Temer troca PT por PSDB para manter sua sina antinacional

Na reunião do dia 29 prepara o PMDB para aderir a outro governo neoliberal

Na quarta-feira, em reunião no Palácio do Jaburu, Temer confirmou, para o dia 29, a reunião do diretório nacional do PMDB, em que pretende pular fora do barco do PT para se juntar ao PSDB.

Temer é uma rara vocação: pode variar a quem trai e a quem adere. O que jamais varia é a traição – pela qual tem uma adstringência absoluta. Faz parte da sua fisiologia. Assim, aderiu ao governo de traição nacional de Fernando Henrique, pulou para o governo do PT e tornou-se vice no governo de traição nacional de Dilma. Ele sempre trai até a traição de outros para aderir à traição de mais outros.

Trata-se de uma carreira insigne na vida política brasileira, a desse sucessor de Silvério: nada há de notável que tenha feito na vida. É apenas um alpinista, desses que servem a qualquer interesse que lhe possa ser útil para subir – o que, no caso, significa, sempre, abaixar-se.

Vejamos o programa de governo que Temer, já infectado pela mosca azul da desagregação do governo Rousseff, divulgou no final do ano passado - o alucinado "Uma ponte para o futuro".

Lá está dito que é preciso mudar a própria base legal do país ("amplo esforço legislativo") para "um funcionamento virtuoso do Estado" (Temer, como se sabe, é cheio de virtudes), para o que será necessário "enfrentar interesses organizados e fortes".

Temer querendo enfrentar "interesses organizados e fortes"? Será algum milagre de São Serapião?Será um efeito do esquentamento global?

Que "interesses organizados e fortes" Temer quer enfrentar?

Os "interesses organizados e fortes" dos bancos e fundos especulativos – sobretudo externos? Os "interesses organizados e fortes" das multinacionais? Os "interesses organizados e fortes" dos sucedâneos do cartel das empreiteiras?

Para isso, somente se Temer trocasse de alma com algum sujeito honrado, racional, patriota, brasileiro e corajoso. Mas é difícil que algum sujeito com essas qualidades lhe suprisse de alma, isto é, de caráter – e mais difícil, aliás, impossível, que um elemento como Temer, que acha que a chave do sucesso consiste na ausência absoluta dessas qualidades, quisesse essa troca.

Então, de que Temer (ou o PMDB) está falando? Eis o que está no próprio programa de Temer:

- "na área trabalhista, permitir que as convenções coletivas prevaleçam sobre as normas legais" - o que significa eliminar qualquer direito, pois transforma a lei ("normas legais") em letra morta.

- "o novo orçamento tem que ser o fim de todas as indexações, seja para salários, benefícios previdenciários e tudo o mais" - em suma, reduzir o valor real (o poder aquisitivo) dos salários, benefícios e "tudo o mais", corrigindo-os abaixo da inflação ou não corrigindo-os; em outro trecho: "Quando a indexação é pelo salário mínimo, como é o caso dos benefícios sociais, a distorção se torna mais grave, pois assegura a eles um aumento real". Gravíssima distorção, não deixar os aposentados morrerem de fome...

- "orçamento com base zero" - isto é, cancelamento dos programas estatais de um ano para outro, de acordo com parecer de um "comitê independente" (com certeza, independente do povo).

- para aposentadoria, "introduzir uma idade mínima que não seja inferior a 65 anos para os homens e 60 anos para as mulheres" - traduzindo: só permitir aposentadoria pouco antes da morte, ou nem isso.

- "O Brasil gasta muito com políticas públicas" - o que é mentira: o governo gasta muito pouco com o povo. O único item em que o governo gasta muito são os juros que transferem dinheiro público para os bancos e demais especuladores. Mas Temer propõe cortar até as miseráveis verbas atuais. Por isso, diz que "o Brasil gasta muito com políticas públicas".

Quanto aos juros, propõe que sejam mantidos nas bandidescas taxas atuais até "alcançar a estabilidade da relação Dívida/PIB e uma taxa de inflação no centro da meta de 4,5%". Como se viu no fim do governo Fernando Henrique, e, agora, no fim do governo Dilma, é impossível "alcançar a estabilidade [em níveis decentes] da relação Dívida/PIB e uma taxa de inflação [igualmente decente]" sem baixar os juros; portanto, a proposta de Temer equivale a manter os juros eternamente na galáxia de Andrômeda.

- "... desajuste fiscal chegou a um ponto crítico. Sua solução será muito dura para o conjunto da população" - ou seja, escalpelar a população ("solução muito dura"), saquear os seus recursos, para passar mais renda e patrimônio ao setor financeiro ("ajuste fiscal").

- "executar uma política de desenvolvimento centrada na iniciativa privada, por meio de transferências de ativos" - isto é, privatizar a propriedade do povo que ainda resta, diminuir ainda mais os investimentos públicos, sem os quais não há crescimento (nem investimentos privados significativos); "concessões amplas em todas as áreas de logística e infraestrutura" - ou seja, privatização (e desnacionalização) completa da energia e outras bases do desenvolvimento, entravando-o completamente.

- "retorno a regime anterior de concessões na área de petróleo" - traduzindo: o pré-sal para as multinacionais, sob a famigerada lei de Fernando Henrique, aderindo à proposta entreguista do sr. Haroldo Lima.

- "garantir o melhor nível possível de governança corporativa às empresas estatais e às agências reguladoras, com regras estritas para o recrutamento de seus dirigentes" - ou seja, entregar às estatais e sua fiscalização (agências) à "gestão" dos transviados rapazes do mercado financeiro, que odeiam as estatais, o povo e o Brasil. Só gostam de roubar dinheiro, para si e seus amos.

- "realizar a inserção plena da economia brasileira no comércio internacional, com maior abertura comercial e busca de acordos regionais de comércio em todas as áreas econômicas relevantes – Estados Unidos, União Europeia e Ásia – com ou sem a companhia do Mercosul (…) para que o nosso setor produtivo integre-se às cadeias globais de valor" - a maior parte de nossos leitores já conhecem essa linguagem de escroques: tornar a nossa economia um mero apêndice, colonial e esfomeado, da economia dos EUA e seus satélites, mais ainda do que já é. E que se danem os países latino-americanos e demais mercados onde mais nossos produtos podem penetrar. Tudo pela submissão aos EUA.

- "construir uma trajetória de equilíbrio fiscal duradouro, com superávit operacional" - ou seja, aumentar as transferências de juros do setor público aos bancos;

- "estabelecer um limite para as despesas de custeio inferior ao crescimento do PIB" - isto é, deixar em ruínas as escolas e hospitais públicos, a segurança, a defesa nacional e qualquer coisa que diga respeito ao atendimento do povo ou aos interesses nacionais;

- "acabar com as vinculações constitucionais estabelecidas, como no caso dos gastos com saúde e com educação (…) eliminar as vinculações e as indexações que engessam o orçamento" - ou seja, eliminar as verbas mínimas para a Saúde e Educação.

Os "interesses organizados e fortes" que Temer quer enfrentar, e eliminar, são os dos aposentados, os dos trabalhadores, os das mulheres, dos jovens e das crianças – enfim, os do Brasil.

Não será com um elemento desses que o Brasil sairá da crise. Pelo contrário, mais fácil seria explodir. O que torna mais urgente a participação popular através de eleições gerais para salvar o país.

CARLOS LOPES

 

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