Interino anula a anulação e puxa tapete de Dilma-PT

Antes do impoluto Waldir Maranhão voltar atrás, o golpe de Dilma e do PT já tinha furado, pois o Senado ignorou o ato do presidente interino da Câmara dos Deputados 

Desde que o franquista Antonio Tejero, em 1981, entrou no Congresso de Deputados da Espanha, deu uma rasteira em um deputado, disparou sua arma para cima e declarou que tomara o poder naquele país – e conseguiu, ao invés disso, 15 anos de cadeia – não se via algo tão engraçado, a bem dizer, tão ridículo em um recinto parlamentar, quanto a tentativa do PT, na última segunda-feira, de passar por cima da Câmara, comprando o presidente interino da Casa, Waldir Maranhão, com algumas prebendas, para anular a votação do dia 17 de abril, que aprovou a admissibilidade do processo de impeachment contra Dilma Rousseff.

MENTORES

O processo de impeachment foi aprovado por 367 deputados contra 137 e 7 abstenções – votaram 511 deputados numa Câmara de 513 (houve duas ausências), ou seja, 72% dos deputados, bem mais do que, por exemplo, os 2/3 necessários para mudar a Constituição, votaram a favor de abrir o processo.

A ideia de que um ato do presidente interino da Câmara pudesse anular a torrente de votos do dia 17, nem chega a ser uma ideia de jerico; falta-lhe alguma inteligência para que chegue ao status daquelas que povoam as cabeças dos asnos e das mulas – sobretudo quando o presidente interino é uma mediocridade tão pardacenta, que faz brilhar até o falecido vereador carioca Índio do Brasil (aquele que, numa sessão em homenagem ao Dia das Mães, resolveu homenagear "também as mulheres, porque ninguém mais indicado para ser mãe do que a mulher").

Pior ainda quando a Câmara nem tinha mais autoridade sobre o processo. Como disse o presidente do Senado, Renan Calheiros, "o Senado já está com este assunto há várias semanas (...). Já houve leitura da autorização no plenário; indicação pelos Líderes; eleição dos membros aqui, no plenário do Senado Federal, instalação da Comissão Especial, que fez nove reuniões presididas pelo Senador Raimundo Lira, totalizando quase 70 horas de trabalho; apresentação; discussão; defesa; acusação; e votação do seu parecer. Essa decisão do Presidente em exercício da Câmara é absolutamente intempestiva".

Aqueles que escreveram a decisão de anulação, assinada pelo deputado Waldir Maranhão, não sabiam dessas coisas elementares?

É claro que o sr. Cardozo e demais mentores intelectuais (?!) do deputado Maranhão sabiam muito bem de tudo isso.

Mas o fato é que queriam provocar um conflito que levasse a um impasse institucional, para adiar o afastamento de Dilma com uma querela atrás da outra. Não que aqueles sorumbáticos elementos que cercaram o presidente em exercício da Câmara (ver foto na primeira página), achassem que havia – ou que há – alguma chance de Dilma permanecer no Planalto.

Tanto é assim que o ex-presidente Lula saiu logo a campo, nas primeiras horas depois de divulgada a decisão do presidente interino, para dizer que "ganhamos tempo para nos reorganizar".

"Ganharam tempo" para quê? Para alguma coisa em benefício do povo brasileiro? Não, apenas para ficar no poder mais uns dias. Toda a ganância e desespero pelo poder – assim como a ganância e desespero de Temer & cia. – é para continuar a excretar o mesmo aborto: juros altos, empresas fechando aos milhares, desemprego, arrocho salarial e subserviência a qualquer picareta estrangeiro, sobretudo se norte-americano.

Já Dilma, abriu-se num sorriso de largo espectro ao saber da notícia.

Quanto aos puxa-sacos de ambos, houve cenas constrangedoras, de tanto prazer quase orgiástico, que poupamos aos nossos leitores.

Depois de um ano chamando de golpistas os que querem ver Dilma pelas costas – nenhum sentido equívoco ou dúbio nesta expressão -, na primeira oportunidade, a cúpula do PT e do governo tentaram dar um golpe, que durou menos que o seu antecessor fascista na Espanha.

Quando o presidente do Senado, às 16:44 h, anunciou que se recusava a levar em consideração a cafua do PT com o presidente interino, tudo já havia acabado.

No final da noite, o deputado Waldir Maranhão anulou a anulação, embora sob pressão do governo e dos dilmistas, que ocuparam a sua casa para que ele não desistisse.

Convenhamos que até o deputado Maranhão tem mais bom senso que os dilmo-petistas e seus áulicos. Demorou, mas, por volta de meia-noite de segunda-feira, até o presidente interino já notara que se arriscava a ter sua decisão revogada nas ruas, pois pelo Senado ela já o fora. No entanto, os dilmistas ainda insistiam em criar mais uma crise em cima de outras crises.

Mas, por que esse desprezo dilmista ou petista pelo país, essa impermeabilidade ao desejo da população, a ponto de passar por cima da vontade do povo – muito mais do que, por exemplo, os deputados que votaram, no dia 17, a favor da admissibilidade do impeachment, que, pelo menos, mostraram alguma permeabilidade ao brado das ruas.

DILMA E TEMER

O governo Dilma e o governo Temer – se houver algo que assim possa ser chamado – são essencialmente a mesma coisa. Tanto assim que o senador Humberto Costa (PT-PE), líder do governo Dilma, revelou que pretende cobrar de Temer as coisas iguais à Dilma que ele fizer: "está vendo como estávamos certos?", disse o senador, para exemplificar a atitude que o PT deverá ter em relação a Temer.

Então, por que tanto apego ao poder, de um lado e de outro, se é para fazer a mesma coisa – manter os juros acima do Everest, destruir as empresas nacionais, aumentar o desemprego, a miséria e a fome?

Ora, leitor, porque o que realmente importa na política neoliberal, antinacional, é o roubo – assim como rouba-se dos trabalhadores e empresários nacionais para locupletar os monopólios financeiros, os grupos políticos que servem a essa política – e, portanto, servem a esses monopólios financeiros - tornam-se quadrilhas que se engalfinham pelas propinas, que são o sobejo de que se apropriam as piranhas políticas que circulam em torno dos tubarões econômicos.

Que essas maltas – as duas – disputem quem vai ser o lacaio-mor dos bancos e demais rentistas, sobretudo os externos, faz parte desse gangsterismo em forma de política, que é o neoliberalismo.

Exatamente por essa razão, o impeachment apenas de Dilma não resolverá – ou mesmo melhorará sensivelmente – a situação do país. O regime político e eleitoral terá que ser renovado, pois o atual apodreceu até ao ponto daquela amoralidade em que se considera que o objetivo único da política é arrumar-se – e que arrumação! - na vida. Essa é a ideologia comum (alguma coisa tem que ser comum, mesmo que seja a briga por se apropriar do que deveria ser comum ao povo brasileiro), o fulcro da ideologia, do PT, PMDB, PSDB e alguns outros. O que os diferencia são adereços, aqui e ali, às vezes nem isso.

Em nossa trajetória como nação, várias vezes existiram momentos do tipo do atual – a Independência, a República, a Revolução de 30, a derrubada da ditadura -, embora, é preciso dizer que nunca foi tão urgente que nós, o povo brasileiro, inaugurássemos uma nova era em nossa História.

CARLOS LOPES

 

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