Sra. Rousseff garante que não fez “nenhum ato ilícito”

Para evitar seu impeachment, bancou o notório Cunha na presidência da Câmara

A sensação ao final da última quarta-feira, da maioria das pessoas, era que a República estava se desfazendo. A economia, sob Dilma e Levy, ia em direção ao abismo sem fim. O governo comemorava a "legalização" das pedaladas através de um buraco nas contas públicas de -R$ 119,9 bilhões – uma diferença de R$ 175,2 bilhões a menos, em relação ao disposto na Lei de Diretrizes Orçamentárias (+R$ 55,3 bilhões).

Na Câmara, o sr. Cunha, nervoso porque, depois do ministro Jaques Wagner lhe garantir os votos do PT no Conselho de Ética, os deputados petistas pareciam refugar o espúrio contubérnio, aceitou a tramitação de um pedido de impeachment. Cunha justificou o ato: "O PT só defende os seus presos, não os adversários".

Pouco depois, a presidenta ocupou cadeia (hum...) nacional para espinafrar Cunha.

Como se dizia antigamente, reina a paz em Varsóvia – desde que os poloneses sejam chacinados.

Talvez não fosse a República que estivesse a se desfazer. A rigor, ela está a caminho da recuperação. O que está desagregando é esse regime político-eleitoral podre, imundo, sem princípios e sem nenhum respeito pelo povo, onde oportunistas sem escrúpulos, nulidades pomposas, ladrões e estelionatários eleitorais se intercambiam, todos em busca de algum pixuleco. A questão é enterrá-lo o mais rápido possível, para que a decomposição do cadáver não empesteie o ar que o Brasil respira.

Enquanto isso, como em conhecido romance, Brasília é "uma infinidade de espelhos".

Que coisa mais parecida com o malfadado Cunha, na quarta-feira, do que a malfadada Dilma, apenas algumas horas depois?

Há pouca gente no país com dúvidas de que o atual presidente da Câmara dos Deputados é um gangster. E, mais, como disse na segunda-feira, dia 30, o deputado Jarbas Vasconcelos, "ele é um psicopata, um doente. Não tem amigos. O psicopata não sabe o que é um alvorecer, um anoitecer. Ele não tem sentimento para isso".

Houve algumas mediocridades na presidência da Câmara. Mas ter um tal elemento, como segundo na linha de sucessão da Presidência da República, jamais acontecera. Só no bravo governo Dilma se conseguiu chegar a esse ponto.

Foi Dilma quem sustentou Cunha, até agora, na presidência da Câmara. E as acusações contra ele derivam, sobretudo, do esquema que o PT montou com outros partidos – basicamente, o PP e o PMDB – para receber o sobejo do assalto à Petrobrás por parte do cartel do bilhão, do qual ela, Dilma, foi a principal beneficiada. Ou será que Vaccari não usou o dinheiro, que amealhava em propinas, na campanha do PT?

Por isso, sua declaração, na TV, de que "não existe nenhum ato ilícito praticado por mim", fede a sofisma, pois o problema também são os atos que ela não praticou – e devia ter praticado. Ou será que ela desconhece que a omissão pode ser tão ilícita quanto a ação?

Dilma foi presidente do Conselho da Petrobrás por quase oito anos, enquanto a nossa maior empresa, aquela que sempre foi orgulho do povo brasileiro, era saqueada por um cartel absolutamente conhecido, e por alguns patifes do seu partido ou de partidos aliados – com efeito direto sobre a sua eleição.

Presidente do Conselho, como não percebeu um superfaturamento que é estimado, pela perícia da Polícia Federal (PF), em R$ 42 bilhões – e, mesmo na conta do TCU, que é menor (R$ 29 bilhões), é imenso?

Não era função da presidente do Conselho da Petrobrás perceber essas coisas?

Quando as obras a cargo do cartel, apesar de sucessivos aditivos, não ficavam prontas, ela também não percebeu nada?

Quando o preço total da Refinaria Abreu e Lima, segundo a senhora Maria das Graças Foster, aumentou 773,91%, ela não notou que havia algo errado?

Disse ela que "não paira contra mim nenhuma suspeita de desvio de dinheiro público. Não possuo conta no exterior, nem ocultei do conhecimento público a existência de bens pessoais. Nunca coagi ou tentei coagir instituições ou pessoas".

Com exceção da última – que é mentira, pois tentou coagir deputados para votarem a favor de Cunha no Conselho de Ética – as outras são coisas de que Cunha está sendo acusado.

Mas, desde quando? Meses. Que providência, como presidente da República, ela tomou?

Por isso, a parte que mais revela quem está no Planalto é a seguinte:

"... a imprensa noticiou que haveria interesse na barganha dos votos de membros da base governista no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Em troca, haveria o arquivamento dos pedidos de impeachment. Eu jamais aceitaria ou concordaria com quaisquer tipos de barganha, muito menos aquelas que atentam contra o livre funcionamento das instituições democráticas do meu País, bloqueiam a Justiça ou ofendam os princípios morais e éticos que devem governar a vida pública."

Uma pessoa capaz de dizer uma mentira dessas, com o rosto sem um enrugamento a mais, é capaz de dizer qualquer coisa.

Nós vimos isso na campanha eleitoral, quando Dilma acusou Marina Silva de pretender fazer tudo o que ela, Dilma, fez logo em seguida, e sem limite.

Há meses a srª presidenta dedica-se a sustentar Cunha, em troca, precisamente, do arquivamento dos pedidos de impeachment. O que tornou-se ainda mais escandaloso no início da semana, quando o Planalto não fez outra coisa senão pressionar deputados do Conselho de Ética para que votassem contra o parecer do deputado Fausto Pinato, que recomenda a abertura do processo de cassação de Cunha.

Como disse o mais planaltino dos deputados do PT no Conselho de Ética, José Geraldo (PT-PA): "Eu defendo a reflexão que devemos votar pelo país, não pelo Cunha. Não acreditamos no Cunha, mas o que pode acontecer no país amanhã pode ser o pior dos mundos".

Em suma, valia tudo, inclusive apoiar um bandido na presidência da Câmara, com provas abundantes de seus delitos a saírem pelo ladrão (uma expressão até adequada), para que Cunha não aceitasse pedidos de impeachment.

Qual a diferença (a diferença objetiva) entre essa falta completa de escrúpulos, de princípios - e de afeto pela verdade - em Dilma ou em Cunha?

CARLOS LOPES


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