Lula se faz de vítima para não explicar sua conduta

Ex-presidente defendeu as empreiteiras corruptas. Nenhuma palavra contra o assalto delas à Petrobrás

Numa frenética defesa das empresas que assaltaram a Petrobrás e subornaram boa parte da administração – e do PT e outros partidos governistas – Lula disse, na arenga que proferiu após seu depoimento à equipe da Lava Jato, que "vocês já se deram conta que o salário de muita gente da Justiça vem dos impostos que essas empresas que trabalham pra Petrobras pagaram? Já deram conta?".

Em suma, segundo Lula, o dinheiro que essas empresas pagaram em impostos não veio do povo, da sociedade e do Estado – do qual a Petrobrás é parte. O juiz Moro, portanto, deveria agradecer ao roubo delas pelo seu salário. Deve ser por isso que elas roubam a Petrobrás: para pagar os salários da Justiça.

É triste ver alguém, que prestou serviços ao Brasil, fazer tal justificativa da corrupção, da submissão às quadrilhas monopolistas, do roubo ao patrimônio público em sua mais alta expressão – a Petrobrás –, enfim, uma ode ao suborno e à propina. Por alguma razão, Lula passou a achar que todos recebem dinheiro das empreiteiras. Até a Justiça.

PIXULECO

Disse ele, na mesma arenga: "estão desde o dia 26 de outubro de 2014 não permitindo que a Dilma governe esse país. (…) se tem alguém nesse país que precisa de autonomia chama-se presidenta da República, porque ninguém quer que essa mulher governe esse país. Estão cerceando a liberdade dessa mulher governar esse país".

Dilma fez o que quis depois de reeleita: traiu o eleitorado, traiu o Brasil, traiu os trabalhadores, traiu os empresários nacionais. Seu estelionato eleitoral redundou, até agora, em mais dois milhões e 800 mil desempregados, uma queda de -10,4% na massa salarial, falências em explosão, o país estrangulado por juros - a maior crise em mais de 100 anos de História do Brasil.

Mas Lula acha que mais importante que o Brasil, é garantir que os próceres petistas continuem recebendo seu pixuleco pela eternidade afora, sustentados pela Odebrecht e co-irmãs, mesmo à custa do desemprego, fome e atraso dos brasileiros. Para isso é que Dilma tem que ficar no poder. Para que mais?

É verdade, o juiz Moro precipitou-se na decisão sobre a "condução coercitiva" de Lula para prestar depoimento. O problema da decisão é que ela permitiu que Lula fizesse o seu teatro – ou, como disse o Ministério Público, a sua "cortina de fumaça", e já veremos para esconder o quê.

Disse Lula que é financiado pelos ladrões que pilharam a Petrobrás porque "não tem multinacional aqui [no Instituto Lula e na LILS, sua empresa de palestras]".

O impressionante foi a rapidez com que o Instituto Lula, em nota oficial, gabou-se de não receber dinheiro apenas das empresas da Lava Jato, mas também da "Microsoft, Bank of America, Nestlé, Iberdrola e Infoglobo [isto é, da Rede Globo]".

Na sexta-feira, descobriu-se que até a armazenagem dos bens que Lula retirou de Brasília quando acabou seu mandato, era paga pela OAS – e não é pouca coisa, cerca de R$ 1,3 milhão, o que foi confirmado pela transportadora e armazenadora Granero.

Mas, segundo Lula, isso é normal, pois "se somar todos os presidentes da história desse país desde Floriano Peixoto, eu fui o que mais ganhei presente".

O que tem uma coisa com a outra é tão misterioso quanto a súbita fixação de Lula no marechal de ferro, nosso segundo presidente, alagoano austero, que não gostava de presentes nem de puxa-sacos, portanto, o oposto de Lula.

Mas, qual a acusação ou suspeita sobre Lula?

Lavagem de dinheiro – ou seja, receber propina sob formas que disfarçam o cunho ilícito dos recursos que as empresas que roubaram a Petrobrás passaram para ele.

Todas as palhaçadas sobre o triplex do Guarujá e o sítio em Atibaia são para esconder aquilo que está evidenciado, por exemplo, nos diálogos do presidente da OAS, Léo Pinheiro, no Whatsapp:

PAULO GORDILHO (diretor da OAS): O projeto da cozinha do chefe tá pronto se marcar com a Madame pode ser a hora que quiser.

LÉO PINHEIRO (presidente da OAS): Amanhã as 19hs. Vou confirmar. Seria bom tb ver se o de Guarujá esta pronto.

PAULO GORDILHO: Guarujá também está pronto.

Ou, também:

INTERLOCUTOR NÃO-IDENTIFICADO: Dr. Léo o Fernando Bittar aprovou junto a Dama os projetos tanto de Guarujá como do sitio. Só a cozinha kitchens completa pediram 149 mil ainda sem negociação. Posso começar na semana que vem. É isto mesmo?

LÉO PINHEIRO: Ok.

Além do próprio triplex à beira do mar, a OAS dispendeu R$ 770 mil na reforma e R$ 320 mil com o aparelhamento e mobiliário da cozinha e dormitórios. Lula foi fotografado enquanto vistoriava o imóvel. Esse é o apartamento que, segundo disse, "não é meu e eles dizem que é meu".

Lula só desistiu de se aboletar nesse apartamento em dezembro passado. Mas, se achava tão honesto receber esse presente da OAS, por que desistiu?

Quanto ao sítio, eis um trecho de um e-mail, de 28/10/2010, do advogado e compadre de Lula, Roberto Teixeira:

"Falei ontem com o Adalton e a área maior está sendo posta em nome do sócio do Fernando Bittar. Qualquer dúvida, favor retornar. Obrigado, Roberto."

Adalton Santarelli era o vendedor de dois sítios, adquiridos no mesmo dia para formar um maior, de 170 mil metros quadrados. Todas as transações foram no escritório do advogado e compadre de Lula.

Teixeira, no e-mail, nem lembra o nome "do sócio do Fernando Bittar" (Jonas Suassuna), apesar de, nesta transação, ser o seu representante. Aliás, apesar de ser proprietário oficial da área maior, quando foi que Suassuna apareceu lá? Na sexta-feira, Lula também não conseguiu lembrar de Suassuna – e atribuiu o sítio somente a Bittar: "Esse companheiro comprou uma chácara na perspectiva de permitir que eu usasse. Eu não posso usar, por que é crime eu estar usando a chácara?"

O crime é receber propina através da chácara. Após a compra, as empresas de José Carlos Bumlai transferiram para a empresa "Fernandes dos Anjos Porto", encarregada de reformá-la, a quantia de R$ 747.378,13. Logo em seguida, a Odebrecht assumiu as obras de reforma, gastando, somente em uma das lojas de material de construção, cerca de R$ 500 mil, pagos em dinheiro. E a OAS gastou R$ 170 mil, pagos em dinheiro, numa cozinha da Kitchens, mesma loja onde comprou a cozinha do triplex.

PEDALINHOS

Apesar do presépio de Lula sobre o barco e os pedalinhos, a questão é: para que sua esposa e um ajudante de ordens comprariam um barco e dois pedalinhos para um sítio pertencente a outrem?

Vejamos quais foram, de 2011 a 2014, os cinco maiores pagadores da L.I.L.S. - a empresa de palestras de Lula:

1) Odebrecht (R$ 3.013.043,42); 2) Andrade Gutierrez (R$ 2.159.716,11); 3) Camargo Corrêa (R$ 2.007.653,94); 4) Queiroz Galvão (R$ 1.216.990,56); 5) OAS (R$ 1.142.438,47).

Agora, vejamos quem foram, de 2011 a 2014, os cinco maiores doadores do "Instituto Lula":

1) Camargo Corrêa (R$ 4.750.000,00); 2) Odebrecht (R$ 4.665.000,00); 3) Queiroz Galvão (R$ 3.000.000,00); 4) OAS (R$ 2.775.000,00); 5) Andrade Gutierrez (R$ 2.775.000,00).

Tanto em um caso, como noutro, as principais empresas do cartel do bilhão.

Não é o salário do juiz Moro que é pago por essas empresas.

Elas pagavam US$ 200 mil por palestra a Lula. Segundo diz o Instituto Lula, desde que saiu da Presidência ele realizou 72 palestras para 40 empresas. Por esse preço, Lula deveria ter faturado US$ 14.400.000 (quatorze milhões e 400 mil dólares). Não foi essa a declaração à Receita Federal – pelo visto, ele andou aceitando bem menos.

Mas permanece o fato de que 47% do faturamento da LILS vem dos bandidos que foram pegos pela Lava Jato.

Vamos imaginar que o pessoal dos outros países esteja doido para ouvir as ideias de Lula, que, como se sabe, são brilhantes. Por que esse pessoal não paga para ouvir Lula? Por que a Odebrecht, Andrade Gutierrez, OAS, e outras empresas implicadas na Lava Jato, é que pagam essas palestras?

CARLOS LOPES

 

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História da Petrobrás - (1)