Temer-PSDB, pacto para abafar Lava Jato e manter a recessão

A saída é eleições gerais. De Temer ou Dilma, o país só pode esperar uma convulsão social

Se alguma dúvida fosse possível – sempre é - os recentes acontecimentos serviram para acabar com elas: o país necessita urgentemente de eleições para se livrar das quadrilhas que ainda pretendem, sem nenhum respeito pelo repúdio geral (ou seja, pelo povo), permanecerem grudados no Estado, no Tesouro, na propriedade pública e no dinheiro público.

Para que Dilma e seus asseclas querem ficar no poder? Para empreender algum projeto nacional? Para fazer algo em benefício do povo?

Eles não têm projeto, exceto o de submeter o país a bancos e outros monopólios.

Para quê? Racionalizações à parte, para se arrumar na vida às custas do dinheiro público.

PENADA

Convenhamos, estimado leitor, é preciso ser imbecil para acreditar que um governo que desempregou três milhões de trabalhadores em um ano e estrangulou a produção com a passagem, sob a forma de juros, de R$ 513,433 bilhões, em 12 meses, para bancos e outros especuladores, vá fazer algo mais que conseguir alguns sítios, triplex ou adegas climatizadas para os apaniguados do PT.

Claro, o problema deles é que a cadeia deixou de ser uma abstração para - graças ao juiz Moro, à Operação Lava Jato e ao povo - se transformar em algo que mora na esquina, às vezes até mais perto.

Mas esse é, também, o problema do PMDB e seu arreglo com os tucanos. Aquela rataria em polvorosa, na terça-feira, no Diretório Nacional do PMDB – o Jucá de mãos dadas com o Cunha e o escambau – não tem grandes diferenças ideológicas com Dilma. Mas Dilma não manda mais nada neste país. Tanto fez questão de mostrar a sua "autoridade" – sempre em cima dos que tinham menos condição de reagir – que, agora, ninguém liga para ela. Parece uma alma penada, como Collor também era, deambulando pelo Alvorada.

Um dos trechos mais interessantes das denúncias e pedidos de inquérito (são 49 investigados com forum privilegiado) do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, é aquele sobre as finanças do PMDB. Janot observa que 40% das doações que o PMDB registrou no Tribunal Superior Eleitoral em 2010, foram de empresas do cartel que assaltava a Petrobrás – uma concentração de R$ 37 milhões e 775 mil reais entre 09/06/2010 e 21/10/2010.

A Odebrecht não aparece nessas contas. Portanto, há forte possibilidade de que isso não seja tudo o que o PMDB recebeu das empresas agarradas pela Operação Lava Jato.

Mas, onde foi empregado esse dinheiro?

Supõe-se que, primeiramente, na campanha de Temer – tanto em 2010 quanto em 2014, Temer prestou contas em conjunto com Dilma, portanto, não é possível separar as contas de um e de outro. Embora, se quisesse, Temer poderia prestar contas em separado. Mas não o fez.

Porém, tal suposição é, provavelmente, excessiva boa vontade de nossa parte. A pergunta mais importante é: por que essas empresas passaram esse dinheiro para o PMDB? Ou: por que essas empresas estavam passando tanto dinheiro para o PMDB (40% das doações), se já estavam passando dinheiro de propina para o PT - que tinha a candidata a presidente?

Obviamente, porque o PMDB era parte do esquema de propinas dos que assaltaram a Petrobrás. O PMDB indicara a diretoria internacional e sustentara Paulo Roberto Costa na diretoria de Abastecimento da Petrobrás, após a morte de José Janene, do PP, que operava com o doleiro Alberto Yousseff (o uso de Yousseff pelo PMDB e pelo PT foi uma adesão ao esquema Janene; o próprio Yousseff passou a intermediar para o PP).

Os investigadores relacionam os montantes recebidos pelo PMDB com aqueles encontrados nas contas do deputado Aníbal Gomes, emissário de Renan Calheiros para assuntos propinescos, e notam que 61% das doações recebidas por este último, via Diretório Estadual do PMDB de Alagoas, tiveram por origem as empresas da Lava Jato: Camargo Correa, OAS, Galvão, UTC e Engevix.

O que é hoje a cúpula do PMDB? Uma turma que faz tudo para não ser o futuro time de porrinha da penitenciária de Curitiba:

O Renan, com nove inquéritos em cima dos costados, bancado até as entranhas pelo cartel da Lava Jato, ainda procurando algum abrigo debaixo das saias da senhora Rousseff - com perdão pela expressão, mas não encontramos outra melhor.

O Cunha, com as contas ex-secretas aparecendo pelos fundilhos e com a revelação de que era um evangélico do templo Chanel, na Avenue Montaigne, em Paris. Era lá e em Nova Iorque que o Cunha gastava a propina que recebia. A lista das despesas suntuosas é tão grande, que deixamos para uma matéria especial, na próxima edição.

À esquerda do Cunha (hum...), na reunião, estava o Jucá, que foi líder do governo do PSDB, foi líder do governo do PT, e agora é candidato a líder – ou coisa mais lucrativa – de um suposto governo do PMDB. Jucá ainda não conseguiu explicar como, depois de ser um dos articuladores da continuação de Paulo Roberto Costa na diretoria de Abastecimento da Petrobrás, teve a empresa de seu irmão, a Diagonal Consultoria, contratada pela estatal – e adivinhe o leitor qual foi o diretor da Petrobrás que contratou a empresa do irmão do Jucá...

Havia também o Raupp, que levou R$ 500 mil direto das propinas, via Alberto Yousseff, e mais duas lapadas da Queiroz Galvão, que entraram, todas, como doação oficial... mas vamos parar por aqui, porque o espaço não é infinito – principalmente no HP. Senão, teríamos que sair do ramo dos jornais para entrar no ramo das enciclopédias.

ROUBO

O que une agora essa súcia do PMDB e mais a súcia tucana?

Ora, a vontade de roubar – e se livrar da cadeia. O que mais? Sem dúvida não é a realização do destino do Brasil que os une.

Certamente, eles pretendem deixar os idosos com uma aposentadoria mais miserável ainda e estabelecer uma idade mínima para que quase ninguém possa se aposentar antes de morrer; pretendem acabar com o mínimo constitucional de verbas para a Saúde e Educação; pretendem manter a escorcha dos juros que sufoca o país; pretendem privatizar desde o pré-sal até a Casa da Moeda; e pretendem acabar com os direitos trabalhistas, entre outras coisas; tudo isso, em linguagem de escroque, está no programa que Temer divulgou, cujo único eixo é arrancar o couro do povo para favorecer bancos, multinacionais e alguns monopólios internos, do tipo daqueles que assaltaram a Petrobrás.

Mas por quê e para quê? Certamente que não por ideologia, exceto a ideologia do roubo.

Por isso, essa união em torno de Temer. Até o Renan aderiu, como sempre, do jeito dele, aderindo a um lado e aderindo ao outro lado.

Existe, leitor, alguma dúvida de que precisamos varrer essa escória – as duas – e que a única forma pacífica de tal fazer, é convocar eleições o mais rapidamente possível, para que o povo reponha sua soberania sobre o país?

Pois, é certo que de Temer ou de Dilma nosso país só pode esperar a convulsão social.

CARLOS LOPES

 

Capa
Página 2
  Página 3

Temer-PSDB, pacto para abafar Lava Jato e manter a recessão

Ministro da recessão “defende” Dilma

Cunha é obrigado a recuar de mais uma manobra

PSB descarta retornar à base dilmista

PMDB foi o maior sócio e beneficiário desse governo nos últimos 13 anos, diz Marina Silva

Eleições Já! (Vladimir Palmeira)

Lula e Dilma ignoraram todos os meus avisos, afirma Ciro

PF identifica agressores do ministro Teori Zavascki

Página 4 Página 5

Servidores: governo tenta impor PL para pilhar salário e demitir

Funcionários públicos do Rio voltam às ruas para exigir pagamento dos salários

Rio Grande do Sul anuncia que funcionalismo terá vencimento de março parcelado até o final de abril

Professores de SP rejeitam proposta de Alckmin que suspende bônus e reajusta salários em 2,5%

Desemprego na Grande SP sobe de 14% para 14,7% em um mês

“Fora Dilma e Temer! Eleições Gerais Já”, defende a CGTB

ESPORTES

Página 6

Inglaterra: privatizada, indústria do aço está à beira da falência

Charlie Hebdo faz piada sobre a desgraça dos atingidos pelo atentado em Bruxelas

“Usamos sanções econômicas em relação a países que se negam a nos atender e a mudar seu comportamento”

Convenção da ONU reafirma decisão: Malvinas argentinas

Liberdade, igualdade, fraternidade abandonadas para o exílio forçado

 

Página 7

França para contra assalto de Hollande ao Código do Trabalho

Sarandon defende Sanders por ser o melhor para presidir os EUA e para derrotar Trump

Corte Europeia mantém impunidade dos policiais ingleses que mataram o brasileiro Jean Charles

Japoneses repudiam “reforma” que permite aos EUA usar FFAA nipônicas como bucha de canhão

Uma luz no fim do túnel?

Produção industrial do Japão despenca 6,2% em fevereiro


Boeing anuncia demissão de 4,5 mil trabalhadores


 

Página 8

História da Petrobrás - (8)