Cartaz no Primeiro de Maio francês: “Não viveremos mais como escravos”

França, 1o de Maio: trabalhadores
rechaçam a traição de Hollande

Cerca de 500 mil tomaram as ruas da França. Houve confronto com a repressão na marcha contra o pacote que agride direitos trabalhistas. Nas capitais europeias atos convocados pelas Centrais Sindicais denunciam governos submissos aos monopólios e bancos

 Na França o Primeiro de Maio foi marcado pela violenta repressão policial ao grande protesto nacional dos trabalhadores organizado pelos sindicatos e Centrais Sindicais como a CGT e os estudantes do movimento Nuit Debout acampados aos milhares há mais de um mês na emblemática Place de La Republique, no centro de Paris.
Mais de 110 mil pessoas marcharam pelas ruas de Paris nesta segunda-feira (01) exigindo que o governo recue de sua proposta de “ajuste” neoliberal que prevê a redução de direitos trabalhistas e salariais que começará a ser debatida na Assembleia Nacional, o parlamento francês, no próximo dia 3 de maio.

As medidas contra os trabalhadores do governo Hollande foram apresentadas em fevereiro e rechaçadas pela maioria dos trabalhadores e do povo francês. As jornadas nacionais de protestos desse primeiro de Maio foi a sétima desde fevereiro contra as “reformas trabalhistas" do governo e as mais expressivas, com a participação de outras milhares de pessoas aconteceram em Nantes, Rennes, Le Havre, Lyon além de Paris.

Em toda a França mais de 15 cidades se mobilizaram para rechaçar uma vez mais as proposta do governo François Hollande, também chamada de “lei Khomri (nome da ministra do trabalho) que entre outras maldades contra os trabalhadores, os jovens e o povo prevê facilitar as demissões, reduzir as indenizações, os salários, as aposentadorias, as garantias estabelecidas nos contratos de trabalho entre outras. A ministra dis que está “impaciente”, mas vai esperar a votação no parlamento onde conta com os partidos da base do governo e diz também que não pensa em recuar, pois não aceita pressões”.

Sobre a violência em Paris a ministra, arrogante, afirmou ao Le Monde: “Não podemos ceder à confusão. Os manifestantes querem mudar as instituições. Eles são destrutivos e nada sabem sobre o conteúdo do projeto de lei.”

Para os sindicatos essa é uma “reforma trabalhista” que precariza o trabalho piorando as condições de vida e trabalho para a maioria dos trabalhadores e só contribui para aumentar o lucro das grandes empresas. É uma lei inaceitável que atenta contra os direitos adquiridos dos trabalhadores.

“Retira! Retira!” e “Todo mundo detesta a polícia” foram palavras de ordem usadas pelos manifestantes recebidos violentamente com gás lacrimogêneo e jatos d’água numa tentativa inútil da polícia para dispersar os manifestantes em Paris, Nantes , Rennes e Marselha onde 57 pessoas foram presas. Apesar disso as manifestações prosseguiram por todo o dia. Os manifestantes consideraram a presença da polícia na manifestação do Primeiro de Maio como uma provocação.

Em Paris 3 manifestantes ficaram feridos e foram hospitalizados, 247 foram presos para serem interrogados. Em Rennes um trabalhador perdeu um olho. Em Montpellier, de acordo com a imprensa local, 30 pessoas foram presas. Preventivamente, no domingo a polícia de Paris prendeu 300 pessoas.

Bérenger Cernon Secretária Geral da CGT de Paris afirmou que “a polícia atualmente está muito mais ofensiva e violente. Eric Sueur da Federação Sindical Unitária do Sindicato dos Professores de Ile de France corrobora dizendo que a estratégia da polícia é semar a confusão e o medo para inibir o movimento, mas estamos aqui e o movimento continua pois não aceitamos essa lei contra os trabalhadores.”

Os aeroportos de Paris funcionaram parcialmente e os transportes ferroviários tiveram muitos problemas, várias categorias profissionais fizeram greve, mas a imprensa francesa não divulgou detalhes sobre o movimento grevista.

Na quinta feira (28) o Secretário Geral da CGT Philippe Martínez na tribuna do acampamento na Praça da República afirmou que não é verdade que essas medidas do governo venham para reduzir o desemprego, disse, logo após a polícia prender mais de 200 participantes dos protestos nas ruas preparatório para o primeiro de Maio. 20% do tráfico aéreo foi paralisado.

Grande parte dos pequenos e médios empresários que inicialmente apoiavam esses “ajustes” de Hollande já abandonaram o barco e se posicionam hoje contra as reformas, pois consideram que se essa lei for aprovada não haverá meios de se conseguir criar um ambiente favorável ao crescimento econômico e a situação das pequenas e médias empresas também ficará pior.

Especialistas afirmam que com essas jornadas anti-governamentais a popularidade de Hollande, que já é muito baixa, tende a cair ainda mais. É evidente o descontentamento da população francesa com as ações do governo há pouco mais de um ano das eleições presidenciais. Hollande poderá aprovar esse “ajuste” neoliberal no parlamento, mas perderá completamente o respeito do povo francês.

ROSANITA CAMPOS

                                                                        


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