Segundo Ibope, 92% rejeitam Michel Temer na presidência

E 62% querem Dilma e seu vice fora do governo e a convocação de eleições gerais

A pesquisa publicada pelo IBOPE na última segunda-feira traz alguns resultados importantes. À primeira pergunta - "Na sua opinião, a melhor forma para superar esse momento de crise política seria":

1) 62% responderam: "Dilma e Michel Temer saírem do governo e ocorrerem novas eleições para Presidente";

2) 25% responderam: "Dilma continuar seu mandato com um novo pacto entre governo e oposição";

3) 8% responderam: "Dilma sofrer o impeachment e o Vice-Presidente Michel Temer assumir a presidência";

4) 3% responderam que não sabiam ou recusaram-se a responder e 2% responderam "nenhuma" dessas alternativas ou "outra".

REALIDADE

Como sabem os nossos leitores, não somos especialmente crentes em resultados de pesquisas – muito menos, temos razões para dizê-lo, as do IBOPE.

Mas o que torna valioso o resultado que transcrevemos é, exatamente, que se trata de uma pesquisa do IBOPE. Portanto, a realidade deve ser até mais aguda, e mais esmagadora, quanto à preferência da população. A rigor, ninguém parece querer que Dilma continue (a resposta "Dilma continuar seu mandato com um novo pacto entre governo e oposição" equivale a que "continue" alguma coisa não sabida, mas que não é o governo Dilma).

Já voltaremos a essa pesquisa. Antes, uma observação que decorre dela – ou, melhor, decorre da realidade que, de uma forma ou de outra, ela retrata ou reflete.

O ex-presidente Lula, se tivesse hoje um pouco mais de bom senso, não deveria – como fez em recente seminário para partidos estrangeiros – dizer que o "impeachment" de Dilma Rousseff é obra de uma "quadrilha legislativa".

Primeiro, porque essa "quadrilha", em sua maioria, é o pessoal que apoiou Dilma em sua eleição e reeleição – articulados pelo próprio Lula. Sem eles, Dilma, que não tem um voto de seu – exceto, talvez, o próprio – nem teria sido eleita, nem teria o tempo na TV que lhe permitiu fazer a campanha difamatória, nazista, contra os outros candidatos, que foi sua grife na última eleição presidencial.

Isso inclui o integérrimo Cunha, o incorruptibilíssimo Renan, outros heróis da Lava Jato – e, claro, até o confiabilíssimo Temer. Todos faziam parte dos camisas-pardas de Dilma na última eleição.

Segundo, o fato é que a situação jurídico-policial de Lula não é muito diferente desses outros, que ele promoveu a pais da pátria, na tentativa de perpetuar o PT no poder, não importa com que política – ou, para ser exato, à custa de rezar de joelhos, uma a uma, todas as ladainhas neoliberais.

Cunha é um bandido. Nós podemos falar isso. Mas quem tem o sr. Vaccari & outros desse naipe no seu time, deveria ter mais dificuldade em dizê-lo, ou, pelo menos, como o macaco da velha história, deveria olhar o próprio rabo – ao invés de incluir numa suposta "quadrilha legislativa" todo e qualquer parlamentar que votou ou vai votar contra Dilma, isto é, seus próprios aliados do dia anterior.

Não existe neoliberalismo sem corrupção – porque o neoliberalismo é a forma extrema de imperialismo dos monopólios privados e cartéis dos EUA e demais países centrais, cuja atividade central está em cobrar sobrepreços para extrair superlucros, e não se faz isso honestamente. A Odebrecht, na verdade, é apenas uma espécie de "cover" da Exxon Mobil, AT&T ou monopólio semelhante.

Também não existe partido progressista (ou "de esquerda") sem um projeto de nação, sem uma política em que prevaleçam os interesses nacionais. O exemplo do PT, que, sem projeto nacional, acabou aderindo ao projeto antinacional – melhor dito: à servidão aos monopólios financeiros imperialistas – é mais do que conclusivo, a esse respeito.

Portanto, Lula não tem razão, em um país arrasado pela política pró-imperialista que seu partido adotou, de falar em "golpe". Os golpes de Estado são contra o povo. O fim do governo Rousseff seria o primeiro golpe a favor do povo em toda a História da Humanidade...

O que não quer dizer que a alternativa seja Temer. Tanto não é que seu infiel escudeiro, Romero Jucá - manga-de-alpaca da ditadura, líder do governo Fernando Henrique, líder do governo Lula e líder do governo Dilma – berrou, na segunda-feira: "eleições é golpe".

Não existe maior golpe, para esses oportunistas, que a vontade do povo prevalecer sobre as cafuas e tugúrios infectos, mal-cheirosos e corruptos.

A alternativa do povo à Dilma não é Temer, mas a saída dos dois, isto é, a eleição. 92% dos consultados pelo IBOPE não querem Temer como presidente.

Aliás, é interessante, nessa pesquisa, que a rejeição a Temer é invariável e quase uniforme nos vários segmentos da população: não importa a idade, o sexo, a raça, a renda, a região do país, a religião, a escolaridade ou o porte do município em que reside o entrevistado pela pesquisa, a preferência da alternativa "Dilma sofrer o impeachment e o Vice-Presidente Michel Temer assumir a presidência" oscila, no máximo, entre 7 e 10%. Logo, de 90 a 93% rejeitam essa alternativa.

O IBOPE, por sinal, somente perguntou sobre eleições para presidente; o entusiasmo seria muito maior se a pergunta fosse sobre eleições gerais – para tudo, de presidente a vereador, passando pelos deputados e senadores.

Mesmo assim, existem aspectos bastante nítidos, que vale a pena ressaltar.

Na mesma pesquisa, o resultado praticamente não varia quanto ao sexo dos entrevistados (63% dos homens e 61% das mulheres querem a saída de Dilma e Temer e a convocação de novas eleições).

AMOSTRA

Mas são interessantes as variações, ainda que pequenas, por faixa de idade (os que querem novas eleições são 70% dos que têm de 16 a 24 anos; são 66% dos que têm de 25 a 34 anos; são 65% dos que têm de 35 a 44 anos; são 59% dos que têm de 45 a 54 anos; e 51% dos que têm 55 anos ou mais).

Quanto à escolaridade: 48% entre os que estudaram de zero até a quarta série do ensino fundamental querem eleições e a saída de Dilma e Temer, o que aumenta para 64% entre os que estudaram da quinta à oitava série do ensino fundamental, 68% entre os que completaram o ensino médio e 63% dos que cursaram o ensino superior.

Não há diferença significativa entre as preferências de negros e brancos quanto à saída de Dilma e Temer, com novas eleições (respectivamente, 61% e 62%).

Notemos que 60% dos mais pobres (renda familiar até um salário-mínimo) quer, também, a convocação de eleições, o que aumenta para 65% entre os que têm renda familiar até cinco salários-mínimos e quase a mesma proporção (66%) entre os de renda familiar acima de cinco salários-mínimos.

O conjunto dessa amostra permite uma visão de quão exausto o país está sob Dilma, Temer e todo o regime podre que está vindo abaixo.

É verdade que não é necessário uma enquete para percebê-lo. Qualquer um que percorra o centro de alguma de nossas grandes cidades – ou até pequenas – pode notá-lo, contanto que seja alguém mais ou menos normal, isto é, que não seja um obtuso completo.

CARLOS LOPES

 

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