Senhora “injustiçada” colheu a repulsa que plantou: 367 a 137

Castigo estará completo quando seus auxiliares - Temer, Cunha e Renan - forem punidos também

Disse a senhora Rousseff, na terça-feira, que "o Brasil tem um veio golpista adormecido. A partir de Getúlio Vargas, o impeachment sistematicamente se tornou instrumento contra os presidentes eleitos".

O pedido de abertura de processo contra Getúlio foi derrotado, na Câmara, por 136 votos contra 35 (e 40 abstenções). Um pouco diferente da votação de domingo, quando o processo de impeachment de Dilma foi considerado admissível por 367 votos a favor e apenas 137 votos contrários.

Depois do martírio de Getúlio, condenado ao impeachment foi o golpista e vice-presidente Café Filho, após o contra-golpe de 11/11/1955, comandado pelo futuro marechal Lott; nove anos depois, Jango foi deposto por um golpe pró-imperialista - portanto, não houve impeachment algum, assim como não houve durante 21 anos de ditadura, por razões óbvias.

GOLPISTA

O único partido que, depois da ditadura, usou o impeachment sistematicamente contra todos os presidentes, sem razão e sem sucesso, foi o PT.

Se a intenção de Dilma foi destacar o caráter golpista do PT, conseguiu.

Em seguida, ela lamentou o impeachment de Collor... Realmente, ela e Collor são mais assemelhados do que o PT quer passar, como marketagem amadora (o João Santana está preso).

A lei atual do impeachment (Lei nº 1.079/1950), assim como os dispositivos constitucionais, são tão difíceis de cumprir que, pode-se dizer, foram feitos para que quase nunca haja impeachment.

Convenhamos, leitor, conseguir 342 votos para iniciar um processo de impeachment, numa Câmara de 513 deputados, onde existem 25 partidos, e onde a base do governo, no início do atual mandato presidencial (há um ano e três meses), reunia 336 deputados – isto é, 65% da Câmara – parece tão impossível quanto cambaxirra parir canguru.

No entanto, no domingo, fez-se o prodígio: o processo de impeachment da senhora Rousseff foi aberto, com 73% dos deputados votando a favor – e 27%, apenas, contra.

Como foi possível?

Disse o advogado de Dilma, José Eduardo Cardozo, que é um absurdo abrir o processo de impeachment porque o Brasil tem uma "corrupção histórica, corrupção estrutural".

A culpa de existir roubo, portanto, segundo Cardozo, é do Brasil – e não dos ladrões. E, ao que parece, ele quer que essa corrupção seja eterna. Afinal, ela não é "histórica" e "estrutural"?

Mas ao usar esse "argumento", a defesa de Dilma expôs a cauda do rato. Pelo visto, o ministro Eros Grau, aposentado do STF, tem razão, sobre Dilma e sua defesa, que é xingar tudo e todos de "golpistas":

"Apenas o delinquente esbraveja, grita, buscando encontrar apoio para evitar que a Constituição seja rigorosamente observada. Quem não é criminoso enfrenta com dignidade o devido processo legal, exercendo o direito de provar não ter sido agente de comportamento delituoso. Quem procedeu corretamente não teme enfrentar o julgamento do Senado Federal. Já o delinquente faz de tudo procurando escapar do julgamento. O medo do julgamento é uma evidência de delinquência".

É cômico ver Dilma chamar Temer de traidor. Quem não sabia desse traço (?!) do caráter de seu vice? Mesmo para quem não o conhecia, seu trânsito de fâmulo dos tucanos para fâmulo do PT, sem nenhuma inibição, tornava impossível ignorar que era um traíra. Mas Dilma não achava isso um defeito. Por isso, o aceitou como vice-presidente, o reafirmou no cargo e o nomeou seu coordenador político. Os dois estavam traindo o país conjuntamente juntos - como dizia aquele personagem humorístico. Queixar-se da traição de Temer agora, só pode causar, como diria o primo rico de outro programa, frouxos de riso.

Mas não é engraçado ver Dilma posando de "injustiçada". Em matéria de mentira, ela deixa Collor no chinelo. Mente sobre tudo, inventa pronatecs inúteis, vigaristas - e os propagandeia como "capacitação para aumentar a produtividade"; detona escolas, colégios e universidades públicas - e fala em "pátria educadora"; corta verbas da Saúde, faz grassar epidemias – e coloca a culpa no povo.

Sobretudo, aumenta juros, corta investimentos públicos, desvia mais de meio trilhão de reais, em um ano, do setor público para os bancos e outros rentistas; estrangula, com esses juros, o setor produtivo; destrói a indústria do país, fomentando a quebradeira das empresas, o desemprego, a fome, a miséria.

As "pedaladas" são o menor crime que ela cometeu – embora seja cínica a ladainha de que outros governos fizeram a mesma coisa, porque, simplesmente, não fizeram. Aliás, o mambembe Cardozo, ao limitar sua defesa ao que foi cometido em 2015, acabou por frisar que somente em 30/12/2015 o governo pagou as dívidas com o BNDES, FGTS, CEF e BB dos outros anos – ao todo R$ 72,4 bilhões.

As "pedaladas" são um fiapo de crime; da mesma forma que o Fiat Elba de Collor era um fiapo e a declaração de renda de Al Capone era um fiapo de seus crimes. Nem por isso deixou de ser justa a condenação desses criminosos.

Por falar em crime, quem era a presidente do Conselho da Petrobrás quando esta foi assaltada pelo cartel das empreiteiras e pelo sr. Vaccari?

É verdade que o presidente da Câmara – que recebeu alguns milhões de dólares na esteira do esquema do PT na Petrobrás - deveria estar na cadeia. Aliás, o do Senado, também.

É verdade que, por tudo isso, precisamos de eleições gerais para higienizar a vida política do país.

Mas quem apoiou esses elementos e permitiu que eles, por aliados, assomassem aonde estão?

ESTILO

Quanto ao conjunto dos deputados, realmente, eles não são um modelo de virtudes, nem de sofisticação cultural. Mas não são moralmente piores – pelo contrário – do que Dilma et caterva.

Foi o estilo Lava Jato – o aumento do preço das campanhas às custas de roubar a Petrobrás, imposto pelo PT (sobretudo a partir de 2010) – que fez com que o conjunto dos eleitos fosse composto pelos que gastaram mais dinheiro na campanha, e não pelos que melhor representavam o povo.

É quase dispensável falar que o único projeto nacional de Dilma e do PT é (ou era) ficar no poder. O resto – os apoios – o dinheiro devia resolver.

Daí, também, a arrogância com os aliados: "se estamos pagando a vocês para ser aliados, o único direito de vocês é se submeter".

Esta é a razão porque Dilma jamais se preocupou em respeitar um único acordo ("para quê? Nós estamos pagando"...). No domingo, se viu a que conduziu essa maravilhosa política.

Na falta de projeto nacional ou modelo moral, os petistas se esmeraram, desde sexta-feira, em citar Ulysses Guimarães (que odiavam a ponto de recusar seu apoio no segundo turno, em 1989) e a Constituição de 1988 (que o PT recusou-se a assinar, ao fim da Constituinte).

Cardozo chegou mesmo a citar uma frase de Ulysses ("Quando se tira o voto do povo, o povo é expelido do centro para a periferia da história, perde o pão e a liberdade"), como se essa frase não descrevesse, precisamente, o que Dilma e o PT fizeram nas eleições de 2014 e depois.

Foi exatamente o estelionato eleitoral de 2014 e o arraso do Brasil, que se seguiu, a base do ódio do povo – o ódio dos justos é terrível – a Dilma e ao seu entorno.

Por consequência, existe outra frase de Ulysses Guimarães mais apropriada à situação:

"A Pátria não condecora os traidores."

CARLOS LOPES

 

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