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Em 2015, governo desvia para bancos meio trilhão de reais

Para manter e ampliar a pilhagem via juros, avançam sobre a poupança e a Previdência

O total da transferência de dinheiro público, em 2015, a título de juros – isto é, o repasse de dinheiro público para bancos e demais rentistas – foi 501 bilhões, 785 milhões, 916 mil, 373 reais e 96 centavos, resumidamente, R$ 501 bilhões e 786 milhões (cf. BC, “Nota de Política Fiscal”, 29/01/2016).

Basicamente, isso quer dizer que o país todo trabalhou e foi sacrificado para aumentar a parcela da riqueza nacional apropriada pelos bancos, monopólios multinacionais e outros rentistas.

Houve um aumento, no gasto público com juros, de +R$ 190,406 bilhões ou +61,15% em relação ao ano anterior, o que é uma loucura, pois o gasto com juros em 2014 (R$ 311,380 bilhões) já fora colossal.

Só o aumento no gasto com juros (+R$ 190,406 bilhões) é quase o dobro da verba de um ano inteiro da Saúde ou da Educação. Aliás, só esse aumento é mais que todos os financiamentos do BNDES para o investimento de empresas em 2015, que somaram apenas R$ 136 bilhões.

Que país pode crescer desse jeito? Que país não afundaria – como estamos afundando – com tamanho fardo esmagando sua população, sua economia?

A política do governo foi a de transferir riqueza – patrimônio e renda - do Estado e setores produtivos para o parasitário setor financeiro.

Na manhã de terça-feira, o IBGE divulgou que a produção (física) industrial teve a maior queda da história brasileira, -8,3% em 2015 (a queda no faturamento industrial, segundo a CNI, foi de -8,8%).

Enquanto isso, os bancos superaram – e de muito - os fabulosos lucros do ano passado. Sob o governo Dilma, têm a sua disposição uma cornucópia maior que o velho e glorioso Maracanã: juros altos, mais altos & mais e mais altos. Com o sr. Trabuco, do Bradesco, no mal chamado “conselhão”, proferindo suas arengas – “na recessão todos perdem” - para êxtase da senhora presidenta (ver p. 3).

O estrangulamento pelos juros, ponto central do “ajuste” de Dilma, é a causa decisiva da recessão. Por isso, a tentativa do governo é, exatamente, atribuir à Operação Lava Jato aquilo que é consequência apenas – e direta – da política do governo: o arraso da economia, inclusive com algo que se assemelha, em seus contornos iniciais, a um genocídio composto por mortos de fome e flagelados por epidemias.

Exatamente para manter e ampliar a pilhagem via juros é que o governo quer, agora, para usar uma precisa expressão popular, enfiar a mão no dinheiro da Previdência e do FGTS – ou seja, no dinheiro da contribuição de trabalhadores e empresários, incluindo o dinheiro que foi acumulado ao longo de décadas da nossa História, por sucessivas gerações de brasileiros.

Basta ler um único número, daqueles que o Banco Central (BC) divulgou na sexta-feira, exatamente os R$ 501,786 bilhões de gastos com juros, para perceber o quanto é vigarista a ladainha de Dilma, e sequazes, sobre como foi a Operação Lava Jato que derrubou a economia. Ou, como é coisa de escroque a ladainha subsidiária: a de que, para que a economia volte a crescer, é necessário proteger a Odebrecht e outros ladrões da Petrobrás, através de “acordos de impunidade”, nos quais querem (e através de Medida Provisória) transformar os “acordos de leniência” da agora mutilada “lei anticorrupção”. Naturalmente, foram as propinas da Odebrecht, e outras quadrilhas cartelizadas, que abasteceram de combustível o PT nas campanhas eleitorais, e, portanto, reelegeram Dilma.

Se a repressão aos ladrões do dinheiro público causasse recessão, a máfia seria uma instituição desenvolvimentista – à qual, aliás, seria necessário entregar o governo, para que a economia crescesse.

No entanto, foi a política do governo atual – inclusive sua propensão ao coito de ladrões, mas, sobretudo, o garrote vil dos juros - que derrubou o crescimento do PIB, beirando os -4%, o pior de um governo republicano, pois se estenderá, se depender dessa política, a vários anos seguidos de débàcle.

Ao mesmo tempo que, com altíssimas taxas de juros, passava aos bancos mais de meio trilhão, o governo federal cortava, em termos reais (já descontada a inflação), -37,3% dos investimentos públicos orçamentários: enquanto fazia o setor público passar R$ 501,786 bilhões aos bancos, o governo cortava R$ 23,3 bilhões da já magérrima dotação para investimentos públicos federais.

O total dos investimentos públicos orçamentários federais em 2015 foi apenas R$ 13,316 bilhões, o que é nada para um país como o Brasil (cf. Tesouro Nacional, Relatório Resumido da Execução Orçamentária de Dezembro de 2015, Anexo 1 – Balanço Orçamentário).

As estatais tiveram 21,3% de seu orçamento de investimento – que é aprovado pelo Congresso – bloqueados pelo governo federal. O que não dependeu de qualquer efeito da Operação Lava Jato, mas da sofreguidão do governo de contemplar a ganância de bancos e outros rentistas.

Em termos reais (considerada a inflação), os investimentos do governo regrediram ao nível de 2008.

Quanto ao custeio (a verba de manutenção), até são dispensáveis números: basta olhar a explosão de epidemias, porque não se combateu um mosquito que Oswaldo Cruz eliminara, como ameaça urbana, em 1903, há mais de um século – e sem dispor de nenhum dos recursos tecnológicos atuais.

Ou a situação das universidades federais, que só não estão transformadas em aterros e depósitos de lixo, por conta de atitudes verdadeiramente heroicas de professores e estudantes.

Indagada sobre os cortes – que são em tudo, menos nos juros, pois esses cortes são feitos, exatamente, para transferir mais dinheiro público aos bancos, a título de juros - Dilma disse que “[a meta é] garantir um superávit de 0,5% esse ano e o equilíbrio fiscal” - ou seja, a “meta” é cortar qualquer verba que signifique atendimento das necessidades do povo ou fomento ao crescimento do país, para que haja mais dinheiro torrado com os juros dos rentistas.

Nada menos que 44% dos programas federais não tiveram, em 2015, nenhum centavo liberado pelo governo, apesar de sua verba existir – e ter sido aprovada pelo Congresso. Isso quer dizer que 980 programas federais estiveram parados durante o ano passado.

Porém, sejamos mais claros: nem Fernando Henrique, nem Collor, nem Campos Salles ou Café Filho, energúmenos que deram nome aos piores governos do país até o início do atual, conseguiram, em um ano, fazer um estrago tão grande, uma agressão tão brutal à economia do país, quanto Dilma em 2015.

Pois não é somente em bilhões de reais (R$ 501,786 bilhões) que Dilma bateu seus concorrentes e semelhantes em falta de patriotismo, incompetência e imunidade aos escrúpulos.

Antes que algum muar – desses que infestam o atual governo e sua corte de puxa-sacos – venha dizer que esse mais de meio trilhão hoje significa menos que o gasto de outros governos com juros, acrescentamos que também em parcela da riqueza criada no país – isto é em termos de parte do Produto Interno Bruto (PIB) – nunca a hemorragia dos juros foi tão desatada quanto em 2015.

Nenhum governo conseguiu, antes do atual, passar aos bancos 8,46% do PIB. Houve quem chegasse até perto (aliás, apenas dois: Fernando Henrique, em 1999, passou 8,2% do PIB em juros e Lula, na gestão Palocci, em 2003, passou 8,42% do PIB – tanto num caso quanto noutro, numa situação ruim, porém nem comparável ao desastre atual).

O que Dilma fez, em 2015 (e continua fazendo), foi alimentar uma economia famélica com vidro moído: aumentar juros, cortar investimentos e gastos públicos, em uma economia já despencando no abismo.

CARLOS LOPES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

*Compilação de autoria do portal MoneYou e da Infinity Asset Management feita com 40 países. Segundo o estudo, a Média Geral está negativa em -1,8%

 


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