Metalúrgicos exigem “Salvem nosso aço” diante
do parlamento inglês
 

Inglaterra: privatizada, indústria do aço está à beira da falência

     A indústria de aço da Inglaterra, antes reunida na nacional British Steel, foi comprada pela indiana Tata Steel em 2007. Com a estagnação da produção, anuncia prejuízos e ameaça fechar as portas com demissões que podem atingir 40 mil trabalhadores

 Com a indústria paralisada, surge a ameaça de que aquela que já foi a maior produção de aço do planeta, a indústria de aço da Inglaterra, feche as portas.

Nos últimos dias, o premiê David Cameron, está tendo que responder a declaração dos donos da empresa indiana, Tata Steel, que é a atual dona das fábricas centrais da produção inglesa do aço, de que diante dos prejuízos vai fechar as portas ou mesmo entregar as suas unidades de graça a quem quiser.

A empresa indiana diz que está perdendo 1 milhão de libras por dia e que não pode mais arcar com o prejuízo. Adquirente, em 2007, da Corus, uma empresa anglo-holandesa que se formara a partir da privatização da British Steel, começou a ter a situação deteriorada após a crise financeira de 2008 e com a política de “recuperação” baseada em arrocho para o povo e a indústria com o dinheiro do resgate indo salvar os mesmos bancos que engendraram a crise centrada nos papeis podres orquestrados a partir de Wall Street e que enxamearam até o sufoco a fiel escudeira, a City londrina.

Aliás, a também privatizada, a brasileira CSN, concorreu com a indiana Tata para comprar a Corus mas deu sorte de ter perdido o concurso, não sem antes prestar um pequeno favor aos acionistas da Corus, obrigando a Tata a elevar sua proposta em 34% e chegando a pagar 12 bilhões de dólares pela indústria.

Como tem denunciado a UNITE, maior central inglesa de sindicatos que inclui o dos trabalhadores na siderurgia, o sindicato Community, o fechamento seria o fim da produção em 14 unidades e a perda de emprego de 14 mil operários nas fábricas e um total de 40 mil, considerados os empregos indiretos.

O fator central delineado pelos diretores da Tata Steel para a perda de capacidade lucrativa da indústria de aço na Inglaterra seria um dumping do aço produzido na China. Segundo estudo da OCDE (Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) a produção de aço chinesa (que saiu de praticamente zero em 1950 – após a revolução socialista – para 10% da produção mundial e hoje 50% desta produção) está com margem de 400 milhões de toneladas em excesso.

Segundo o articulista Ambroise Pritchard, em artigo para o Telegraph, a Inglaterra decidiu não proteger sua produção e durante este período pós-crise. Os Estados Unidos cobraram entre taxas e multas 267% do valor sobre aço laminado chinês, enquanto a Inglaterra só gravou esta importação em 13%.

Mesmo quando a União Europeia tem tentado elevar as tarifas sobre o aço importado da China ao continente, o governo inglês tem imposto barreiras.

É claro que o fator chinês é fundamental para as dificuldades da produção de aço europeia mas não é o único e nem sequer o principal.

A política de desindustrialização e pró-bancos adotada na Europa não poderia levar a outro resultado. Afinal para que serve a indústria de aço se não para produzir equipamentos, máquinas e bens duráveis? Os dados estatísticos do parlamento inglês mostram que o país não chegou ainda a produzir os montantes anteriores a 2008. É 95% daquela produção. E mais, depois de uma leve expansão em 2013 e 2014, a indústria volta a apresentar queda em 2015 e segue caindo nos primeiros meses de 2016. Assim que segundo os índices de consumo Markit, considerando o início deste leve crescimento em 2013, como sendo 50, chega-se a janeiro de 2016 a 52,9 e a 50,8 em fevereiro. Ou seja o pequeno acréscimo está quase anulado.

É assim que o economista da Markit, Rob Dobson, dá uma declaração de tom sombrio: “A faixa de desaceleração é especialmente preocupante. O mercado doméstico está dando sinais de enfraquecimento e as exportações seguem caindo”.

Diante deste quadro o líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn, descreveu o governo Cameron como sob “confusão” e apontou como única saída para evitar que a Inglaterra fique sem a estratégica produção de aço (que no início do século XVIII, com a Revolução Industrial em marcha fora a maior do mundo) a renacionalização das fábricas. A indústria do aço reunida na British Steel, e que contava com 142 mil operários, foi privatizada no governo de Margareth Thatcher e depois se fundiu com uma empresa similar holandesa para criar a Corus, então a maior produtora de aço da Europa.

O trabalhista Corbyn corresponde à campanha da Central Unite. O seu secretário-geral, Len McCluskey, que representa dezenas de milhares de operários na indústria, destacou: “Estamos no centro de uma crise industrial”, para ele, “decisões têm que ser tomadas nos próximos dias”.

Destaca que não é hora de hesitação e que “estas propriedades precisam ser protegidas pela nação pois sem elas a economia não pode florescer”. Para ele, é preciso deter esta “espiral de incerteza que agora gira em torno do setor do aço”.

NATHANIEL BRAIA
 


                                                          
 


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