Repúdio a Dilma-Temer aumenta em todo o país

Manifestações deixaram claro: nem um, nem outro

A autoridade mais importante que falou sobre as manifestações de domingo, o ministro Jaques Wagner, atribuiu o afluxo de pessoas à convocação feita pelo Habib’s – rede de comida árabe da capital de São Paulo – e pela Fiesp. Parece até que o Habib’s distribuiu esfihas para quem foi lá ou a Fiesp fez uma fila para o pessoal receber uma grana...

O que foi característico dessas manifestações, pelo contrário, foi o fato de tanta gente aparecer, apesar dos supostos organizadores não terem a menor ideia do que é uma manifestação. Mas ninguém foi lá para ouvir esses rapazes, que nem sabem em que lugar o galo está cantando...

Mesmo assim, apareceu gente como não acaba mais, umas três milhões e 400 mil pessoas em todo o Brasil, segundo a polícia – o que é um pouco mais de 1,6% da população do país.

Por quê? Porque ninguém aguenta mais esse governo. Nem as tentativas de negar ou abafar o assalto do cartel de empreiteiras à Petrobrás, difamando os investigadores e o juiz Sérgio Moro, que nada mais fez, até agora, do que ser juiz, é verdade que com rara competência.

PROPINAS

Um dos sintomas agudos de que o estado de coisas – pode-se dizer, o atual regime político e econômico que oprime o Brasil – apodreceu além de qualquer possibilidade de regeneração, está na surpresa manifestada por alguns quase-morubixabas petistas, peemedebistas e peessedebistas, em relação ao número de pessoas que foram às ruas no domingo.

Mas, como poderia ser diferente?

No sexta-feira foi noticiado que a Andrade Gutierrez, nas eleições de 2014, pagou propina sob a forma de contribuições "legais" à campanha de Dilma e Temer (ver matéria nesta página).

Uma de nossas grandes figuras históricas, Gabriel Passos, que, apesar de pertencer à UDN, foi ministro das Minas e Energia do presidente João Goulart e grande defensor da Petrobrás, disse uma vez: "Quem compra voto, vende o povo".

Esse é o caso de quem chegou ou ficou no poder às custas das propinas para roubar a Petrobrás. O exemplo acabado é Dilma Rousseff - e seu duplo, Michel Temer. Não há diferença entre comprar voto e abusar do poder econômico ou financeiro em uma eleição. Todo abuso eleitoral do poder econômico é, a rigor, uma compra de votos – e, pior ainda, se o dinheiro tem origem no roubo a uma propriedade estratégica do povo brasileiro, como a Petrobrás.

No entanto, na segunda-feira, alguns elementos falavam em "acordo" - em verdade, um "acerto" - para manter a podridão. Acerto, evidentemente, em torno de Temer.

Fazer o impeachment de Dilma sem o de Temer é um escárnio. Os dois se beneficiaram das mesmas atividades de pilhagem e propina em cima da Petrobrás – e todo mundo sabe disso.

As pessoas que foram as ruas no domingo - é tão óbvio que seria quase desnecessário dizer - não queriam apenas Dilma fora do Planalto. Que o digam o sr. Alckmin e o sr. Aécio, que quase foram corridos da manifestação – na verdade, foram corridos.

Por que as pessoas veriam Temer de forma diferente de Dilma, Cunha, Renan, Alckmin ou Aécio?

O divórcio – para usar uma palavra suave – é tão grande entre a população e os meios políticos oficiais que a vontade predominante é mandar todos os representantes desse regime falido para a execução política. É aí que se manifesta, ainda com maior clareza e força, o caráter antidemocrático, antipopular e imoral do atual regime: com raras exceções, o interesse dos que dele participam não tem contato algum – ou intercessão alguma - com o interesse do povo. O que interessa é se arrumar na vida, abrigado por algum monopólio e recebendo uma estia – como dizem os bicheiros: suborno, propina, para votar no que é pior para o país. Nisso - com as exceções mencionadas - há pouca diferença entre o DEM do senador Agripino e o PT da senhora Rousseff. Ou será que o móvel de suas ações é o patriotismo?

Assim, manter o mesmo esgoto, a mesma falta de escrúpulos, a mesma falência moral, o mesmo rancor ao Brasil, o mesmo desprezo pelos brasileiros, a mesma prostituição política, que só favorece alguns bancos e outros monopólios, daqui e de fora, é apagar fogo usando gasolina de alta octanagem.

O programa apresentado pelo PMDB, com o título surrealista de "Uma ponte para o futuro", é o mesmo que o PT vem aplicando ao país – e o mesmo do PSDB – com Temer & quadrilha pretendendo angariar as benesses e pixulecos dos monopólios financeiros, acelerando o programa dilmista.

Eis um resumo – apenas um resumo - do programa de governo divulgado pelo PMDB:

1) cortar mais ainda os gastos públicos; 2) eliminar a verba mínima constitucional para a Educação e a Saúde; 3) permitir aposentadorias abaixo do salário mínimo; 4) eliminar os direitos trabalhistas, ao "permitir que as convenções coletivas prevaleçam sobre as normas legais"; 5) aumentar os repasses de juros para os bancos privados; 6) privatização de "todas as áreas de logística e infraestrutura"; 7) fim da lei de partilha no pré-sal para entregá-lo mais rapidamente às multinacionais; 8) submeter o país aos interesses comerciais dos EUA – a bem dizer, dos monopólios privados e cartéis norte-americanos; 9) entregar ao "mercado" a administração das empresas estatais; 10) sob pretexto de "segurança jurídica para a criação de empresas e para a realização de investimentos", conceder impunidade a cartéis do tipo que assaltou a Petrobrás (cf. PMDB, "Uma ponte para o futuro", pp. 18 e 19).

É preciso ter banha no cérebro para achar que a crise pode ser resolvida com o aumento de intensidade de todos os fatores que levaram e mantêm a crise.

Assim, o PT está procurando negar a crise que provocou, colocando-a nas costas dos que combatem a corrupção, para que tudo continue na mesma – o que quer dizer, pior, pois nada fica parado. Enquanto isso, o PMDB e parte do PSDB querem um acerto para que tudo continue na mesma – o que quer dizer, também, pior.

Quando se chega a esse ápice de desligamento da realidade – e se continua nele, apesar de tudo – é porque os chefetes políticos oficiais já são cadáveres políticos, múmias ou roedores póstumos, que, exceto formalmente, exceto no plano das aparências (ou nem isso), já não significam nada para a democracia. Ou, aliás, significam um obstáculo para a democracia.

JUROS

Hoje, é possível dizer que "todo o poder emana do povo"?

É possível, hoje, dizer, como também está na Constituição, que estamos em um "Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos"?

Não, não é possível.

O país está no abismo da pior crise de sua História. Os salários reais estão sendo volatizados; as falências estendem-se da indústria aos serviços, com o desemprego ultrapassando já, tudo indica, três milhões de trabalhadores desde janeiro de 2015; os juros estrangulam o país; os investimentos públicos tendem a zero; e a indústria, único setor que pode impulsionar o crescimento do país, está reduzida a uma coleção de maquiadoras multinacionais e a algumas poucas empresas nacionais que sobrevivem lutando contra o próprio governo do país de que são parte.

A questão é que não é possível superar esse quadro com esse governo - ou com outro que seja o mesmo até na antipatia do titular, que se beneficiou tanto da ladroagem quanto a atual titular.

CARLOS LOPES

 

 

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Repúdio a Dilma-Temer aumenta em todo o país

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ESPORTES

CARTAS

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História da Petrobrás - (3)