Lula se apavora e assume governo mais impopular da história do país

Manobra revoltou os cidadãos de bem da nação, que repeliram nas ruas o escárnio

No fechamento desta edição, o juiz federal Itagiba Catta Preta Neto suspendeu a nomeação de Lula para a Casa Civil, por "desvio de finalidade" - a nomeação seria uma forma de interromper uma investigação já em curso, ao mudá-la, em função do foro privilegiado dos ministros, para o Supremo Tribunal Federal (STF). O que é crime de responsabilidade, pois nenhum mandatário, menos ainda a presidenta, pode usar o seu cargo para obstruir investigações e a Justiça.

VERGONHA

Durante a posse de Lula, o deputado federal Major Olímpio bradou "vergonha!", e, depois, declarou: "Eu vim à posse para dizer em nome do povo brasileiro que é inadmissível colocar o Lula como ministro por medo de um juiz".

O mais cretino na conduta de Lula é achar que o STF será menos rigoroso que o juiz Sérgio Moro. Mas a visão que ele tem do STF é a que expressou para Dilma em uma das gravações de telefonemas, divulgadas na quarta-feira: "Nós temos uma Suprema Corte totalmente acovardada".

É assim que ele vê a Justiça. Como uma projeção do seu medo – e é forçoso concluir que ele vê no juiz Moro algo que não é o juiz Moro, mas, talvez, uma severa e cruel figura paterna, a punir comportamentos que ele, na vida infantil, não conseguia entender, talvez com razão, que eram errados.

Daí esse pânico, essa descompensação que o tomou, desde que a juíza Maria Priscilla Oliveira enviou o pedido de prisão dos promotores paulistas para o juiz Sérgio Moro.

Tudo indicava que Moro indeferiria o pedido. Mas isso não impediu Lula de ficar apavorado.

Daí até o governo lançar uma edição extra do Diário Oficial da União, para que a nomeação de Lula saísse na própria quarta-feira - e a presidenta telefonar para ele, avisando: "Seguinte, eu tô mandando o Messias junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o Termo de Posse, tá?!" - foi um passo muito pequeno.

Somente para completar essa questão: é evidente que Dilma estava enviando o Termo de Posse para que Lula o usasse em caso da polícia chegar com uma ordem de prisão. A destrambelhada interpretação oferecida depois pelo governo tem um problema: não explica porque, ao mesmo tempo, foi necessário inventar uma edição extra do Diário Oficial.

Dias antes, Lula dizia que "se eu for preso, viro herói". Quando houve um pedido real de prisão, apesar de inconsistente, mal fundamentado, e este foi enviado a Moro, a fanfarronada desabou. Por quê?

Tantas pessoas inocentes foram presas na História por defenderem suas convicções, e jamais descompensaram por causa disso, que é forçoso concluir que Lula sabe perfeitamente que não está defendendo convicções, mas os seus próprios malfeitos – e os de seus protetores, do gênero Odebrecht.

O sujeito que Dilma nomeou para a Casa Civil tem pouco a ver com aquele Lula que governou razoavelmente o país até 2010.

Talvez o atual seja uma condensação dos piores defeitos do primeiro ou as qualidades deste tenham sido irreversivelmente corrompidas por colocar-se acima do povo ("eu sou a única pessoa que poderia incendiar esse país", diz ele em um dos telefonemas, "e eu não quero fazer como Nero, sabe? Não quero!"; quando se precisa dizer isso, tudo está mal arranjado, sobretudo a cabeça do elemento).

O fato é que o Lula da Odebrecht, da OAS e da Andrade Gutierrez, o Lula que recebe regalos dos que roubaram a Petrobrás, o Lula que encobre bandidos monopolistas, o Lula que acha a promiscuidade com a corrupção uma homenagem à sua capacidade, esse não é o Lula que o povo votou em 2002 e 2006.

Essa sombra que caminha é o ministro de Dilma, o cara (perdão pelo mau estilo) que uma presidenta consumida moralmente pela própria mentira, incapaz, submissa aos inimigos do país, e, de resto, maluca, pediu que governasse em seu lugar, para fazer a mesma coisa que a conduziu ao Inferno.

Na quarta-feira, a ex-senadora Heloísa Helena, que conhece bem a cúpula do atual governo, e hoje é vereadora da Rede Sustentabilidade em Maceió, ao propor eleições gerais, disse que, nesse governo, "onde aperta sai pus". Sobre a suposta perseguição a Lula e Dilma, disse ela: "Como sou parte dos sobreviventes da árida caatinga, prefiro a máxima popular do meu sertão: ‘Quem for podre que se quebre’, aqui e alhures". E falou algo memorável:

"Aprendi o quanto é cômodo, fácil e sedutor viver em conluio com os que vendem a alma pelo poder, roubam descaradamente e mentem cinicamente. Mas as derrotas me ensinaram, especialmente, que sou parte da imensa multidão dos que ousam defender o que acreditam; dos que ensinam aos filhos que é proibido roubar; dos que enxugam as lágrimas e erguem a cabeça para continuar a travessia aprendendo com o passado, mas sem olhar para trás! Parece romântico? Não é, não! É apenas a dura vida vivida igualzinha a muitas outras pessoas que não se venderam nem se renderam".

O espantoso nas gravações de telefonemas de Lula, é a nenhuma preocupação com o Brasil. As conversas giram em torno de interesses mesquinhos – o mais das vezes sobre como anular ou neutralizar a Operação Lava Jato ou como fazer para Lula escapar da cadeia.

A única pessoa que fala de algum problema real do país é o presidente da CUT, Vagner Freitas, que anuncia o seu rompimento com o governo, após o acordo patrocinado pelo Planalto para aprovar o projeto de Serra, que retirava da Petrobrás a condição de operadora única no pré-sal.

Freitas diz a Lula: "... Depois desse negócio da Petrobrás, nós vamos largar de mão, Presidente. Não dá mais, entendeu? Eu fui lá falar com o (ininteligível) e eles acham que tá tudo correto. Berzoini, por exemplo, foi a coisa mais bonita que ele fez na vida o acordo. Entendeu? Então eu fui falar com o [Jaques] Wagner e com o Berzoini. O Berzoini me disse que, na realidade, não entregou nada. Tem um acordo muito bem feito. Que era pra não ter a derrota do Governo. É muito ruim o Governo ser derrotado. Eu falei: não é o Governo de você [que foi] derrotado. Foi derrotado todo o nosso projeto. (…) Os caras, não é só ela [Dilma] também. Os caras também tão achando que tá tudo bem. Que o mundo tá uma maravilha".

A resposta de Lula é marcar uma reunião com Freitas porque "eu tô preocupado também, querido. Tô preocupado porque tem muita crítica do PT ao Governo".

Eles estavam conversando sobre um ato de traição ao país cometido pelo governo Dilma. Mas Lula estava preocupado em conter as críticas de petistas ao ato de traição de Dilma.

CARF

Também aparece o deputado Guimarães (PT-CE), líder do governo, para dizer a Lula que "seguramos também hoje a CPI do CARF, né, pra não ter problema!".

O CARF, investigado pela Operação Zelotes, é um escândalo que envolve um dos filhos de Lula, que recebeu R$ 2,5 milhões de dois lobistas.

Outro exemplo é Lula recomendando ao deputado Wadih Damous (PT-RJ) um tratamento mussoliniano para a equipe da Lava Jato:

"... um filho da puta desses qualquer que fala merda, ele tem que dormir sabendo que no dia seguinte vai ter dez deputados na casa dele enchendo o saco, no escritório dele enchendo o saco, vai ter uma representação no Supremo Tribunal Federal, vai ter qualquer coisa... Vai ter dez discursos na Câmara contra ele, vai citar o nome dele, sabe? Se não parar com esse negócio de que eles tão acima do bem e do mal. Sabe?"

Não parece ser o pessoal da Lava Jato que se considera acima do bem e do mal...

CARLOS LOPES

 

 

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