PDT

João Vicente Goulart, filho do ex-presidente João Goulart (Jango)

 

“A democracia que eles querem é a democracia para liquidar com a Petrobrás; é a democracia dos monopólios privados, nacionais e internacionais, é a democracia que luta contra os governos populares e que levou Getúlio Vargas ao supremo sacrifício”, alertava Jango
 

Depois do entreguismo subterrâneo do pré-sal, só resta a terceira via

JOÃO VICENTE GOULART ( *)

O que vimos ontem na votação do PLS 131 da Petrobras foi vergonhoso, rasteiro, inoportuno com nossa história de lutas a mercê da traição governamental da qual tínhamos esperança de resistência.

Estamos, todos aqueles que amamos o Brasil e nossa nacionalidade, iludidos, magoados e com muita falta de esperança, roubada no mais indigno e subterrâneo ocaso oportunista da subtração de nossos princípios de luta, com a atitude do governo ao negociar por debaixo do tatame a entrega do Pré-sal, e a retirada da Petrobras do controle dos investimentos de nossas riquezas petrolíferas.

A negociação espúria, ao apagar das luzes, deixou os próprios parlamentares da base a ver navios.

Navios negreiros, navios dos anjos negros, navios das sete irmãs petroleiras internacionais que naquele momento zarpavam e começavam a navegar a partir de nossas costas, transportando nossas esperanças como fizeram portugueses e espanhóis na nossa América Latina colônia. O ouro mudou de cor, mas não mudou de dono.

Sentimo-nos traídos e pior, desamparados por quem acreditávamos estar confiando e defendendo o patrimônio público de nossa Pátria. A surpresa após a votação no Senado com o placar de 40 a 26, com duas abstenções, negociados dentro do Planalto com a oposição na parte da tarde, retirando da Petrobras a primazia do direito de exploração do Pré-sal, foi um ato de covardia, pois, não precisava tanto, bastava então, entregar o governo aos grandes bancos, aos interesses multinacionais, ao mercado ou, se quisessem aos perdedores da eleição de 2014, para que capitaneassem essas naves junto aos entreguistas e outros mercadores do destino nacional, terminando de privatizar o Brasil, ou melhor, continuar a vendê-lo como fez  o príncipe guru das privatizações, FHC, lesando a Pátria, seus filhos e descendentes, como um verdadeiro Pizarro, sangrando as “veias abertas” de nosso povo.

Está na hora de repensar nosso destino, nossos caminhos, reaver nossas esperanças e mergulharmos na história do trabalhismo; reagrupar as forças, extrair de nossas raízes os exemplos de lutas e de propostas da resistência nacional.  E, para tanto, temos direito de chão adquiridos ao longo de nossa trajetória.

Temos história de sobra para isto.

O trabalhismo propôs ao país o salário mínimo, a CLT, o voto feminino, a organização sindical, a reforma agrária, a reforma tributária, taxando o patrimônio das empresas, não os assalariados. Propusemos a reforma educacional, a lei do controle das remessas de lucros, a reforma urbana, a reforma bancaria que nenhum outro governo se animou a tocar; já desapropriamos empresas estrangeiras que exploravam e sugavam os trabalhadores brasileiros, já encampamos refinarias e outorgamos o monopólio a Petrobras, tanto da extração quanto do refino e já mostramos do que somos capazes, sem temer as reações dos prepotentes das baionetas e dos donos do capital.

Já é hora de lembrar isto ao povo brasileiro: nossas riquezas são nossas e não de quem tenha mais.

A democracia é a arte política da maioria de conquistar novos objetivos e não pode ser traída por interesses pessoais imaginando a eventualidade da ruptura institucional, arquitetada por manipulações subterrâneas em tribunais não representativos ou eleitos.

Já sofremos golpes contra nossas propostas, já amargamos exílio por não trair as conquistas sociais e políticas do nosso povo. Mas continuamos a almejar a libertação de nossos trabalhadores, donos reais de todas as riquezas desta terra miscigenada e brasileira.

A eleição de 2018 está próxima e nós temos história, nela temos propostas e no caminho desafios.

Falta botar a coragem na rua, “nas praças que são do povo e só ao povo pertencem, e como disse também Jango, alertando os falsos democratas:

“Desgraçada a democracia se tiver que ser defendida por tais democratas.

Democracia para esses democratas não é o regime da liberdade de reunião para o povo: o que eles querem é uma democracia de povo emudecido, amordaçado nos seus anseios e sufocado nas suas reivindicações.

A democracia que eles desejam impingir-nos é a democracia anti-povo, do anti-sindicato, da anti-reforma, ou seja, aquela que melhor atende aos interesses dos grupos a que eles servem ou representam.

A democracia que eles querem é a democracia para liquidar com a Petrobrás; é a democracia dos monopólios privados, nacionais e internacionais, é a democracia que luta contra os governos populares e que levou Getúlio Vargas ao supremo sacrifício.”

Nossa proposta deve ser clara, objetiva e transformista, na legalidade constitucional, na doutrina que nos orienta do positivismo, mas além de tudo ampla e nacionalista. Vamos propor a nossa luta sem dissimulo, vamos propor a retomada e reestatização da Vale, da Embratel, Telesp, Telemar, CEEE, CSN, BEG, BEA, etc., etc. e de tantas outras privatarias que não caberiam neste artigo.

A terceira via está em curso. É o trabalhismo nacionalista. Tem cara e tem coragem, tem história e realizações suficientes para a retomada da Pátria, para a retomada da soberania, da dignidade, da educação e das oportunidades iguais para todos.

Basta de conversinhas meritocratas em um país tremendamente injusto e sem igualdade de oportunidades.

Basta de discursar pelos pobres outorgando privilégios para os barões da mídia e para banqueiros. Fazendo concessões espúrias no apagar das luzes.

O bipartidarismo entre oposição e governo está no fim, está nas mãos do povo brasileiro em 2018, construir a terceira via. A terceira via é a via trabalhista e nacionalista, vamos abraçar esta luta, vamos abraçar o Brasil.

Com liberdade não ofenderemos, não temeremos e muito menos compactuaremos com os direitos de nossos trabalhadores.

(*) João Vicente Goulart é filho do ex-presidente João Goulart e diretor do Instituto Presidente João Goulart (IPG).


 

 

Capa
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A ação contra a Petrobrás em prol do PL Dilma-Serra

Lula diz que sítio foi presente surpresa de amigos, mas não fala se rejeitou ou não

Pavor da Lava Jato tira Cardozo do cargo

Santana declara não se recordar como tanto dinheiro veio parar na sua conta

Fernando Siqueira: “Dilma quer entregar a maior riqueza do país”

Ciro: “retirar Petrobrás do pré-sal é um golpe contra interesse nacional”

Cunha sofre nova derrota no STF

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FUP: “Governo Dilma costurou entrega do pré-sal. Foi traição”

RS paga R$ 274 milhões de dívida e anuncia novo parcelamento do salário de servidores

Professores fazem greve contra saque aos salários

Senadores debatem a criação de uma Frente Nacional em defesa da Previdência Pública

Oswaldo Lourenço: “impor uma idade mínima só vai prejudicar quem começou a trabalhar mais cedo”

GM anuncia que irá demitir mais 1,5 mil trabalhadores na região do ABC

Aumento do desemprego está elevando índice de inadimplência

Maioria da população é contra direito de aborto mesmo em caso de microcefalia, aponta pesquisa

CARTAS

 

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Getúlio: industrialização e petróleo na visão do grande presidente (1)

Página 7

Em vigor cessar-fogo que a Rússia bancou na Síria

Síria convoca seus cidadãos a “unir esforços pela reconciliação nacional”

Dezenas de milhares marcham em Londres contra o Trident e os cortes de Cameron

Spike Lee: apoio meu irmão Sanders porque ele é contra o racismo e não está no bolso dos bancos

Pequim rechaça intromissão da Casa Branca nos assuntos relativos ao Mar Meridional da China

Chris Rock: “claro que Hollywood é racista”


EUA realiza dois testes com mísseis balísticos nucleares

Página 8

Campo de refugiados resiste ao ataque policial em Calais

Barreira aos migrantes provoca confronto na fronteira da Macedônia

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