Planos de demissões se iniciaram em 2014, sob o comando de Graça Foster. Na foto, protesto de trabalhadores demitidos em 2015, na ponte Rio-Niterói

170 mil demissões na Petrobrás são o fruto da política de Dilma

Privatização, desinvestimento e venda de ativos são parte do plano Dilma para o desmonte da estatal. Para Bendine esta é a “realização de um sonho”

Nos últimos anos o governo da Sra. Rousseff vem sufocando a Petrobrás com uma forte política de desinvestimento e privatização, e agora está tentando colocar sobre a Operação Lava Jato a responsabilidade na demissão de 169,7 mil trabalhadores no período. A estatal e suas subsidiárias demitiram, desde dezembro de 2013, cerca de 40% de seus empregados, que na época eram 446,3 mil.

Em 2014, sob direção da amiga de Dilma, Graça Foster, 74,3 mil petroleiros perderam o emprego. Já sob comando de Aldemir Bendine, 95,4 mil foram demitidos até fevereiro deste ano. A Petrobrás está hoje com um efetivo semelhante ao de 2007.

A maior parte das demissões, 85,4%, ocorreu nas subsidiárias que realizavam obras para a estatal, de 175,8 mil trabalhadores em dezembro de 2013 para apenas 30,8 mil em fevereiro de 2016. Ou seja, cortou onde seria mais rápido e fácil.

Dos funcionários próprios da estatal, 7.500 foram desligados pelo plano de demissão voluntária (PDV), lançado em 2014, alcançando quem tinha tempo para pedir aposentadoria.

Outro PDV pode ser apresentado nos próximos dias, desta vez focado em reduzir mais significativamente o número de trabalhadores próprios e abarcando também trabalhadores mais jovens. A Petrobrás tem atualmente 78 mil trabalhadores, e fala-se em um corte de até 15%, podendo chegar a 11,7 mil trabalhadores.

O plano de reestruturação reduziria os cargos executivos e gerenciais em 40%, enquanto nas subsidiárias as obras continuam reduzidas ou paralisadas e a perspectiva é a não renovação dos contratos que estão para vencer. A Petrobrás também está devolvendo uma de suas sedes no Rio e prédios em outros estados.

CORTES E PRIVATIZAÇÃO

Em outubro de 2013, com o leilão do Campo de Libra, o governo Dilma deixou muito claro o papel que queria que a Petrobrás cumprisse no desenvolvimento país. O maior campo de petróleo do mundo, descoberto pela própria estatal, foi aberto às multinacionais.

Em janeiro deste ano o Plano de Negócios e Gestão 2015-2019, o Conselho de Administração da Petrobrás cortou US$ 32 bilhões dos investimentos, passando de US$ 130,3 bilhões para US$ 98,4 bilhões. A redução se deu sob o pretexto de se adequar à taxa de câmbio, a queda do preço do petróleo, geração de valor para os acionistas e o endividamento.

Ao mesmo tempo a estatal manteve o plano de desinvestimentos (que significa a privatização do patrimônio, mascarada de “venda de ativos”) em US$ 15,1 bilhões para o biênio 2015-2016. Através do qual, em 28 de dezembro passado, formalizou a venda de 49% da Companhia na Gaspetro para a japonesa Mitsui, no valor de R$ 1,93 bilhão. Como aconteceu também com 25% da BR Distribuidora, com a frota de petroleiros, entre outros.

VENDINE

O banqueiro que ocupa a presidência da Petrobrás, que nada entende de petróleo, mas foi colocado no cargo por Dilma justamente para “ajustar” a estatal a um novo modelo disse, em janeiro deste ano, que estava extremamente satisfeito e “realizava um sonho” ao anunciar, não só o “novo modelo de governança”, mas também a continuidade e aprofundamento da venda de ativos da empresa.

Especificamente a respeito das notícias sobre a venda da Transpetro, Bendine disse que “o desinvestimento, diante da necessidade, está a pleno vapor. Não temos qualquer restrição quanto a modelos de negócios, temos a cabeça aberta para isso, o que também se aplica a qualquer subsidiária”.

E completou afirmando que a empresa passa por uma fase terrível e pediu resiliência por parte dos trabalhadores e da sociedade.

À época, a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) respondeu em nota: “Podemos lembrar ao presidente da Petrobrás que resiliência não vem faltando aos petroleiros e petroleiras que atravessam o maior processo de privatização da empresa, não receberam PLR, enfrentam milhares de demissões e ainda são ameaçados com punições por uma greve realizada em defesa da estatal. A história já demonstrou e ensinou que, para a classe trabalhadora, o melhor sinônimo de resiliência é a luta”.

ENTREGA DO PRÉ-SAL

Já em fevereiro, Dilma golpeou a Petrobrás mais uma vez, em seu conluio com José Serra (PSDB), onde tentam revogar a obrigação da estatal ser a operadora única e ter participação mínima de 30% nos consórcios na exploração do pré-sal. O governo põe em prática sua política de apequenamento da empresa e não responde ao país, ao desenvolvimento, ao povo, e sim às multinacionais.

Os investimentos da Petrobrás representam parte considerável e decisiva do conjunto dos investimentos da economia brasileira. Portanto, a redução dos investimentos da estatal afeta diretamente a economia, e paralisar principal empresa brasileira submete o país aos interesses dos monopólios, assim como fizeram Collor e FHC.

É preciso ampliar e não reduzir investimentos, acabar com os leilões de petróleo e retomar a reconstrução das refinarias. E para isso pode-se contar com o financiamento do Banco Nacional e Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que infelizmente, com essa política entreguista, tem se resumido a liberar muito dinheiro para as multinacionais, construtoras corruptas e afins.

CAMILA SEVERO

 
Capa
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Temer-PSDB, pacto para abafar Lava Jato e manter a recessão

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ESPORTES

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Liberdade, igualdade, fraternidade abandonadas para o exílio forçado

 

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França para contra assalto de Hollande ao Código do Trabalho

Sarandon defende Sanders por ser o melhor para presidir os EUA e para derrotar Trump

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Uma luz no fim do túnel?

Produção industrial do Japão despenca 6,2% em fevereiro


Boeing anuncia demissão de 4,5 mil trabalhadores


 

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História da Petrobrás - (8)