Derrubada no investimento
joga o PIB dos EUA no chão

No primeiro trimestre, pífios 0,13%. Com consumo
e exportações em queda e estoques atulhados, empresas pisam no freio: -0,9%. Sendo fixo -0.4%; não-residencial -1,48% e equipamentos - 2,15%
 

No derradeiro ano de mandato de Obama, o presidente da recuperação que nunca decola, o PIB dos EUA no primeiro trimestre voltou a ser um fiasco, com irrisórios 0,13%, menos da metade do desempenho, já modesto, do trimestre precedente, e praticamente o mesmo de igualmente lamentável período do ano anterior. E desta vez, não foi possível atribuir ao ‘vórtice polar’ o pífio desempenho, pela simples razão de que o tempo esteve bastante morno no primeiro trimestre – e também não houve greve nos portos.

O desastre já havia sido antecipado pelos lúgubres números da produção industrial que, segundo o Federal Reserve, se contraiu em seis dos últimos sete meses e, conforme os mais atentos, em 13 de 16 meses desde novembro de 2014. Em março, sobre março do ano anterior, a retração chegou a -2,2%. A produção na mineração desabou -2,9%, sendo que a perfuração de poços de petróleo e gás recuou -8,5%. Nos serviços de utilidade pública (energia, água, gás e telefonia), a queda foi de -1,2%.

A taxa de utilização da capacidade fabril instalada voltou a retroceder meio ponto percentual, para 74,8%, resultado mais de cinco pontos percentuais abaixo da média histórica 1972-2015 (de 80%). Também as vendas de veículos, que vinham sendo mantidas nas alturas, graças a novo esquema de subprime, recuaram -9%.

Nessa situação, aquela mídia, que vive babando pela suposta ‘recuperação espetacular’ dos EUA, e defende com unhas e dentes atrelar a nau brasileira ao Titanic de Obama, de Trump ou de qualquer um que esteja na Casa Branca, precisou manerar, admitindo uma “freada com força e o mais lento ritmo em dois anos”, o que atribuiu ao “enfraquecimento” dos gastos do consumidor e ao “dólar forte”.

Mas a realidade é que quase todos os setores da economia norte-americana recuaram no primeiro trimestre. Conforme o Bureau de Análise Econômica atestou, o que mais se deteriorou foi o investimento bruto, que retrocedeu -0,9%. O que compreende o investimento fixo, que se contraiu -0,4%; o não residencial, -1,48%; estruturas, -2,68%; e equipamentos, -2,15%. No setor de petróleo e gás, foi ainda mais brutal: -21,5%.

Já o gasto das famílias – que corresponde a 70% da economia - cresceu menos de 0,48% em relação ao trimestre anterior enquanto a compra de bens duráveis encolheu -0,4%. Os serviços se safaram com +0,68% (o que, em uma escala não desprezível, refletiu o aumento de gastos com saúde sob a pressão dos monopólios hospitalares e farmacêuticos).

O tombo poderia ter sido maior, não fosse a contribuição do setor público federal, +0,38% (exceto defesa), e de estados e municípios (+0,73%) e dos gastos com novas moradias e reformas, que aumentaram 3,7%.

Com a demanda fraca e sem novas encomendas, as empresas buscaram se desfazer dos estoques acumulados, que encolheram no período de US$ 78,3 bilhões para US$ 60,9 bilhões. Por sua vez as exportações (que somam ao PIB) tiveram queda de -0,65%, enquanto as importações (que subtraem) apresentaram ligeiro crescimento de 0,05%.

Quanto à criação de empregos, segundo aqueles números do Bureau de Estatísticas do Trabalho (BLS, na sigla em inglês) os norte-americanos estariam no melhor dos mundos, 209 mil vagas por mês em média no trimestre, com uma taxa de desocupação que praticamente é pleno emprego.

O problema é que, conforme denúncias de especialistas, essa média seria na maior parte fabricada numa planilha pelo chamado modelo de Nascimento-Morte de Empresas, que todo mês soma automaticamente 200 mil novos postos de trabalho (que não precisam ser comprovados; seria a resultante entre os empregos trazidos pelas novas empresas menos os perdidos com falências ou fechamentos).

SUBEMPREGO CRESCE

Outro elemento sobre a questão foi trazido pelo estudo da Universidade de Princeton em conjunto com a Rand Corporation, segundo o qual o número de trabalhadores com “arranjos alternativos de trabalho” – o que inclui os por conta própria, os temporários e outros terceirizados, e os “on call”, isto é, esperando ser chamados pelo celular – aumentou agudamente de 10,1% em 2005 para 15,8% em 2015 – de 14,2 milhões de pessoas para 23,6 milhões -, um aumento de 9,4 milhões. Outros estudos consideram o problema ainda mais grave, como o do Government Accountability Office (apontou 40,4% da força de trabalho no país) e a pesquisa Freelancing in America (34%).

Segundo o estudo, como o total de empregos nos EUA cresceu 9,1 milhão nesse período, o número de trabalhadores em posições ditas convencionais, em tempo integral, na realidade caiu em cerca de 400 mil.

Há outros dados dramáticos sobre a situação de emprego no país: desde 2007 (pré-crise) até 2015, enquanto 1,5 milhão de empregos foram cortados na indústria nos EUA, cerca de 1,6 milhão de vagas de garçonetes e garçons foram criadas.

Com a economia nessa maré braba, o Fed, que realizou sua tradicional reunião sobre juros na véspera da divulgação do relatório do BEA sobre o PIB no primeiro trimestre, anunciou que estava mantendo inalterada a taxa básica de juros na faixa de 0,25-0,50%, portanto, juros reais negativos. Em sua conversa de pitonisa de mercado, e sem excluir alta de juro em junho - porque senão, como os amigos vão especular? - o Fed registrou que a “atividade econômica parece estar abrandando”, assinalou a moderação dos consumidores e ainda a fraqueza nos investimentos e nas exportações. Melhor que isso, só a douta análise de certa mídia, segundo a qual “os gastos fracos do consumidor deram às empresas mais motivos para reduzir as encomendas e aumentar os esforços para baixar os estoques”. Aí, sim. Agora a coisa vai.
 

ANTONIO PIMENTA

 

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