Temer quer para Fazenda mesmo candidato de Lula

Henrique Meirelles, do BankBoston, é a diferença entre os governos Dilma e Temer 

Nada poderia mostrar com mais candência a necessidade de eleições gerais urgentes no país do que a anunciada preferência de Temer por Henrique Meirelles no Ministério da Fazenda.

Os petistas podem se regozijar: chegou a hora da tão esperada "virada à esquerda", que Lula iria operar no governo Dilma – pois Meirelles era, exatamente, o preferido de Lula para o mesmo cargo que Temer ameaça nomeá-lo.

Portanto, a "virada à esquerda" do governo Dilma é o governo Temer. Os petistas não têm do que se queixar.

Ao leitor pode parecer que esse mundo político em que vivem petistas, peemedebistas e peessedebistas é um misto de hospício do Juqueri com a Casa Rosa – aquela da rua Alice, no Rio - em outros tempos. Mas tanto no Juqueri quanto na rua Alice havia mais respeito. Não era essa gororoba promíscua em que o PT, o PMDB, o PSDB – e, antes de tudo, suas respectivas cúpulas – tornaram-se tão parecidos que até o ministro da Fazenda é o mesmo.

FESTEIRO

Meirelles é um funcionário do BankBoston, mais conhecido pelo pendor festeiro que pela capacidade em qualquer coisa, notório por recomendar aos clientes de seu banco que comprassem os seguros títulos argentinos em 2001, alguns dias antes que De la Rua quebrasse o país e, cercado pelo povo, renunciasse à Presidência da Argentina. Foi Meirelles, quando presidente do Banco Central, que manteve os juros nas alturas após a eclosão da crise nos EUA, no final de 2008 e começo de 2009 – o que custou ao nosso país não pouco sofrimento e destruição de força produtiva.

Apesar disso, é o favorito de Lula para a Fazenda – e de Temer. Qual a diferença, naquilo que importa hoje ao povo brasileiro, entre um e outro?

Disse, muito apropriadamente, o senador Randolfe Rodrigues que "com Dilma e Temer sem o apoio das ruas e Cunha, o terceiro na ordem de sucessão, prestes a experimentar o frio do cárcere, fica claro que um problema excepcional exige uma solução excepcional, proporcional à gravidade do momento: novas eleições. As eleições diretas estão para a democracia como a água benta está para o rito católico: purifica a matéria, espanta o mal e potencializa os efeitos positivos da oração. Só os agentes das sombras podem temer a luz das urnas".

Dilma, até mesmo nos estertores – nas vascas da agonia, como no verso de Raimundo Correia – mostra-se obcecada em servir ao rentismo, sobretudo ao rentismo estrangeiro: não é outra coisa a sua recusa a qualquer negociação verdadeira sobre a dívida dos Estados. Ela prefere quebrar os Estados que aliviar os juros sobre uma dívida que já foi paga várias vezes (ver matéria na página 2).

Temer promete cortar mais os gastos públicos, segundo ele, para "não aumentar impostos". A proposta foi de Meirelles.

Desde janeiro de 2015, o corte de gastos e investimentos públicos, sob um garrote de juros extremamente altos, provocou, já, a maior crise da história do país: são milhares as empresas que fecharam (v. matéria na página 2) – e continuam fechando; os desempregados se aproximam de quatro milhões de trabalhadores a mais - ao todo, quase 11 milhões; a Educação e a Saúde públicas estão muito perto do colapso – as epidemias e a falta de vacinas são um prenúncio gravíssimo; e nem falemos do Saneamento e outras áreas que, para todos os efeitos práticos, deixaram de existir.

Temer e Meirelles querem cortar mais, afundar mais o país, exatamente como Dilma.

Aliás, o que Temer anunciou – ao seu modo sibilino – é o que Dilma quer fazer, no momento. Até alguns dilmistas reconhecem, embora com alguma dificuldade. Depois que o governo anunciou que cortará salários e programas sociais, um deles comentou: "Um sujeito como esse [Nelson Barbosa] na Fazenda em pleno processo de impeachment leva a duas conclusões: ou ele acredita no que faz e, nesse caso, é um rematado idiota da economia, ou ele cumpre ordens da Presidenta, e neste caso não tem caráter para se opor aos equívocos que ela, por alguma inspiração metafísica, porém não econômica, lhe impõe. Há ainda uma terceira possibilidade: o desejo de sair bem na foto neoliberal para cavar um empreguinho no FMI ou Banco Mundial, depois da crise, como fez Levy" (José Carlos de Assis, "A suprema imbecilidade de cortar gasto público na crise").

Se o problema fosse a fraqueza de caráter de Nelson Barbosa, até seria fácil de resolver.

Mas não é. Dilma perambula como alma penada pelo Planalto e pelo Alvorada – mas nem por isso, com justiça, o seu fantasma deixou de ser, para o povo, odioso, por todas as razões já mencionadas e outra mais: com certeza, e incluindo Collor – a quem ela deu, como feudo, a BR Distribuidora -, é a mandatária mais mentirosa e sem inibição para mentir que já houve no país. Quando o povo percebeu, ela acabou.

Mas a questão continua a ser: em que Temer se diferencia de Dilma?

Fora a existência de uma primeira-dama bela, recatada e do lar - em nada.

Aliás, segundo o porta-voz de Temer para assuntos da Previdência, Roberto Brant, ele pretende encaminhar a proposta de Dilma para a Previdência: idade mínima de 65 anos tanto para homens quanto para mulheres. Além disso, falou Brant, Temer quer desvincular os benefícios da Previdência do salário-mínimo e "permitir que acordos firmados entre empresas e sindicatos prevaleçam sobre as regras da CLT" - o que equivale a acabar com a legislação trabalhista.

Não é o fantasma de Dilma, portanto, que assusta Temer. Pelo contrário, ele é a sua continuação.

O que o apavora são as eleições diretas, quer dizer, que o povo escolha o presidente – pois é claro que não vai escolhê-lo.

Portanto, também nisso, Temer adaptou o mote dilmista: "eleições é golpe" (ver matéria nesta página).

Nós não dissemos, leitor, que são duas almas xifópagas até na falta de imaginação?

No Brasil, nenhuma eleição falsificada – por exemplo, a de 1930 ou as famosas "eleições do cacete", após a maioridade de D. Pedro II – jamais conseguiu gerar nenhum direito, exceto o direito da população derrubar o governo espúrio que surgiu da farsa eleitoral.

GOEBBELS

A eleição de Dilma e Temer é uma das mais ilegítimas, uma das maiores fraudes da História do país, em que o financiamento dos supostos vencedores confunde-se com lavagem de dinheiro - roubado da Petrobrás - e o marketing da dupla foi uma produção de Goebbels ou algum outro nazista de menor coturno. Uma campanha suja, desonesta, sem caráter, sem escrúpulos.

Por que, então, seria diferente de outras pseudo-eleições? Por que o povo tem obrigação de suportar – isto é, sofrer – o regime dos ladrões e camisas-pardas que fraudaram a última eleição?

As eleições gerais são, precisamente, uma forma pacífica de reparar o dano imenso, causado à República e à democracia, por Dilma e Temer.

CARLOS LOPES

 

Capa
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Temer quer para Fazenda mesmo candidato de Lula

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Página 4 Página 5

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CARTAS

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