O pré-sal, a Petrobrás e o entreguismo dilmo-serrista

Os assaltantes das multinacionais não querem limite nenhum para roubar o nosso petróleo do pré-sal

O ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, declarou, sobre o "acordo" entre Dilma e Serra para aprovar, no Senado, o escancaramento das reservas de petróleo do pré-sal aos monopólios petroleiros estrangeiros, tirando da Petrobrás a condição de operadora única:

"Multinacionais do petróleo conseguiram no Brasil, num só golpe, o que conseguiram no Iraque e noutros países com brutal ocupação militar. Num momento de corrida, em todo mundo, pelas últimas reservas de energia fóssil, isso é crime de lesa-pátria. Não é questão de ideologia."

Tarso, como se sabe, é petista. O que não o impede de apontar e condenar um crime contra o Brasil e os brasileiros. O fato de que apareceram outros petistas – ou peto-dilmistas - para dizer que "não é bem assim", que "Tarso se precipitou", etc., só demonstra o cunho da degeneração dilmista, que coloca mesquinhos interesses – quando não a própria estupidez - acima do Brasil e dos brasileiros, não importa o crime que esteja sendo cometido, ou o crime que se cometa, para manter míseras prebendas.

INVASÃO

Ainda há uma longa batalha a travar contra o entreguismo dilmo-serrista no pré-sal. Uma batalha que é consequência do amancebamento entreguista do governo, durante a votação no Senado. O "substitutivo" que o governo acertou com Serra ainda será votado pela Câmara – e está longe de ser impossível derrotar Dilma, Serra, Cunha & outros. Aliás, foi exatamente isso o que ocorreu durante a votação dos royalties do petróleo para a Educação. Por pior que seja a atual Câmara, cavar a própria sepultura política, aprovando a pilhagem do Brasil por três ou quatro petroleiras externas, não é uma perspectiva agradável para nenhum parlamentar.

Tarso apontou uma coisa importante: no Iraque ou na Líbia, o imperialismo teve que invadir e bombardear o país para obter algo semelhante ao que foi votado pelo Senado no dia 24.

Aqui, o governo está com as multinacionais petroleiras e contra os interesses do país. A invasão militar foi substituída pela compra desse governo – e aqui não estamos discutindo com que moeda, ou se a compra foi à vista ou a prazo. Basta dizer que não há algo mais corrupto do que dar as maiores riquezas de um povo para senhores estrangeiros de escravos.

Sobretudo quando temos a companhia petrolífera que tem melhores condições de operar o pré-sal – aliás, não é um acidente que ela tenha descoberto essas imensas reservas.

Em suma, o governo está tentando dar um golpe no país. Completamente contra os brasileiros, apenas através de um cambalacho entreguista. Existe maior golpismo do que esse?

No entanto, a lei que rege o pré-sal, mesmo sem modificação alguma, permite que multinacionais explorem o pré-sal. Por que, além de explorá-lo através de consórcios em que a Petrobrás é a operadora – e por isso tem direito ao mínimo de 30% de cada consórcio - elas querem ser, elas mesmas, as operadoras, afastando a Petrobrás?

Fernando Siqueira, vice-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET), toca no ponto, ao frisar:

"... como operadora única no pré-sal, a Petrobrás tem direito a 30%. Mas 70% está à disposição das multinacionais. Então, por que que elas querem a função de operadora? Porque os principais focos de corrupção estão no superdimensionamento dos custos de produção e na medição fraudulenta. Uma empresa multinacional gasta dois bilhões em um sistema de produção, declara que gastou três. É difícil de ser checado isso, então ela ganha um bilhão em petróleo, porque ela é ressarcida em petróleo, e não paga absolutamente nada ao país. O outro foco de corrupção é a medição fraudulenta. Ela produz, digamos, 500 mil barris e declara 300. Fica com 200 mil também sem pagar nada".

Essa é a questão. A Petrobrás como operadora única do pré-sal é uma barreira, um limite, ao banditismo das multinacionais. E elas não querem nenhum limite ao roubo.

Que Dilma esteja a favor de derrubar o limite ao roubo das petroleiras – isto é, afastar a Petrobrás como operadora única no pré-sal – só demonstra o quanto eram sinceras as suas declarações de que o pré-sal era o nosso "passaporte para o futuro".

Parece inacreditável que, depois de todos os prodígios de que a Petrobrás foi capaz desde a sua fundação, Dilma ache que a empresa é incapaz de ser a operadora única do pré-sal.

No entanto, assim é: sua submissa estreiteza mental não é diferente daquela do sr. Haroldo Lima, que acha que para extrair mais petróleo, só abrindo a porteira para as multinacionais (o substitutivo Dilma/Serra, aprovado pelo Senado, foi inteiramente exposto pelo sr. Haroldo Lima no dia 17 de fevereiro, portanto, sete dias antes de ser apresentado, em nome do governo, pelo senador Jucá – cf, Haroldo Lima, "Preferência no pré-sal: justo para o Brasil, bom para a Petrobras", Vermelho, 17/02/2016).

Se for para que as multinacionais levem o nosso petróleo a preço de cibalena, melhor é que ele fique, por enquanto, debaixo da terra – e do mar. Pois, caso contrário, o nosso passaporte será para um futuro desgraçado de servidão colonial, tendo as nossas riquezas depredadas até que se esgotem, provavelmente, junto com o país.

Mas é evidente que essas não são as únicas opções. Podemos, perfeitamente – e necessitamos – implementar um ciclo de industrialização e crescimento em torno do petróleo.

Uma das características do entreguista, nos tempos de hoje, é que ele jamais consegue conceber o quanto o petróleo do pré-sal pode ser útil internamente, como esse petróleo pode ser uma mola propulsora do nosso desenvolvimento e mercado interno. Esses cabeças de alfinete são tão servis que só conseguem pensar (?) no mercado externo, isto é, num mercado dominado, manietado, pelos países e monopólios imperialistas.

Por isso, depois que a Petrobrás descobriu as reservas do pré-sal, o máximo que eles conseguem é ver um Brasil que seja mero fornecedor de petróleo bruto para os EUA e outros países centrais – e importador de produtos industrializados, inclusive gasolina e diesel.

FEITOR

O colonizado é sempre um sujeito muito tacanho.

Tão tacanho que nem o decréscimo das importações norte-americanos – uma redução tremenda nos últimos anos – faz com que eles percebam o absurdo de sua política, simplesmente porque não querem perceber. O importante para eles é ser feitor dos países centrais, e seus monopólios, nos países periféricos, como é o caso do Brasil.

Dilma – e seus acólitos - não é a primeira nesse caminho sem volta e sem fim – pois leva ao nono círculo do Inferno:

"Melhor negócio que Judas/ fazes tu, Joaquim Silvério:/ que ele traiu Jesus Cristo,/ tu trais um simples Alferes./ Recebeu trinta dinheiros.../ - e tu muitas coisas pedes:/ pensão para toda a vida,/ perdão para quanto deves,/ comenda para o pescoço,/ (…) // (Pelos caminhos do mundo,/ nenhum destino se perde:/ Há os grandes sonhos dos homens,/ e a surda força dos vermes.)!"

Obviamente, não podemos – e, para dizer a verdade, nem queremos – fazer alguma coisa por quem escolhe ser um verme.

CARLOS LOPES

 

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