Um fantasma no Planalto

Como é possível ficar no poder por pirraça?

Não estamos falando, leitores, daquela pirraça que às vezes acomete algumas crianças e até nos parece engraçada.

A insistência da senhora Rousseff e do PT é de outro tipo: basicamente daquele que, em vez de expressar a infância, expressa seu desprezo pelo coletivo, pelo social, pela nação, pelo país, pelo povo.

É verdade que o PT jamais foi tão arguto a ponto de perceber que o social somente existe, nos tempos de hoje, em extensão nacional, pois a sociedade ou é nacional ou não é sociedade – no máximo, é uma tribo ou uma seita.

Mas, o que está havendo agora no país é uma demonstração da aderência – já de outros tempos, mas exumada no momento de modo especialmente aberrante – do PT à sua triste sina antinacional, antipopular, e, portanto antidemocrática.

Dilma não manda em nada, não faz nada – exceto algumas presepadas ridículas, como a de domingo (ver matéria na primeira página), demonstrando, na frente de seus correligionários, que seu programa e o de Temer são a mesma porcaria – e suas preocupações são altamente republicanas: se vai continuar morando no Alvorada quando for afastada pelo Senado; se vai ter direito a usar o avião presidencial; ou se seus ministros, depois de afastados, terão direito a continuar a receber salários de ministro, mesmo sem trabalhar, ou a morar em próprios públicos, mesmo não sendo mais ministros.

Até Collor se portou de maneira mais digna. A propósito, Collor não usou a Advocacia Geral da União (ou seu correspondente na época) para sua defesa. Preferiu seus próprios advogados. Mas Dilma não acha um problema que seu defensor seja um cidadão que tem por tarefa constitucional a defesa da União – ou seja, do Estado nacional. Talvez acredite que ela própria é o Estado ou a União, mas é muito pouco provável esse rompante de Luís XIV redivivo. Simplesmente, ela não vê problema em abusar da autoridade – convenhamos que não é a primeira vez; ao contrário, essa foi a sistemática desde 2011: seu abuso e autoritarismo em cima do povo brasileiro sempre foi diretamente proporcional à sabujice de quem ela considera que está por cima dela – e malditos sejam os que mal pensaram, pois estamos nos referindo aos Obama e coisas ainda piores que estão no exterior.

O resultado é essa coisa ridícula, em que ela se arrasta pelo Alvorada – dizem que já esvaziou as gavetas do Planalto – e deixa uma mediocridade como Temer posar de estadista. Ou temos de aguentar esse velho proxeneta, Henrique Meirelles, que Lula retirou de sua sepultura tucana em 2003, deitando imbecilidades reacionárias sobre o governo do vice-presidente que Dilma escolheu para o país.

Como formalmente ela continua sendo a presidente do país, odiada pela população, rejeitada em qualquer casinhoto aonde chegue o rumor de sua presença, ainda que à longa distância, de certa forma isso favorece Temer, pois ela acaba por servir de escudo a esse desclassificado – e não estamos insultando ninguém, apenas formulando um diagnóstico de classe: do ponto de vista das classes que existem no país, Temer é tão desclassificado quanto Dilma. Afinal, a quem ela representa no momento? Nem ao menos ao setor mais ensandecido da pequena-burguesia.

Que alguns, que não são desclassificados, tentem se iludir de que o neoliberalismo de Dilma é melhor que o neoliberalismo de Temer, apenas mostra como, às vezes, é difícil vencer a própria inércia, mental e física, e por-se de pé para lutar contra toda essa opressão, contra esse tacão imperialista que usa as dilmas e os temers, sem que estes tenham o menor pudor de exibir a sua condição de serviçais.

Não há dúvida que ao povo cabe resolver a atual situação, provavelmente a mais difícil situação política e econômica já atravessada por nosso país, mesmo considerando os mais difíceis anos da ditadura. Mas é exatamente isso que esse cadáver insepulto que empesteia o Alvorada não admite – que não tem e nunca teve condição de submeter o Brasil.

C.L.

 

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