Banco de André Esteves cresceu 604% com o PT

Presidenta diz que não o conhece, mas ele patrocinou ‘road show’ do governo petista

O BTG Pactual, banco do sr. André Esteves - no momento hospedado na penitenciária de Bangu -, desde a sua constituição, em 2009, cresceu +604,45% em ativos, isto é, em propriedades, em patrimônio bruto (sem descontar as dívidas e outras obrigações).

No mesmo período (2009-2014), os ativos do Itaú cresceram +90,89% e o do Bradesco cresceu +98,80% - o que já é um tremendo crescimento, sobretudo considerando que, no mesmo período, o PIB do país cresceu pouco mais de 17%.

Em patrimônio líquido (ou seja, descontando dos bens as dívidas e outras obrigações), o BTG Pactual cresceu +352,42%, também entre 2009 e 2014.

O Itaú e o Bradesco, no mesmo período, tiveram o seu patrimônio líquido acrescido de +99,80% e +94,64%, respectivamente.

Quanto ao lucro líquido (o lucro depois do pagamento de todos os custos e despesas, ou seja, como dinheiro livre de quaisquer ônus) o do BTG Pactual cresceu +202,51%, de 2009 a 2014.

O lucro líquido do Itaú cresceu +99,80%, no mesmo período, e o lucro líquido do Bradesco cresceu 94,93%.

Todos esses dados podem ser conferidos no resumo dos 50 maiores bancos, publicado pelo Banco Central (BC).

Estamos falando de bancos, setor estupidamente rentável no Brasil. Mas o sr. Esteves bateu a rentabilidade de qualquer de seus confrades – e por muito.

Como é que o sr. André Esteves conseguiu, em cinco anos, um crescimento, para o BTG Pactual, seis vezes maior que aquele do Itaú e do Bradesco em ativos; três vezes e meia maior em patrimônio líquido; e duas vezes maior em lucro líquido, que os dois bancos privados mais importantes do país?

Até o último dia 25, toda a mídia, todos os neoliberais (inclusive o PT e o PSDB), todos os colaboracionistas, incluindo Dilma, atribuíam tal fenômeno ao gênio financeiro do sr. André Esteves.

Coisa estranha para alguém que, como conferencista, só conseguia expelir ideias – aliás, pedaços de ideias plagiadas - de uma mediocridade abissal, cinzenta e paulificante.

É verdade que, no neoliberalismo, só há gênios. A começar pelos senhores Joaquim Levy ou Maílson da Nóbrega. Não é assim que eles são tratados, não somente pela mídia, mas até pelos meios políticos que estão agora a ser varridos da vida nacional?

Por isso, não é de deixar ninguém perplexo que Esteves fosse o banqueiro favorito do PT – ou de sua ala mais deteriorada, que é também a dominante.

Ao que ele retribuía com discursos incensando Dilma e seu governo, como aquele que fez no primeiro "road show" para as privatizações através de concessões, em que o governo pretendia obter "investimentos" de US$ 235 bilhões, concedendo rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, usinas elétricas e campos de óleo e gás (cf. Guido Mantega, The Brazilian Economy and Investment Opportunities).

No primeiro "road show" da privatização, Esteves e Mantega foram os apresentadores da posição do governo Dilma. Aliás, os financistas e negocistas que compareceram, foram, todos, convidados por Esteves. Se Mantega fizesse o convite é pouco provável que, em fevereiro de 2013, aparecesse alguém.

Da mesma forma, segundo foi anunciado, Esteves faria (talvez tenha feito) apresentações semelhantes, para o governo, em outros países: "Mantega, Esteves e uma equipe de tecnocratas do governo (…) irão promover vendas em logística, geração e transmissão, e petróleo e gás em Londres, Nova Iorque e potencialmente em Tóquio e Singapura, nas próximas semanas" (cf. Reese Ewing, Brazil launches road show to shop infrastructure projects, Reuters, 05/02/2013).

Em troca disso e de outras coisas – inclusive das doações eleitorais, pois o BTG foi o banco que mais contribuiu para a campanha de Dilma em 2014 – o PT, quer dizer, o governo, concedeu a ele o domínio da Sete Brasil, uma companhia financeira para intermediar a construção e o aluguel de sondas para a Petrobrás. Reproduzimos aqui um trecho do Relatório da Administração de 2012, da Sete Brasil:

"... a Sete Brasil é uma sociedade anônima de capital fechado especializada em gestão de portfólio de ativos com investimentos voltados para o setor de petróleo e gás na área offshore no Brasil, especialmente aqueles relacionados ao Pré-Sal brasileiro. É a maior empresa do mundo em sondas de águas ultraprofundas (por número de sondas), com 29 sondas de última geração em seu portfólio, e o maior player global de offshore drilling do mundo (por backlog de contratos), com mais de US$ 82 bilhões em recebíveis contratados."

Oitenta e dois bilhões de dólares por algo que a Petrobrás – ou uma subsidiária desta – podia (e devia) fazer, é um negócio da China de antes da revolução. E às custas, outra vez, da Petrobrás, a única cliente da Sete Brasil, mas proibida, pelo estatuto da última, de ter mais que 10% das ações (para mais sobre a Sete Brasil, ver matéria nesta mesma página).

O que era, evidentemente, um caso de privatização da propriedade pública – por que as sondas não poderiam pertencer à Petrobrás, se esta – mais o BNDES e o FGTS – forneceriam o dinheiro para construí-las? O plano inicial da Sete Brasil era ainda mais descarado: passar todos os navios da Petrobrás para a Sete Brasil, o que somente não provocou um escândalo maior porque o mal estar foi suficiente para que o governo voltasse atrás.

Foi também para Esteves que o governo vendeu metade das operações da Petrobras Oil & Gas na África.

Obviamente, se Esteves era o banqueiro favorito do PT, isso não quer dizer que o PT – ou o governo Dilma – fosse o partido ou o governo favoritos de Esteves. O negócio deste era ganhar dinheiro, não importa o otário ou o parceiro que servisse de camelo, contanto que ficasse de quatro.

A Operação Lava Jato começou a desvendar a genialidade de Esteves, ao que parece, alicerçada na arte de pagar propinas. Mas esse poço está longe de ser prospectado até o fim.

O mais engraçado, agora, é alguns petistas, desprovidos de senso de ridículo, afirmarem que Esteves era amigo do PSDB, lembrando uma lua de mel que o banqueiro teria pago para Aécio Neves.

Não duvidamos, porém, o que isso tem a ver com o assunto?

Ninguém jamais acusou Esteves de ser algo, senão o que ele é. Um sujeito obtuso e ganancioso, para quem alguns dólares são mais importantes que qualquer partido, governo ou pátria.

Mas resta o fato de que, à sombra do governo Dilma, seu banco, o BTG Pactual, cresceu mais de 600%, batendo qualquer outro banco dentro do país, interno ou externo, privado ou estatal.

Esse resto, que não é pequeno, as investigações continuarão a revelar.

CARLOS LOPES


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