Aspecto da decadência de Detroit, ex-cidade-símbolo da indústria automobilística norte-americana


Produção industrial dos EUA cai
 em dezembro pelo 3º mês seguido

Produção industrial recuou -0,4% em dezembro depois de cair -0,9% em novembro e -0,2% em outubro, após patinar a zero em setembro. Alta do varejo em 2015 foi de 2,1%, metade de 2014
 

Menos de uma semana após Obama asseverar, no seu discurso do ‘Estado da União’, que “o declínio dos EUA era uma ficção” e que os EUA tinham a “mais forte economia do mundo”, o Federal Reserve anunciou que a produção industrial caiu -0,4% em dezembro, depois de já ter desabado -0,9% em novembro e -0,2% em outubro, e patinado em zero em setembro. Em relação a dezembro do ano anterior, a queda foi de -1,8%.

Já o total de empregos supostamente criados em dezembro, + 292.000 vagas segundo o Bureau de Estatísticas do Trabalho (BLS), não passam de + 11.000 vagas reais, vitaminadas com descomunal ajuste ‘sazonal’ de 281.000 e muito, muito óleo de peroba, conforme denúncia do ex-subsecretário do Tesouro de Reagan, Paul Craig Roberts.

As vendas no varejo, que haviam sofrido uma derrubada um ano antes no período das festas, devido então ao frio glacial, voltaram a decepcionar em dezembro, agora por conta de um demasiadamente ameno inverno, que fez encalhar roupas de frio, estragou o natal dos lojistas e ainda reduziu o consumo de gás de calefação: -0,1%. Considerando o ano passado inteiro, as vendas no varejo foram as mais fracas desde 2009, com alta de 2,1% - a metade de 2014. Grandes redes do varejo continuam fechando lojas e demitindo em massa.
A situação é ainda pior nas vendas no atacado, que declinaram -5% ano sobre ano até novembro. No geral, as vendas encolheram -0,2% mês sobre mês, mas ficaram -2,8% abaixo das de 2014. O que levou a razão estoques/vendas ao mais alto desde a metade de 2009, auge da devastação pós-crash.

Com o colapso em curso do preço do petróleo, que já está abaixo de US$ 28 o barril, e já começando a faltar onde armazenar tanta produção sem destino, o fracking viu a perfuração de poços de gás e óleo encolher -7,4% no mês e -61,7% no ano. Assim, a mineração recuou -0,8% em dezembro, o quarto mês consecutivo de retração, e em comparação com o mesmo mês de 2014, retrocedeu -11,2%.

Problemas também com a construção, cujos gastos em novembro na área privada contraíram -0,4% em relação a outubro, sendo que com construção não-residencial privada o recuo chegou a -0,7% em larga medida devido à redução de -4% na construção de instalações industriais. Já o dispêndio com construção residencial teve alta de 0,3% no período e, com as obras públicas, 1%.
 

QUEDA NOS LUCROS

Em Wall Street, como diria o experiente Rothschild, o sangue está “correndo nas ruas” e o índice S&P das 500 maiores corporações ianques já perdeu 11%. Mas há mais más notícias a caminho. De acordo com a Bloomberg, os lucros das corporações que integram o índice S&P 500 deverão cair -7,2% no quarto trimestre, enquanto a retração nas receitas será de 3,1% - o que seria o pior resultado desde o terceiro trimestre de 2009.

Segundo os dados do Censo dos EUA, a coisa também não está boa nas exportações, que no quarto trimestre sofreram uma queda de -6,9% em relação ao trimestre anterior, enquanto o recuo nas importações, que também houve, sinalizando a retração econômica que se espalha mundo afora, foi menor, -1,4%. Culpa da crise e da alta do dólar, que o próprio Fed insuflou.

Também são esquálidas as perspectivas do PIB. O JP Morgan acaba de cortar sua previsão para o quarto trimestre de 2015 de 1% para 0,1% (0,1% anualizado!). A previsão do Fed de Atlanta (índice FedNow) é ligeiramente mais otimista: 0,6% anualizado [isto é, 0,15%].

MAIS RETROCESSOS

De 18 setores da indústria, só seis tiveram crescimento em dezembro. Já a taxa de utilização da capacidade instalada encolheu para 76,5% em dezembro, diante de 76,9% em novembro (78,2% em abril). Para outro indicador, o índice ISM, a carteira de pedidos da indústria está em queda há sete meses consecutivos. Já nos serviços públicos, a queda no mês foi de -2% e, em 12 meses, -6,9%.

Quanto ao “melhor ano da indústria automobilística” nas palavras de Obama, conforme o zerohedge deve-se à enxurrada de empréstimos ABS, que repetem freneticamente o esquema das hipotecas podres que levou à débâcle de 2008, com empréstimos subprime passados no liquidificador e emissão de derivativos, traficados como se fossem garantidos. Conforme o site, o esquema inclui estufar as revendas com vendas fajutas e leasings. A coisa chegou ao ponto de o Fed ter aconselhado o Deutsche Bank a maneirar na emissão dos ABS e, em setembro, o BCE chegar a suspender a emissão de novos ABS vinculados à Volkswagen.

Também está declinando o boom na agricultura, com a previsão de que o superávit na balança agrícola dos EUA – maior exportador mundial - será o menor em uma década. Produção em excesso levou o milho e a soja a um preço abaixo do custo de produção, em torno da metade do valor em vigor dois anos antes. A dívida do setor disparou para o máximo em três décadas: 6,6 vezes maior que a renda líquida, comparada com 3,8 vezes de um ano antes – a mais alta proporção desde 1984, quando a falência de fazendas atingiu recorde após a década de 1930. A previsão para 2016 é que o saldo comercial agrícola dos EUA ficará 78% abaixo do recorde de 2014.

Voltando ao problema fulcral da ‘recuperação’ que não decolou, conforme Paul Craig Roberts “em dezembro de 2015 há 1.185.000 americanos a menos na força de trabalho do que em dezembro de 2014”. Os “5%” de “desempregados” de Obama computam, apenas, os não-desencorajados que ainda têm a esperança de achar um emprego, quando a taxa de desemprego real é de 23%. Atualmente, há 94.691.000 americanos que foram “varridos para debaixo do tapete”, isto é, não são considerados pelos órgãos de governo dos EUA parte da força de trabalho.

Na “economia sem declínio” de Obama, a maior parte das vagas é para garçons, ajudantes, cuidadores de idosos, mensageiros e balconistas, advertiu Roberts. “A conclusão é que, se formos acreditar no relatório de folhas de pagamento [do Bureau do Trabalho], os EUA são agora uma economia que somente cria empregos de Terceiro Mundo em serviços domésticos de baixa remuneração. E ainda esta não-economia à beira do colapso é dita por idiotas em Washington ser uma superpotência. Que piada!”

ANTONIO PIMENTA

 


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