Bumlai admite que articulou reunião de Ferraz com Lula

E que recebeu R$ 1,5 mi de lobista, que diz ser empréstimo

O sr. José Carlos Bumlai admitiu que armou – com Fernando Soares, cognominado "Baiano" - uma reunião do ex-presidente Lula com o então presidente da Sete Brasil, João Carlos Ferraz.

Mas, disse Bumlai, "eu não sou homem de mentir". Por isso, negou que tivesse recebido R$ 2 milhões de Fernando Soares, vulgo Baiano, pela organização dessa reunião com Lula. Negou, também, que a reunião fosse uma tentativa, como testemunhou Soares, de enfiar a falida OSX, de Eike Batista, no cartel, organizado na Sete Brasil, para construir e intermediar sondas petrolíferas para a Petrobrás – com dinheiro da própria Petrobrás, do FGTS e do BNDES.

As negativas de Bumlai possuem a virtude – ou o defeito, dependendo do ponto de vista - de confirmar o que ele nega.

"Não, disse Bumlai, não recebi R$ 2 milhões. Só recebi R$ 1,5 milhão, nem mais nem menos".

Por coincidência, Soares, em seu depoimento, falara que "o valor pago não foi o valor exato de R$ 2 milhões, tendo sido provavelmente uma quantia um pouco menor" (MPF, Termo de Declarações N° 15 de Fernando Antonio Falcão Soares, p. 7, 16/09/2015).

Mas foi um empréstimo, disse Bumlai, não um pagamento por seu lobby junto a Lula. Segundo disse, precisava do dinheiro porque os salários de seus funcionários estavam atrasados, então, pediu a Fernando "Baiano" (que, por sinal, é alagoano).

Funcionários de qual empresa de Bumlai? Nenhuma.

"Esses recursos foram utilizados para pagamentos da folha de pagamento e de outras despesas relacionadas à atividade rural da pessoa física José Carlos Bumlai".

Por que Bumlai fez essa declaração?

Acontece que, nos extratos bancários, o depósito de R$ 1,5 milhão foi realizado, tal como disse Soares, na conta de uma empresa de nome "São Fernando". Mas, em seguida, essa quantia foi transferida para duas contas pessoais de Bumlai.

O movimento é o oposto do que deveria ser no caso comum do pagamento de funcionários: da conta da empresa, o dinheiro foi para contas pessoais de Bumlai. Mas, disse ele, os salários que necessitava pagar eram de empregados da "pessoa física" José Carlos Bumlai...

Mas, por que Fernando Soares "emprestaria" R$ 1,5 milhão a Bumlai? E por que Bumlai, com seu círculo de relações, amigo do ex-presidente, etc., pediu dinheiro a um notório intermediador de propinas, de quem, diz, não era íntimo? Foi motivado por seu poderoso espírito caritativo que Soares passou R$ 1,5 milhão para Bumlai, sem nenhuma garantia?

Expomos aos nossos leitores as duas versões – e, certamente, o leitor saberá tirar suas conclusões. Na próxima edição, pretendemos expor mais longamente o depoimento de Fernando Soares ao Ministério Público. Eis um resumo do que há de mais importante nesta questão. Diz Fernando "Baiano":

"... em 2011, o depoente tinha contratos com o grupo empresarial de Eike Batista; em uma das conversas que teve com o pessoal da OSX, foi informado sobre uma tomada de preços para construção de navios sondas que a Sete Brasil iria fazer para posterior arrendamento à Petrobrás; o pessoal da OSX disse ao depoente que considerava muito estranha a forma como tinha sido conduzida essa tomada de preços, porque a (…) Sete Brasil/Petrobrás teria deixado a OSX fora da licitação, permanecendo no certame outras empresas que não teriam nem projetos de construção de estaleiros; o depoente se disponibilizou a fazer contatos e verificar se poderia ajudar;

"... o depoente então procurou José Carlos Bumlai e combinaram de tocar o negócio; Bumlai disse que iria conversar ‘com as pessoas’;

"... ainda em 2011, o depoente comentou com Bumlai que achava que estavam existindo empecilhos ao fechamento do negócio [da OSX com a Sete Brasil];

"... Bumlai ficou de acertar uma reunião entre João Carlos Ferraz [presidente da Sete Brasil] e o ex-Presidente Lula; essa reunião foi realizada em São Paulo, no final do primeiro semestre de 2011;

"... antes dessa reunião, o depoente se encontrou com João Carlos Ferraz e Bumlai em um restaurante italiano, (…) o Restaurante Tatini, na Rua Batatais, nº 558;

"... na ocasião, o depoente apresentou José Carlos Ferraz a Bumlai; Bumlai orientou José Carlos Ferraz sobre o que falar a Lula; depois José Carlos Ferraz e Bumlai foram para a reunião com Lula; essa reunião ocorreu no Instituto Lula".

Segundo disseram Ferraz e Bumlai, a reunião com Lula foi excelente e o ex-presidente "teria assumido o compromisso de ajudar a dar mais velocidade nos assuntos da Sete Brasil".

Pouco tempo depois, "Bumlai indagou ao depoente sobre a possibilidade de ser obtido um adiantamento da parte na comissão que seria paga pela OSX; (…) Bumlai disse que estava sendo cobrado por uma nora do ex-Presidente Lula para pagar uma dívida ou uma parcela de um imóvel; o valor pago não foi o valor exato de R$ 2 milhões de reais, tendo sido provavelmente uma quantia um pouco menor;

Obviamente, a OSX estava falida. Por isso, " a contratação da OSX para construção dos navios-sonda da Sete Brasil acabou não ocorrendo", mas "Bumlai não devolveu ao depoente o valor adiantado".

Não temos a menor certeza se Bumlai não utilizou a história da nora de Lula como "argumento de venda" - ou seja, uma história falsa para pressionar Soares a soltar o dinheiro. Pode ser – como pode ser que a história seja verdadeira. As investigações deverão esclarecer os fatos.

Vejamos agora a versão de Bumlai:

"Conversando com ele (Baiano) eu falei ‘olha, o Ferraz está marcando uma audiência lá com o presidente Lula, o João Carlos Ferraz’. Eu vou fechar com ele aqui, diz que se marcar eu te aviso. Marcou, aí fomos almoçar. Almocei com ele no restaurante Tatini, ele me apresentou o Ferraz nesse momento. Eu não conhecia o Ferraz(…). Eu disse, ‘olha, não entendo nada disso, vou até dar uma recomendação. Vai conversar com o presidente, seja sucinto e coloca o teu problema rápido porque é um entra e sai que…’.

"Terminado o almoço, o Baiano foi embora. Eu levei o Ferraz lá no Instituto, apresentei o Ferraz. Ele não conhecia o presidente. Eu fiquei olhando um livro do Corinthians e saí. Tinha uma outra pessoa na sala, eu não lembro quem era, acho que era o (Paulo) Okamoto (presidente do Instituto Lula). Fiquei lá, conversando, quando terminou não sei se foi mais de 30 ou 40 minutos, não me lembro também, mas acho que dei carona para ele até o aeroporto. Eu não conversei, fiquei sabendo depois do negócio da indústria naval, sondas, OSX. Eu não falei".

O que há de diferente, em relação ao depoimento de Soares? Nada. Exceto que, na versão de Bumlai, ele, Ferraz (aquele que confessou ter recebido uma propina de US$ 2 milhões dos estaleiros contratados pela Sete Brasil) e Fernando Soares só estavam interessados no progresso do país. Por isso, armaram o encontro com Lula. Bumlai não ouviu sobre sondas (apesar de ser a única coisa que o presidente da Sete Brasil podia falar com o ex-presidente, embora não sobre aspectos técnicos). Nem da OSX, que queria ser incluída no cartel da Sete Brasil.

Segundo Bumlai, o negócio que ele e Soares tinham com a OSX, um estaleiro, era a venda de "um projeto termelétrico meu".

 

CARLOS LOPES


Capa
Página 2
  Página 3

Bumlai admite que articulou reunião de Ferraz com Lula

Ex-candidatos a presidente colhem frutos da caótica gestão de Dilma, mostra Ibope

Filho de Lula é alvo da Polícia Federal na quarta fase da Operação Zelotes

Zavascki quer devolução de parte do dinheiro depositado nas contas de Cunha na Suíça

Presos da Operação Lava Jato vieram de governos anteriores, afirma Dilma

Jarbas: Dilma não tem credibilidade e Eduardo Cunha é um debochado

Página 4 Página 5

Petroleiros em greve bloqueiam via e intensificam mobilização

Bancários conquistam reposição da inflação e encerram greve nacional

Milhares de desempregados fazem fila no centro de São Paulo para disputar 50 vagas

“Governo não se cansa de desviar dinheiro para pagar juros”, denuncia Cobap contra reforma na Previdência

Adesão a fundo de previdência complementar será obrigatória

ESPORTES

CARTAS

Página 6

Alemanha e governos balcânicos elevam repressão aos refugiados

Sauditas a serviço dos EUA atacam hospital dirigido pelos Médicos Sem Fronteiras no Nordeste do Iêmen

Argentina: Scioli disputará segundo turno com Macri que defende acordo com fundos abutres

Eleições na Colômbia: uribistas derrotados por todo o país incluindo Bogotá e Medellín

“Terror de Estado no Paraguai visa manter ordem oligárquica”

África do Sul: greve estudantil leva o governo a recuar de aumento nas universidades

  Página 7

Rússia destrói 285 alvos do ISIS e Síria liberta 5 áreas de Alepo

Lavrov: Egito e Irã devem participar das conversações para a paz na Síria

Nova Iorque: Tarantino participa de protestos em repúdio a assassinatos de negros pela polícia

Rússia: “Syrian American Medical tem tanto a ver com medicina quanto o ISIS com os escoteiros”

Carter: “é impossível solução política na Síria sem Al Assad”

Neonazis trocam estátua de Lênin por uma de Darth Vader

Página 8

“Reestruturação” de Alckmin quer fechar 94 escolas públicas

As contas externas continuam na corda bamba e o governo atirando o país abaixo

O povo sempre volta