Ladrões se queixam que o juiz Sérgio Moro não deixa roubar

Assalto bilionário à Petrobrás não incomoda os críticos da Lava Jato

Depois de ouvir o ex-presidente Lula e ler alguns petistas - e, também, alguns áulicos do dilmismo negocista – chegamos a algumas revelações extraordinárias, daquelas que nem Kardec ou o apóstolo João conseguiram ver, quanto mais revelar.

Sabe, leitor, os 3 milhões de desempregados que o governo Dilma, com apoio total de Temer, fez em apenas um ano de segundo mandato?

Ou os R$ 502 bilhões – ou seja, mais de meio trilhão – em juros, que o governo obrigou o setor público a passar aos bancos em 2015, estrangulando todas as empresas produtivas? Ou as taxas de juros altíssimas, que paralisaram toda a economia? Ou os cortes no investimento e nos gastos públicos que explodiram os serviços públicos e jogaram a economia no pântano?

Ou as 100 mil lojas que fecharam em 2015 e as 4.500 indústrias que fecharam, só em São Paulo?Ou a queda de 11,2% na massa salarial real? Ou o parafuso de -19,29% nas exportações em 2015?

Sabe, leitor, quem é o culpado?

Pois é, não foi a Dilma nem o Temer, nem o Cunha nem o Renan – que apoiaram toda essa porcaria.

O culpado, leitor, segundo esses pais da pátria de caráter sem jaça, honra imaculada e honestidade comprovada – a Dilma, o Lula, o Cunha, o Temer, o Renan – é o juiz Sérgio Moro. E, claro, também os membros da Operação Lava Jato.

Agora, Temer foge do barco do PT e pula para o barco do PSDB – com a condição, para que tenha o apoio de Renan, Cunha, Aécio, Serra, e o escambau, de abafar a Operação Lava Jato.

Segundo Lula, "quando tudo isso terminar (…) pode ter muito desempregado".

Portanto, a política do governo – um arremedo piorado dos tucanos, que Temer quer ainda piorar – não tem culpa nenhuma nisso.

O culpado é o Moro, assim como de qualquer coisa de ruim que aconteça ou exista no país. O pior dos males – eis um ponto comum entre o PT, o PMDB, o PSDB e outros menores – é o combate ao roubo da propriedade pública. Se o povo e o Moro deixarem eles roubar, a economia vai virar um foguete...

É tão ridículo e indecente, que nos dispensamos de demonstrar o oposto. O povo, graças aos céus, existe e pensa, ao contrário do que acham todos esses carcomidos.

Mas, vejamos apenas um caso.

Há poucos dias, um débil mental anunciou que Moro era "treinado pelos americanos" - o que equivale a "agente da CIA". Jogando com o desconhecimento das pessoas em relação ao inglês, disse o mentecapto que encontrou as provas no Wikileaks.

Obviamente, o Wikileaks adquiriu sua imensa credibilidade pela divulgação de documentos secretos dos EUA. Logo, a palavra Wikileaks sugere algum documento sigiloso com coisas escabrosas – por exemplo, Serra dizendo aos americanos que vai entregar a eles o pré-sal ou Lula fazendo lobby para a Odebrecht (sobre o último, ver os seguintes telegramas diplomáticos, divulgados pelo Wikileaks: Cable reference id: #06CARACAS3561 de 07/12/2006; #07LUANDA1116 de 30/10/2007; #08QUITO996 de 21/10/2008; e #09PANAMA765 de 14/10/2009).

Mas o documento americano em que aparece Moro não é desse tipo.

Primeiro, é um documento não-sigiloso ("unclassified") sobre uma atividade pública – a conferência que, em 2009, a "coordenadoria de contraterrorismo" do Departamento de Estado promoveu no Rio, com apoio do governo Lula, sobre lavagem de dinheiro.

Segundo, Moro estava lá como conferencista convidado e é mencionado da seguinte forma: "O juiz federal brasileiro Sérgio Moro discutiu os 15 problemas mais comuns que ele vê nos casos de lavagem de dinheiro nos tribunais brasileiros". O motivo do convite a Moro foi a fama que adquiriu como juiz do Caso Banestado – um processo sobre uma lavagem bilionária, operada por tucanos e pefelistas, que foi abafado pelo PT (v. o relato do senador Requião, na página 4 da nossa edição anterior).

Mas isso bastou para que outros espécimens do gênero (o gênero dos débeis mentais) saíssem por aí, dizendo besteira. Um deles exclamou: "que nojo!".

Essa malta perdeu o último vestígio de pudor. Não estão enojados com o roubo à Petrobrás, que a perícia da PF acusou em R$ 42 bilhões, fora os prejuízos com a Braskem. Não estão escandalizados porque as eleições tornaram-se uma casa de prostituição onde o candidato vale pelo que gasta ou pelo que recebe de meia dúzia de tubarões. Não estão nem arrepiados porque a democracia se tornou uma farsa ou porque a mais estratégica empresa brasileira, o símbolo da nossa capacidade, foi atacada e roubada.

Pelo contrário, eles querem continuar desse jeito, roubando cada vez mais, numa ditadura de bancos, monopólios e outros ratos da República.

Por isso, seu ódio é contra quem está colocando os ladrões na cadeia.

Até o último dia 12 de março, a Operação Lava Jato recuperara R$ 2,9 bilhões para a Petrobrás. Os policiais e procuradores haviam provado a passagem de R$ 6,4 bilhões em propinas.

Somente as ações já impetradas por improbidade administrativa contra empresas montam a R$ 11.764.099.313,64 (onze bilhões, 764 milhões, 99 mil, 313 reais e 64 centavos). O total dos pedidos de ressarcimento vai, até agora, a R$ 21,8 bilhões.

As contas secretas no exterior revelaram-se uma floresta tão labiríntica, que o Ministério Público da Suíça designou uma força-tarefa só para destrinchar as contas bancárias que têm relação com os investigados pela Operação Lava Jato. A investigação internacional se estende a 39 países, onde os ladrões que roubaram a Petrobrás esconderam dinheiro.

Houve, até agora, 49 confissões (as chamadas "colaborações premiadas") e cinco empresas aceitaram denunciar oficialmente o esquema de que faziam parte. As acusações criminais atingiram 179 réus. Já houve 93 condenações, totalizando 990 anos e sete meses de pena.

A quem esses crimes beneficiaram?

Além das empresas (o cartel da Odebrecht & cia.), os beneficiados foram funcionários corrompidos que representavam o PT, o PMDB e o PP – e políticos desses e de outros partidos, incluindo a sua cúpula.

Logo, os ataques contra o juiz Moro somente significam que essa gente – e isso inclui Lula, o sítio que não é dele, o triplex que não é dele e o celular que não é dele – não desistiu de roubar a Petrobrás e outros patrimônios do povo brasileiro.

Dilma e Temer, naturalmente, são beneficiários diretos desse assalto – e, vamos ser francos, leitores, é muito difícil que não soubessem dele.

Por quê?

Porque, senão, não estariam defendendo, ainda agora, com o Himalaia de provas que já desabaram sobre eles, que o roubo não existiu – ou, o que é o mesmo, que o problema do Brasil é o juiz Moro e a Operação Lava Jato.

Por que fariam isso, se não soubessem do roubo – e se não quisessem continuá-lo?

CARLOS LOPES

 

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História da Petrobrás - (7)