de outras quadrilhas.

Realmente, no passado não havia corrupção na Petrobrás. Foi preciso aparecer o PT, o PMDB e o PP para que a Petrobrás fosse arrastada pelo meio-fio das ruas. Há 60 anos, nem a quadrilha cartelizada das empreiteiras nem as quadrilhas de punguistas políticos existiam – nem o governo, malgrado as suas dificuldades, se dedicava a cultivar uma cepa de micróbios para atacar a Petrobrás.

Vamos ser sucintos: esse relatório é coisa de bandidos. Seu objetivo é abafar o que a Operação Lava Jato já revelou, numa tentativa de desmoralizar a Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça, exatamente porque estão cumprindo o seu dever. Tudo para manter o pixuleco do PT & associados, mas à custa de escrever a marca da infâmia – a palavra "ladrão" - na própria testa.

Quanto à oposição tucana e seu entorno, quando livra Cunha do longo braço da Lei e da Justiça, mostra apenas que não é séria a sua declarada pretensão de derrubar Dilma. É verdade que estão livrando – ou acham isso – também ao senador Agripino do justo castigo por seus delitos. Mas ao preço de ser passada na mesma caçarola que os governistas. Que seja!

 

CARLOS LOPES


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