Romário: ‘espero que a mudança venha das ruas, com novo pleito’

“O governo deu um golpe no povo”, diz o senador

Declarou o senador Romário (PSB-RJ): "sou a favor de um novo pleito. Tenho a convicção de que o voto popular é soberano, logo, os brasileiros devem ser chamados a essa responsabilidade. Na minha opinião, essa é a saída definitiva para a crise".

Romário, como sabe o leitor, é um dos maiores goleadores da história do futebol – e o nosso centroavante da Seleção campeã do mundo de 1994. Como diz, "eu vivi o lado pobre. Então, posso dizer o que as pessoas precisam para ter uma condição de vida melhor".

"O momento é dramático para o país", frisou o senador. "Acho tudo muito ruim. Se a gente for falar em golpe, acho que o governo acabou de dar um golpe no povo, nomeando o Lula ministro da Casa Civil. Independentemente de ele ser culpado ou não. Não foi uma ação positiva em relação à respeitabilidade do povo. É mais um motivo para o povo ir às ruas e se colocar contra o governo. E alguma coisa tem que acontecer, e espero que essa mudança venha das ruas".

O senador constata que o apoio às eleições avança aceleradamente – no povo e em todos os partidos - e supera o apoio ao impeachment: "A última pesquisa a que tive acesso aponta que 68% dos brasileiros são a favor do impeachment (DataFolha). No entanto, uma outra pesquisa, realizada durante a manifestação a favor do impeachment na Avenida Paulista, dia 13 de março, aponta que 80% das pessoas querem uma nova eleição (Lean Survey)".

Romário tocou num ponto irrefutável: como o apodrecimento da chamada vida política, com todas as Dilmas, Temers, Cunhas, Renans e o diabo a quatro, levou à consciência – embora ainda em desenvolvimento – de que o sistema todo precisa ser mudado, pois o atual deixou de ser democrático para ser um tugúrio de aproveitadores do sofrimento alheio, isto é, de achacadores do Estado, do país, do povo.

Para que existe esse sistema, senão para beneficiar bancos e outros rentistas – às custas de quase toda a população? Daí a deliquescência moral do governo e seu entorno.

Na quarta-feira, diante da confissão do ex-presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, de que parte (nada menos que R$ 10 milhões) das doações da sua empresa para a campanha de Dilma e Temer, em 2014, eram propinas, a única coisa que o governo disse, através do ministro Edinho Silva, foi: "por que as doações para a candidatura adversária, que foram superiores à nossa, não são questionadas e as nossas são, sendo que todas saíram do mesmo caixa e, ambas, estão declaradas ao TSE?".

Deve ser porque no poder estava o PT e o PMDB – e não o PSDB.

Logo, para assaltar as obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e as obras da hidrelétrica de Belo Monte, tal como descreveu Azevedo, a Andrade Gutierrez teria que pagar propina ao PT e ao PMDB – e não ao PSDB.

Não se trata de que os tucanos sejam mais honestos – apenas, não tinham como oferecer a mesma mercadoria que o PT e o PMDB. Portanto, o dinheiro doado ao PSDB revela uma preferência eleitoral – ou uma ação de disfarce –, mas é no dinheiro doado à chapa PT/PMDB que está a propina.

O governo e o ministro Edinho Silva sabem perfeitamente disto.

Por isso, o que espanta é o grau de cinismo, de desrespeito à inteligência das pessoas - e de apego ao roubo - em tal reiteração desse diversionismo indecente, sempre acompanhado de "todas as doações que recebemos foram legais e declaradas à Justiça eleitoral".

Claro que foram – a acusação é, precisamente, lavagem, isto é, a metamorfose de dinheiro sujo, dinheiro de propina, em dinheiro legal, em doação "legal" para campanha eleitoral. Era através de doações "legais" que a propina era lavada e enxugada.

O único problema é que a origem do dinheiro é que determina o seu caráter. Se a origem é suja, mesmo que ele apareça depois perfeitamente legalizado, essa suposta "limpeza" é uma fraude. Nenhuma lavagem consegue, realmente, limpar dinheiro sujo – o que é, inclusive, um princípio jurídico.

Mas o governo – e a cúpula do PT – estão dizendo exatamente o contrário.

Com essa moralidade, inferior à de qualquer cafetina, em que tudo é o contrário de si mesmo – a chamada inversão de valores, só que, aqui, total e absoluta – só se pode colher a tormenta das ruas, a raiva dos homens e mulheres de bem, e, com muita sorte, o recolhimento a alguma instituição correcional.

Ou, nas palavras de Rui Barbosa: "Ei-la aí a cólera santa! Eis a ira divina! Quem há de varrer dos serviços do Estado o prevaricador, o concussionário e o ladrão público? quem, senão ela, precipitar do governo o negocismo, a prostituição política, ou a tirania? quem, senão ela, arrancar a defesa da pátria à cobardia, à inconfidência, ou à traição?".

O senador Romário acha que a forma mais pacífica de chegar às eleições é "se o TSE cassar a chapa que elegeu a presidente Dilma Rousseff e seu vice Michel Temer. Eles respondem processo por crime eleitoral praticado durante as eleições presidenciais de 2014. Amparados por uma decisão legal (TSE), seguida por uma democrática (eleição), teremos o aval necessário para realizarmos um pacto pelo Brasil, onde partidos, empresas e sociedade deverão trabalhar juntos para que nosso País retome o crescimento, desta vez, livre da corrupção".

O senador fez, também, algumas considerações sobre a nomeação de Lula para ministro: "Lula, sem precisar de nova eleição, assumirá o terceiro mandato de presidente da República. Investigado pela Operação Lava Jato, vai assumir o comando da Casa Civil. O gesto soa aos brasileiros como deboche. Eu me recuso a acreditar que nossa salvação seja um ex-presidente, sobre quem pesa suspeita de ter recebido vantagens indevidas de empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção da Petrobras".

CARLOS LOPES

 

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