Processo de impeachment está avançando no Senado

Instalação da comissão do impeachment na Casa deve acontecer nesta segunda-feira se Renan não atrapalhar

Dilma acredita tanto que o impeachment é um "golpe", que passou a Presidência àquele que diz ser o "golpista-chefe", o vice-presidente Michel Temer, para ir à Nova Iorque denunciar o golpe de Temer.

Se o leitor não entendeu a frase acima ou achou nela um matiz excessivamente surrealista – isto é, maluco - é porque essa passagem de cargo ao golpista para ir denunciar o golpismo, numa conferência sobre drogas da ONU, revela um cinismo além, muito além, do nível habitual suportado pelas pessoas.

Dentro do país, ela não consegue mais preencher o Ministério – a dificuldade é encontrar alguém que queira ser seu ministro. Já estão faltando nove. O único que quer ser ministro, o ex-presidente Lula, ela não consegue nomeá-lo: o STF adiou para a próxima semana o julgamento da legalidade de sua nomeação. Portanto, Lula continuará, por enquanto, a dar expediente na República da Jararaca, no hotel Royal Tulip. O problema é que não aparece mais algum vivente para Lula atender.

No Senado, o suposto último aliado de Dilma, Renan Calheiros, não conseguiu procrastinar muito o andamento do impeachment. Depois de marcar para terça-feira a reunião da comissão sobre o assunto, mudou para segunda, diante da argumentação de que, se todos os brasileiros trabalham na segunda-feira, por que não os senadores?

PRINCÍPIOS

Quanto à Dilma, o raciocínio é rasteiro: já que, no Brasil, não consegue convencer ninguém - além daqueles que, por um cargo de confiança ou uma coisa à toa, fingem se convencer – de que é uma injustiçada que está sofrendo um golpe, ela decidiu tentar a audiência fora do Brasil. E nem percebe como está revelando sua mentalidade submissa, que acha que aquilo que acontece lá fora é que determina o que acontece aqui dentro.

Obviamente, é mais fácil convencer algum bobo que não conhece o Brasil – e, muito menos, o governo de Dilma – ou algum elemento que abandonou os princípios tanto quanto ela mesma.

Mas isso não tem importância. Nem para o Brasil, nem para os outros países. Não será gente que fecha olhos diante de um subserviente aborto, reacionário e neoliberal, como o governo Dilma – tentando passar-lhe atestado de "esquerda" - que poderá ser útil à libertação de seus países ou do nosso país.

Dilma tem pouco tempo no Planalto. As estimativas no Senado é que o processo será aceito dentro de 20 dias, no máximo até 17 de maio.

Disse o ministro Toffoli, do STF, que foi advogado da campanha de Lula – e, depois, Advogado-Geral da União no governo Lula – que "falar que o processo de impeachment é um golpe depõe e contradiz a própria atuação da defesa da presidente, que tem se defendido na Câmara, agora vai se defender no Senado, se socorreu do STF, que estabeleceu parâmetros e balizas garantindo a ampla defesa".

A vitimização de Dilma tem como características o nenhum apego ao país – e a reiterada mentira.

A primeira é evidente: não importa a ela que o país esteja afundando, com 10,4 milhões de desempregados e uma quebradeira que atinge milhares e milhares de empresas. Não importa que os juros delirantes estejam drenando mais de meio trilhão por ano do setor público para o setor financeiro, esse conjugado de parasitas do suor e sangue do povo brasileiro.

Manter o cargo, obtido de forma ilegal, é, para Dilma, mais importante do que a amarga sorte de milhões de brasileiros.

Disse ela, ao privatizar os principais aeroportos do país, que o nosso povo necessita passar a propriedade pública a estrangeiros, só para aprender a gerir o que ele próprio construiu.

Não é preciso mais para definir o que Dilma acha do Brasil.

A segunda parte de sua natureza político-ideológica, a mentira, se manifesta, sobretudo, na ilegalidade. Todos aqueles protestos de que nada fez, de que é, por nascença e desígnio divino, uma santa incapaz de um malfeito – ou até de um pecadilho - esbarra sempre no fato primário de que ela, em 2014, e também em 2010, fez campanha eleitoral com dinheiro roubado da Petrobrás – e não somente da Petrobrás. Citaremos apenas algumas provas, mais ou menos ao acaso, sem pretender ser sistemático ou esgotar o assunto, até porque é impossível:

- as mensagens, apreendidas pela Polícia Federal, de Ricardo Pessoa, presidente da UTC Engenharia e coordenador das reuniões do cartel que assaltava a Petrobrás, mostram que a UTC pagou propina sob a forma de contribuições supostamente legais à campanha de Dilma;

- as planilhas da Odebrecht, apreendidas com a funcionária Maria Lúcia Tavares, mostram que o marketeiro de Dilma, João Santana, recebeu R$ 21,5 milhões para fazer sua campanha, diretamente desse grupo empresarial, fora o recebido da Odebrecht via empresas de fachada no exterior (US$ 7,5 milhões);

- Mônica Santana, esposa de João Santana, confessou o recebimento de mais R$ 10 milhões, na última campanha eleitoral, intermediados pelo então ministro Guido Mantega, dinheiro que nunca foi declarado à Justiça Eleitoral; as anotações das conversas com Mantega foram entregues à PF;

- em seu depoimento, o ex-presidente da Andrade Gutierrez, Octávio Azevedo, confessou que R$ 10 milhões passados para a campanha de Dilma em 2014 por sua empresa eram propina pelo superfaturamento e sobrepreço nas obras do Comperj e Belo Monte;

- o ex-líder do governo, senador Delcídio Amaral, revelou que propinas na obra de Belo Monte foram usadas na última campanha eleitoral de Dilma;

- o depoimento de Daniele Fonteles, da Agência Peper, revelou uma intermediação de R$ 6,1 milhões entre as empreiteiras e a campanha de Dilma.

Ficamos por aqui, porém há mais – e haverá muito mais.

Como Dilma consegue se dizer inocente, com esse retrospecto?

MENTIRA

Há muito, a realidade, para ela, não existe – mas não estamos dizendo que Dilma é psicótica, até porque os psicóticos merecem respeito.

Dilma acha que a mentira pode ser uma norma de vida e uma solução para os problemas – pelo menos, na política.

Qual foi a questão, até hoje, desde que tomou posse em 2011, em que não tenha preferido a mentira do que a verdade? Dos números do falecido PAC até o Pronatec; das "faxinas" em que demitiu sem provas, sob indução de um marginal, até as acusações a adversários, atribuindo a eles o que ela própria tinha intenção de fazer; dos falsos "pleno empregos" até as falsas "novas classes médias" até as maquiagens orçamentárias que tomaram o nome de "pedaladas"; e devemos convir que não é todo mundo que consegue ir até o Santuário Nacional, e, com a maior cara de pau, dizer-se devota de Nossa Senhora Aparecida, o que ela nunca foi, sem a menor consideração pelos verdadeiros devotos.

Dilma não tem a mínima condição de governar, como, aliás, não governa há muito – o máximo que faz é coisas como a tentativa de aumentar o arrocho sobre os Estados, contra a lei aprovada pelo Congresso, com a progressista argumentação de que os Estados concederam aumentos excessivos a seus funcionários...

CARLOS LOPES

 

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