Confissão de Delcídio faz Janot solicitar novos inquéritos ao STF

O ministro Edinho Silva, Eduardo Cunha, Aécio, Renan, Jucá e outros são os alvos 

O maior grupo de inocentes da República, provavelmente, é aquele sobre o qual o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, pediu na segunda-feira, ao STF, que autorizasse a abertura de inquérito, baseado na confissão do senador - prócer do PT e líder do governo Dilma até a sua prisão - Delcídio do Amaral.

Todos - o ministro da Comunicação Social, Edinho Silva (PT-SP); o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ); o senador e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (MG); o ex-presidente da Câmara Marco Maia (PT-RS); o atual presidente do PMDB, Romero Jucá; o presidente do Senado, Renan Calheiros; e mais alguns outros - todos declaram que são mais inocentes do que os santos mártires que Nero mandou supliciar, e que Delcídio é um mentiroso.

Delcídio deve ser maluco para contar tanta mentira – pois isso revogaria os benefícios da chamada "colaboração premiada" e lhe garantiria mais cadeia que ao velho Gino Meneghetti, ladrão afamado, mas que jamais roubou dinheiro público ou propriedade pública.

O procurador Janot, entretanto, avisou que não pediu nenhuma abertura de inquérito baseado apenas nas declarações de Amaral, isto é, sem algum indício material além da confissão do líder de Dilma.

Mas, vejamos, por exemplo, o que declarou Amaral sobre a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Petrobrás, em 2014:

"... na CPMI da Petrobras, que se encerrou no final de 2014, que tinha como presidente Vital do Rego e Gim Argello como vice, houve apresentação de requerimentos convocando muitos empresários que tinham preocupação com a exposição pública.

"Em razão disso, em determinado momento, Leo Pinheiro [OAS], começou a coordenar uma espécie de ‘força tarefa’, envolvendo diversos empresários no intuito de blindá-los; essas reuniões ocorreram na casa do ex-senador Gim Argello; participavam dessas reuniões empresários e membros da CPMI; o objeto dessas reuniões era negociar a derrubada ou a não votação de requerimentos que fossem sensíveis, ou seja, que fossem desfavoráveis aos empresários que compunham o grupo; esse grupo era integrado por Júlio Camargo (Toyo-Sertal), Ricardo Pessoa (UTC), José Antunes Sobrinho (ENGEVIX) e outros empresários;

"... nessas reuniões, os parlamentares pediam dinheiro para os empresários em troca da derrubada dos requerimentos; conversou com Ricardo Pessoa sobre esse tema e o mesmo narrou ao depoente esses fatos (...); pelas informações que teve, participaram da reunião os parlamentares Marco Maia, Fernando Francischini, Vital do Rego, Gim Argello; esses nomes foram mencionados por Júlio Camargo e Ricardo Pessoa; Gim Argello coordenava o grupo de parlamentares; (…) os parlamentares diziam que precisavam de dinheiro para campanha; os valores foram pagos em espécie" (PGR, Termo de Colaboração n° 17 de Delcídio do Amaral Gomez, 14/02/2016).

O deputado Marco Maia, ex-metalúrgico que, como presidente da Câmara, engavetou a CPI do Santander/Banespa e a CPI das Privatizações, é um daqueles que não possuem um apartamento – o que ele não possui, segundo um depoimento, localizar-se-ia em Miami. Segundo disse, é "uma vítima da mentira".

Vejamos mais um trecho do depoimento de Delcídio:

"... questionado ao depoente quem teria recebido valores de Furnas, (...) um dos beneficiários dos valores ilícitos sem dúvida foi Aécio Neves; (...) as empresas envolvidas em Furnas são as mesmas que estão sendo investigadas na Petrobras: Andrade Gutierrez, OAS , Camargo Correa, Odebrecht, entre outras" (PGR, Termo de Colaboração n° 04 de Delcídio do Amaral Gomez, 12/02/2016).

Porém, o relato mais edificante de Delcídio é em relação ao edificante Cunha:

"... Eduardo Cunha tinha comando absoluto da empresa [Furnas]; (...) Furnas chegou a ser ‘sócia’ de uma PCH (Pequena Central Hidreletrica) ligada [ao doleiro] Lúcio Bolonha Funaro (...) em Apertadinho, Rondônia, e a barragem acabou se rompendo [houve 200 famílias desabrigadas]; quem era responsavel pela construção era a Schahin; passou a haver um jogo de empurrar a responsabilidade para o outro e se iniciou uma grande desavença entre Funaro e o grupo Schahin; Eduardo Cunha ‘comprou esta briga’ na Câmara dos Deputados, até mesmo porque era muito próximo de Lúcio Bolonha Funaro; (...) em razão desta desavença, usaram requerimentos para a convocação dos sócios da Schahin, de tal maneira a pressioná-los; havia a participação de Eduardo Cunha nestes requerimentos; este procedimento de fazer reguerimentos, e usar expedientes parlamentares é um expediente muito comum de Eduardo Cunha, de usar tais expedientes para pressionar..." (idem, anotações entre colchetes nossas).

Quanto ao ministro Edinho Silva, Amaral descreve (e, aliás, é o depoimento mais sólido de todos os que prestou o ex-líder do governo) o "novo filão de pagamentos de propinas" explorado pelo PT, por experiência própria:

"... ao final da campanha eleitoral de 2014, para o Governo do Estado de Mato Grosso Sul, ficou com dívidas com a FSB [Comunicações], no valor R$ 500 mil, e com a empresa Black Ninja, de Zilmar Fernandes, ex-sócia do marqueteiro Duda Mendonça, também no valor de R$ 500 mil; pediu, provavelmente em novembro de 2014, ao tesoureiro de campanha de Dilma Rousseff, Edinho Silva, para repassar tais recursos, ou seja, o valor total de R$ 1 milhão; QUE o depoente fez esse pedido a Edinho Silva porque, quando havia dificuldades de repasse pelo PT nacional, era Edinho Silva quem resolvia; alguns dias depois, Edinho Silva ligou ao depoente e disse para as empresas credoras apresentarem notas fiscais relacionadas às respectivas dívidas, figurando coma tomadora de serviço a empresa EMS; tanto a FSB quanto a Black Ninja apresentaram suas notas fiscais e, inclusive, tiveram que pagar os impostos correspondentes; ao mesmo tempo, começaram a surgir denúncias que a EMS estava envolvida em escândalos, de modo que tanto a FSB quanto a Black Ninja não quiseram mais receber qualquer valor da EMS e, assim, cancelaram as notas e ficaram no prejuizo" (PGR, Termo de Colaboração n° 10 de Delcídio do Amaral Gomez, 13/02/2016).

É bastante fácil comprovar se essa história é ou não verdade. Tão fácil que é muito improvável que Amaral haja mentido. Mas, diz o ministro que é tudo mentira. O inquérito será uma boa oportunidade de... bom, leitores, sabem de uma coisa? O problema é dele. Existe um ponto além do qual a mentira é tão excessiva que ao investigado é necessário provar que está dizendo a verdade. Não é um princípio jurídico: é um fato da vida.

 

CARLOS LOPES

 

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