PF, STF e TSE: o destino de Dilma, Cunha & outros 

Malfeitores e assaltantes do dinheiro público dão trabalho à Justiça e à Polícia neste final de ano

No momento em que escrevíamos, transcorria a votação sobre o rito do impeachment no STF. Independente do resultado (é evidente que, seja qual for o rito, um impeachment que não afaste Temer, remete o desfecho à mesmice das camarilhas congressuais ou palacianas), a verdade é que a própria discussão é uma espada de Dâmocles sobre o governo. Um governo que suscita a discussão sobre o rito para o processo de impeachment da presidente, é um governo acabado.

Há poucos dias, o TSE recusou por unanimidade o pedido de Dilma para que as contas de sua campanha e a de Temer não sejam analisadas. Há mais que indícios de irregularidades – além das confissões de empresários de que a propina era passada ao PT sob a forma de doações, em que o sr. Vaccari poderia usar o dinheiro que roubava da Petrobrás? Em tudo menos na campanha de Dilma e Temer?

LIMITES

Quanto a Cunha, o procurador Janot, em seu pedido para afastá-lo, disse o que todos pensam: já passou de todos os limites.

Depois de todas as vicissitudes a que submeteu, através de seus prepostos, o Conselho de Ética, mais uma vez derrotado, Cunha anunciou que iria anular o parecer aprovado. Aliás, pior: o que ele anunciou é que o vice-presidente da Câmara iria anular a votação.

Já o vice de Dilma, Michel Temer, depois das batidas da PF na casa de próceres peemedebistas, refugiou-se em São Paulo até o próximo ano. Talvez espere que ninguém o note, por enquanto...

Renan, que era alvo direto da Operação Catilinárias, chamou Temer de "conspirador" - no que tem razão, mas não foi por amor à verdade que revelou sua súbita e original descoberta, e, sim, porque é suficientemente parco de ideias para achar que Dilma pode protegê-lo da polícia. Se fosse por amor à verdade, teria que denunciar também Dilma como conspiradora – ou sua eleição, regada a dinheiro da Petrobrás, acusações falsas e estelionatos por atacado, não foi uma conspiração?

Apesar de ser muito alentador que na PF existam homens cultos que nomearam a atual fase da Lava Jato de "Catilinárias", não nos ocorre comparar um desclassificado como Cunha com o famoso Catilina, que, ao menos, representava alguma coisa na sociedade romana.

Mas a "Primeira Catilinária", de Cícero, é aplicável a Dilma, Temer, Cunha e a um magote de elementos que já foram além do que deveriam em qualquer democracia:

"Até quando abusarás, Catilina, da nossa paciência? Por quanto tempo ainda essa tua loucura zombará de nós? Até que extremos se precipitará a tua audácia sem limite? Nem a guarda do Palatino, nem a ronda noturna da cidade, nem os temores do povo, nem a afluência de todos os homens de bem, nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado, nem o olhar e o aspecto destes senadores, nada disso conseguiu perturbar-te? Não sentes que os teus planos estão à vista de todos? Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem? Quem, dentre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, em que local estiveste, a quem convocaste, que deliberações foram as tuas? Ó tempos, ó costumes! O Senado tem conhecimento destes fatos, o cônsul tem-nos diante dos olhos; todavia, este homem continua vivo! Vivo?! Mais ainda, até no Senado ele aparece, toma parte no conselho de Estado, aponta-nos e marca-nos, com o olhar, um a um, para a chacina".

Às vésperas do Natal e do Ano Novo, festas que sempre foram caras aos brasileiros por seu significado esperançoso, esse bordel político repugna as pessoas normais – aquelas que ganham a vida pelo seu trabalho - e um sentimento sombrio, quanto ao que vem em seguida, toma conta do país.

Na manhã de quinta feira, o IBGE revelou que a "população desocupada", nas seis regiões metropolitanas em que é realizada a Pesquisa Mensal de Emprego, aumentara, em novembro, +53,8% em relação a novembro de 2014.

Isso é apenas a média: em Recife, aumentara +61,6%; em Belo Horizonte, +61,2%; no Rio de Janeiro, +66,5%; em São Paulo, +57,4%; em Porto Alegre, +55,3%; o que puxara a média para baixo fora Salvador (+24%), pela razão que, em novembro de 2014, o desemprego em Salvador já era o maior de todas essas regiões metropolitanas – e continua sendo.

Quanto ao salário real, de janeiro a novembro ele caiu -8,8% no conjunto dos "ocupados".

Mas isso, também, é uma média; entre os empregados sem carteira assinada, o salário real caiu -13,3%; entre os "que trabalharam por conta própria", o rendimento caiu -9,7%; e entre os que conseguiram, ainda, conservar seu emprego com carteira assinada, o salário real caiu -5,7%, um pouco menos que entre os militares e demais funcionários públicos, onde o salário real caiu -5,9%.

Na mesma comparação (novembro 2015/novembro 2014), as falências de empresas aumentaram +20,5%, os pedidos de falência, +34%, as empresas em recuperação judicial aumentaram +50% e os pedidos de recuperação judicial dispararam +164,1% (cf. Boa Vista SCPC, "Falências e Recuperações judiciais", 02/12/2015).

Provavelmente, não é preciso decidir o que é pior: se esse massacre sobre a população - que, se depender de Dilma & cia., nem chegou onde querem que chegue, nem há planos (?) para que termine algum dia – ou o banho de cinismo, pouca vergonha e roubalheira em que estão submergindo o país.

Talvez não seja preciso decidir, pois os criminosos, em ambos os tipos de crimes, são os mesmos.

Realmente, qual a diferença moral entre roubar o salário dos trabalhadores, roubar a Petrobrás ou inventar 100 mil manifestantes onde havia seis ou 10 mil (e com boa vontade)?

Todas são formas despudoradas de roubo. Portanto, temos de nos livrar dessa tralha toda, a começar pelas pulgas que estão na chefia do Planalto, Jaburu, Câmara e Senado.

Não pode ser "normal" que instituições como a Presidência da República, a Vice-presidência, a presidência da Câmara dos Deputados e a presidência do Senado sejam agora apenas casos para a polícia, sem qualquer utilidade social – pelo contrário, são tão antissociais, que migraram das páginas políticas para as páginas policiais dos jornais.

Sinal dos tempos, o japonês da Federal é mais popular que a Presidente da República, cuja impopularidade, aliás, está acima dos 90%, mesmo nas pesquisas dos seus apoiadores.

ILUDIDOS

Somadas as popularidades dos srs. Cunha, Temer e Renan, é provável que o resultado esteja próximo ao índice de aprovação da lepra (aliás, hanseníase) ou do vírus Zika, apenas com uma diferença: ninguém acha que os atingidos por esses males deve ir para a cadeia.

Por algum acaso, leitor, você já ouviu falar de situação semelhante nos 120 anos da República brasileira que antecederam o governo Dilma?

Ou, mesmo, nos 190 anos de Independência do país, que se passaram até a bagunça atual?

Certamente, o leitor – ou leitora – jamais ouviu falar nessa república transformada em furdunço, pela simples razão que nunca dantes a república foi transformada no furdunço atual.

Portanto, é preciso acabar com isso. A única forma é afastando os que levaram o país a esse abismo.

Na verdade, a ilusão de que governar é se esponjar impunemente sobre o dinheiro e a propriedade pública, repassá-los aos tubarões do setor financeiro, receber propinas - e nada fazer pelo povo, exceto expropriá-lo, custa (e custará) muito caro aos iludidos. Aliás, já está custando.

CARLOS LOPES


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