Base governista derrete e Dilma fala em “diálogo”

PP e PSD anunciam que vão votar pelo impeachment da ocupante do Planalto

Em 48 horas, as ilusões que vagueavam pelo Planalto, Alvorada, e outros lugares hoje de má fama, foram trituradas no moinho da realidade. Após o PMDB, na terça-feira foi o PP e na quarta o PSD e o PTB que saíram da base do governo.

Na bancada do PP, em reunião com 47 deputados, apenas 1/4 deles foram contrários ao impeachment.

A bancada do PTB decidiu, após reunião na Câmara, que votará a favor da continuidade do processo de impeachment de Dilma.

No começo da semana, o governo já havia sofrido o abandono do PRB, que tem 21 deputados e um senador, já ocupou o Ministério dos Esportes, e está com o governo desde 2003.

O PSD, partido que o governo inflou para enfraquecer o DEM, e a quem entregou um Ministério, também anunciou, na quarta, que decidiu orientar a bancada a votar pelo impeachment no domingo.

A poucas horas da votação no plenário da Câmara, a senhora Rousseff parece retrair-se das fronteiras do mundo – este, leitor, onde nós vivemos – para penetrar em algum esconso reduto de sua própria maluquice.

Não é somente a distribuição de Ministérios por "avanço" - como se fossem doces no dia de São Cosme e Damião – e que, mesmo assim, ninguém quer pegar, exceto os Panseras que já estão lá.

Nem é apenas o barata-voa que a presidenta instala em qualquer lugar onde aparece.

Ou o aspecto de mulher-vampiro que ela exibe, enquanto diz que dorme bem, "se não, como eu levantaria para andar de bicicleta às 10 para as 6 da manhã?".

É mais que isso.

Depois de chamar o país inteiro de "golpista" – inclusive os "pedreiros, professores e empresários" que não querem que ela continue a destruir o país –, prometeu "diálogo" e "um pacto" com todo mundo (ou seja, com esses que ela chama de "golpistas"), se o impeachment não passar na Câmara.

Em suma, segundo sua sublime concepção, um pacto com os derrotados – e só depois que eles forem derrotados – é um pacto "sem vencidos nem vencedores".

É difícil saber o que é mais alucinado: se a avaliação do momento, se a arrogância - ou a mentira. Ou será que, depois de mais de cinco anos de governo, algum deputado vai votar contra o impeachment de Dilma porque ela prometeu um "pacto"?

Vamos fingir, por um instante, que isso é sério: um "pacto" em torno de quê?

O único ponto que ela mencionou foi um aumento geral de impostos, ponto, aliás, inegociável, pois "nenhum país sai de crise sem aumento de tributo" (sic).

Qualquer sujeito com a cabeça mais ou menos no lugar sabe que aumentos de impostos em meio a uma violenta recessão, com juros no espaço e cortes brutais nos investimentos públicos, servem para colocar o país num catastrófico abismo, ainda mais fundo, de miséria, fome e falências.

No entanto, é por esse ponto – e um ponto inegociável – que ela pretende começar o "diálogo" com os "golpistas", isto é, supostamente, com todo o país, pois só escapam dessa condição, segundo seu abalizado parecer, aqueles que, por interesse ou burrice, a estão apoiando.

Claro que isso não é coisa de gente séria.

Mas o fenômeno é a maluquice de dizer essas coisas quando sua base parece picolé ao meio-dia no deserto de Saara.

Dilma disse que Temer e Cunha são golpistas.

É verdade, mas por que até um golpista – e um elemento medíocre, notoriamente nada confiável – como Temer, consegue aparecer, para muitos, como "menos pior" do que ela?

Porque o golpe dado por Dilma – ao aderir à toda cartilha reacionária, neoliberal, fazendo exatamente tudo o que condenou na campanha eleitoral (e acusou outros de tramarem) - precipitou o país na pior crise da sua história, desde o arraso de fins do século XIX e começos do século XX.

Temer também estava com ela nesse golpe. Mas não se trata, é necessário dizer, de um golpe único.

Qual foi o acordo parlamentar – ou de outra espécie – que Dilma cumpriu até agora?

Qual foi a lei, aprovada pelo Congresso contra o governo, que a senhora Rousseff cumpriu?

Nenhuma, a começar pela renegociação das dívidas estaduais (v. matéria na página 2).

Qual foi a fraude marketeira - do incensado e falso "pleno emprego" à invenção de uma "nova classe média" que mora na favela; dos resultados falsificados do defunto PAC ao Pronatec que forma domadores de pangarés – que esse governo não cometeu?

Qual foi o atropelo orçamentário – por cinco anos seguidos – que esse governo não perpetrou?

Se não são golpes, se não é golpismo - reiterado, vicioso e viciado - nada é golpe, nada é golpismo.

Diz a presidente que Temer não tem voto – o que também é verdade.

Realmente, o único voto com que Temer contou foi o dela, que o escolheu para vice-presidente.

Aliás, como lembramos na edição anterior, ela também o nomeou articulador político oficial do governo.

Não há dúvida que toda essa escória que se acumulou, apodrecendo cada vez mais, desde o fim da ditadura (dilma, temer, cunha, renan e os tubarões e piranhas que estão em torno e por trás deles) necessitam ser varridos – e, para isso, as eleições gerais, com uma legislação que coíba o abuso do poder econômico e acabe com os privilégios incrustados nas regras eleitorais para beneficiar dois ou três partidos ideológica e moralmente falidos, são o caminho pacífico para restabelecer a democracia.

Pois esta é a questão: a democracia em nosso país foi amesquinhada, por assim dizer, golpeada.

Não é por acaso que nenhum desses golpistas tem projeto nacional algum para o país.

Pelo contrário, o que eles querem é continuar a cevar-se debaixo do tacão dos bancos e monopólios, antes de tudo os externos, ou de picaretas internos, como aqueles que roubavam a Petrobrás – e enchiam esses golpistas de propina.

A desagregação da base de Dilma é um sinal evidente de que esse tipo de expediente – seria demais chamá-lo de "modelo" - foi à bancarrota pela própria ilegitimidade que fabricou.

O país, portanto, somente será pacificado – para usar uma palavra do grande Caxias – quando a democracia, o poder do povo, os interesses nacionais, dirigirem a atividade do Estado.

Para isso, é necessário eleger governantes que estejam à altura dessa missão.

SÉRGIO CRUZ

CARLOS LOPES

 

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