Pelo Mundo

CAIO REARTE*

Uma luz no fim do túnel?

 

  No último mês, o conflito na Síria evoluiu bastante. O cessar-fogo fez diferença para os sírios, ao contrário das minhas expectativas. Os grupos rebeldes armados reduziram os ataques ao exército da Síria, permitindo que comboios de ajuda humanitária chegassem a regiões severamente atingidas pela guerra e que uma grande quantidade de cidadãos exilados voltasse a seus lares. Nesta semana, na cidade de Maarat al Numaan, na província de Idlib, uma manifestação do Exército Livre da Síria foi interrompida pela chegada de dezenas de membros da Jabhat al Nusra (organização terrorista ligada a Al Qaeda), alguns encapuzados, que criticam a posição “pró-Ocidente” do ELS, assim como seu secularismo. O ELS é a principal organização a receber dinheiro e treinamento dos EUA. Resta saber se esse foi um episódio esporádico, ou se cada vez mais a população síria irá às ruas para reafirmar seu compromisso com a paz e o convívio multicultural.

  Em 15 de março, duas semanas após o cessar-fogo, a Rússia surpreendeu muitos ao anunciar que encerraria a maior parte de suas operações militares na Síria. Declarando “missão cumprida”, Putin enfatizou que os russos manterão seus acordos que permitem que militares russos utilizem bases na Síria. Porém, o foco agora será na via diplomática, e na transição política que dê fim à guerra civil. Com isso, acabou o argumento de que a Rússia estava se envolvendo em uma longa guerra, visando uma presença ostensiva na região; o que aconteceu foi exatamente o contrário. Os russos vieram, e com operações precisas, em cinco meses viraram o jogo para o governo de Assad. Também acabou o argumento de que os russos seriam os principais violadores do cessar-fogo.

 O Estado Islâmico está batendo em retirada. A histórica cidade de Palmira, patrimônio da humanidade da UNESCO, voltou as mãos do governo de Bashar Al Assad após ficar quase um ano sob controle do EI, que dinamitou uma parte da cidade de milhares de anos. Um confuso e gaguejante porta-voz do Departamento de Estado dos EUA foi incapaz de dizer que a retomada de Palmira era uma boa notícia. Aparentemente, para ele, o governo de Assad e o Estado Islâmico são farinha do mesmo saco. Porém, não vemos Assad ordenando ataques a civis em metrôs e aeroportos ao redor do mundo!

  Além disso, para desespero dos seus “controladores”, grupos apoiados pela CIA estão atacando grupos curdos apoiados pelo Pentágono, na região próxima da fronteira com a Turquia. Antes da intervenção russa, os grupos estavam muito distantes entre si, mas os curdos ganharam muito território, gerando confrontos diretos. Um parênteses: que belo modelo de negócios para a indústria armamentista, não? Faça lobby para que o Congresso arme diversos grupos num território a milhares de quilômetros de distância – com o dinheiro da população estadunidense – e veja os cofres encherem enquanto eles entram em conflito entre si.

  Abdullah II, McCain e o “califado”

  Por fim, o jornal britânico The Guardian saiu com uma matéria sobre um suposto memorando descrevendo um encontro entre o Rei Abdullah II da Jordânia e diversos senadores dos EUA, incluindo John McCain. Nele, o rei teria declarado que “faz parte da política da Turquia deixar terroristas entrarem na Europa [através da fronteira]”, e que Erdogan “acredita que o radicalismo islâmico é solução para os problemas da região”. Nenhum dos envolvidos comentou ou confirmou o conteúdo do memorando. Porém, não soa absurdo. Sabemos que a Turquia é a principal rota para armas e dinheiro do EI – o território controlado pelo “califado” é um corredor entre Turquia e Iraque, passando pela Síria. Como manter tal rota por tanto tempo sem cúmplices dentro da Turquia? Esse suposto memorando é mais um bit de informação pra guardar na cabeça, eu acho...

*Caio Rearte é colaborador do HP e editor do
blog caiorearte.blogspot.com


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Página 4 Página 5

Servidores: governo tenta impor PL para pilhar salário e demitir

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“Fora Dilma e Temer! Eleições Gerais Já”, defende a CGTB

ESPORTES

Página 6

Inglaterra: privatizada, indústria do aço está à beira da falência

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Convenção da ONU reafirma decisão: Malvinas argentinas

Liberdade, igualdade, fraternidade abandonadas para o exílio forçado

 

Página 7

França para contra assalto de Hollande ao Código do Trabalho

Sarandon defende Sanders por ser o melhor para presidir os EUA e para derrotar Trump

Corte Europeia mantém impunidade dos policiais ingleses que mataram o brasileiro Jean Charles

Japoneses repudiam “reforma” que permite aos EUA usar FFAA nipônicas como bucha de canhão

Uma luz no fim do túnel?

Produção industrial do Japão despenca 6,2% em fevereiro


Boeing anuncia demissão de 4,5 mil trabalhadores


 

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História da Petrobrás - (8)