Governo arrasa o país com Selic a 14,25% e comemora

Brasileiros enfrentam um governo impatriótico, socialmente insensível e moralmente depravado

A senhora presidenta e os seus correligionários – especialmente a cúpula do seu partido – estão se especializando na infrutuosa atividade de zombar do povo e do país.

As comemorações no governo - e no PT – porque o Banco Central (BC) manteve a taxa básica de juros, a “taxa Selic”, em 14,25%, são piores que a irresponsável leviandade daquela outra senhora, que perdeu a cabeça, Maria Antonieta, aconselhando ao povo sem pão, que comesse brioches.

O que o BC – e o governo - fez, mais uma vez, foi se submeter aos chefes do cartel bancário, que estavam contra um aumento de juros agora, e com boas razões.

O Itaú, depois de firmar, nos dias anteriores à reunião do Comitê de Política Monetária do BC (Copom), que estava contra um aumento dos juros básicos, saudou a decisão do seguinte modo: “Copom: afinal, Selic estável. Esperamos agora que a Selic permaneça em 14,25% até o fim de 2016” (cf. Ilan Goldfajn e Caio Megale, Boletim Macro Brasil, Itaú BBA, 20/01/2016).

O Bradesco foi ainda mais explícito: “como temos defendido, atualmente, qualquer aumento de juros se mostra desnecessário diante da gravidade da recessão econômica em curso no País e que tende a se manter ao longo deste ano, levando a uma retração significativa da demanda por crédito. Entendemos que não há ancoragem das expectativas de inflação mais efetiva do que a brutalidade da crise econômica atual. (…) Não vemos qualquer benefício relevante do aumento dos juros sobre as expectativas e sobre a própria trajetória da inflação no Brasil na fase atual” (cf. DEPEC/Bradesco, Boletim Diário Matinal, 21/01/2016).

Quem estava a favor de aumentar os juros, porque é irresponsável e ignorante, era o governo Dilma, até que o próprio “mercado financeiro” começou a dar sinais de estranheza.

Notem os leitores que os grandes bancos não estavam (e não estão) querendo baixar os juros, tal como seria lógico numa recessão brutal como a do governo Dilma. O que eles queriam (e conseguiram) era manter a situação como estava (e está), pois, com os aumentos de juros desde janeiro de 2015, eles já receberam perto de R$ 500 bilhões (até novembro essa conta estava em R$ 450 bilhões – o BC ainda não divulgou o resultado de dezembro).

Por que iriam correr o risco de matar a galinha dos ovos de ouro com mais um aumento?

Que existiam, e existem, malucos que querem aumentar a taxa de juros mais e mais, e sempre mais, no momento em que o efeito desse aumento de juros seria acelerar a catástrofe, expandir a convulsão social, e, talvez, colocar os próprios bancos em perigo, não é uma questão importante.

Sempre existem esses malucos: uns porque são imbecis o bastante para ganhar dinheiro sem se preocupar com a conservação da mina de ouro; outros porque seu negócio é puxar o saco de quem tem dinheiro. São pulgas, que sugam o sangue dos brasileiros, por mais que, como aquela passada senhorita, ou o oligofrênico Iceberg, ou aqueles rapazes afetados que voejam pelas financeiras, apareçam sempre na TV, sem que a delegacia de roubos e furtos tenha, até agora, tomado uma providência.

Mas o governo e o PT comemorarem que o BC – ou seja, o próprio governo – fez o que os chefes do cartel financeiro queriam, é coisa de escroque.

Ao manter a taxa básica de juros em 14,25%, o governo, através do Banco Central, manteve o maior juro real – isto é, descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses – do mundo, nada menos que 6,78%, taxa real que é mais de duas vezes a do segundo juro maior, o da Rússia (2,78%).

Essa taxa de juros de 14,25% (ou 6,78%, em termos reais) é uma completa aberração, que não existe em lugar algum, nem próximo disso, exceto no Brasil.

Para que o leitor tenha uma ideia, a taxa básica de juros, em termos reais, dos EUA está em -1,99% (menos 1,99%); a da Índia (que teve o maior crescimento do mundo em 2015) está em 0,57%; a da China está em 2,61%; a da Coreia do Sul, em zero.

Na maioria dos países (65% deles) a taxa de juros básicos é negativa.

A média internacional está em -1,8% (menos 1,8%).

Ou seja, a taxa real de juros no Brasil (taxa básica, o piso de todos os juros da economia) é imensuravelmente maior que a média internacional.

Para que os grandes rentistas (isto é, os grandes bancos) iriam querer um aumento - que, eles sabem, é para lá de perigoso - se estão ganhando tanto?

Mas é isso o que Dilma, o PT, inclusive o ex-presidente Lula, estão festejando: uma taxa de juros completamente incompatível não apenas com o crescimento ou com a justiça social – pois ela significa tirar recursos de todos os setores produtivos, do trabalho e do capital nacional, para aumentar cada vez mais a renda e o patrimônio dos bancos, sobretudo os estrangeiros, e mais alguns outros parasitas financeiros –, mas incompatível com a própria vida humana civilizada no Brasil, daí a selvageria e a desumanidade que se torna cada vez mais presente nas nossas cidades.

É verdade que, em matéria de desumanidade, os atuais hóspedes do poder deixam qualquer gang na rabeira. Não se comovem com as mortes no sistema de saúde - ou com as crianças sem escola ou que na escola não aprendem. Mas estão muito comovidos com a sorte do sr. Odebrecht & outros ladrões e propineiros. Obviamente, porque é um governo de propinados.

Pois foi esse governo, obviamente, que colocou o país na situação atual – e principalmente com os aumentos de juros, que só tinham um objetivo: aumentar a parcela do setor financeiro no produto interno, em detrimento da indústria e dos trabalhadores em geral.

Portanto, Dilma está comemorando a própria tragédia que engendrou, é verdade que sem nenhuma originalidade, mas por sua adesão servil ao que de mais reacionário há dentro e fora do país.

Seu governo colocou o país na crise mais devastadora desde o governo Campos Salles: dois milhões de desempregados em apenas um ano – provavelmente muito mais, pois o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que inclui apenas os trabalhadores com carteira assinada, na quinta-feira assinalou, só entre estes, 1,54 milhão de desempregados.

A produção interna (PIB) já caiu -3,5% ou -4%. Considerada a população (o PIB per capita), a queda está, até agora, entre -6% e -8% - com a produção industrial (produção física) caindo mais de -8% em 2015.

O governo arrasou o país aumentando a taxa de juros.

Fez isso à custa de dinamitar a Saúde, a Educação, a Defesa e todos os setores que atendem ao povo, ou fomentam o crescimento – portanto, aumentam o emprego – ou são indispensáveis a uma Nação.

Fez isso à custa de detonar uma quebradeira de empresas que está longe de ser expressa pelos números de falências e recuperações judiciais, que são muito graves, mas não incluem àquelas que, simplesmente, sem falência nem tentativa de recuperação, estão fechando – e o governo até mesmo lançou um programa para facilitar os trâmites para o fechamento de empresas.

Trata-se de um governo impatriótico, insensível socialmente e moralmente depravado.

CARLOS LOPES

 

Juros reais mais altos do mundo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

*Compilação de autoria do portal MoneYou e da Infinity Asset Management feita com 40 países. Segundo o estudo, a Média Geral está negativa em -1,8%

 


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