Jucá, PT e Dilma concordam: Lava Jato tem que parar já

Para ex-ministro de Temer, investigações são “sangria”. Para o Diretório Nacional do PT, Lava Jato é “escalada golpista” 

As gravações onde o presidente do PMDB, senador e ministro Romero Jucá aparece dizendo, sobre a Operação Lava Jato, "tem que resolver essa porra. Tem que mudar o governo para estancar essa sangria" ou aconselhando que a forma de terminá-la é arrumar "um boi de piranha, pegar um cara, e a gente passar e resolver, chegar do outro lado da margem", sem dúvida garantem a ele um lugar junto a Dilma e Lula no banco dos réus, por tentativa de obstrução da Justiça.

As gravações confirmam mais uma vez a nossa edição do último 30 de março ("Corruptos querem acabar com Moro e a Lava Jato para poder roubar mais"), onde mostramos que o PT, PMDB e PSDB estavam disputando a liderança da Operação Abafa.

Agora existe até uma proposta de abafa-geral, pelo interlocutor de Jucá - o ex-senador, ex-líder do PSDB, ex-líder do PMDB, ex-presidente da Transpetro sob Lula e Dilma e atual investigado da Lava Jato, Sérgio Machado. Segundo Machado, a solução para acabar com a Lava Jato era: "O Michel forma um governo de união nacional, faz um grande acordo, protege o Lula, protege todo mundo. Esse país volta à calma, ninguém aguenta mais".

Um governo de união dos ladrões para instalar a paz dos ladrões. Essa é a "união nacional" dessa súcia, porque a nação deles é composta somente pelos ladrões. Por que o PT, o PMDB e o PSDB não podem roubar em paz a Petrobrás e o Tesouro? Que país melhor do que esse - para os ladrões? Jucá, em seguida, diz: "Eu acho que tem que ter um pacto".

Esses três obstrutores da Justiça – Dilma, Jucá e Lula - e mais as suas respectivas rodas, são a prova inconteste de que este país necessita urgentemente de eleições: está tudo muito podre e o povo percebe a podridão. Como diz Jucá: "Nenhum político desse tradicional não ganha eleição, não".

Por isso eles não querem nem ouvir falar em eleições. Mas são cada vez mais irrelevantes, a cada dia e a cada escândalo.

O povo, realmente, quer limpar esse esgoto – o que inclui o PT, e não somente pela indústria de propinas que organizou, mas pela falta de princípios e caráter que seus dirigentes exibem.

Há somente oito dias, o Diretório Nacional do PT, reunido em Brasília, aprovou por unanimidade uma resolução, em que é afirmado: "A Operação Lava Jato desempenha papel crucial na escalada golpista". E mais ainda: "[A Operação Lava Jato] configurou-se paulatinamente em instrumento político para a guerra de desgaste contra dirigentes e governantes petistas, atuando de forma cada vez mais seletiva quanto a seus alvos, além de marcada por violações ao Estado Democrático de Direito. Tem funcionado como mecanismo de contrapropaganda para mobilização das camadas médias, em associação com os monopólios da comunicação. Revela, por fim, o alinhamento de diversos grupos do aparato repressivo estatal – delegados, procuradores e juízes – com o campo reacionário, associados direta ou indiretamente às manobras do impeachment" (Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores, Resolução Sobre Conjuntura, Brasília, 17/05/2016, pp. 2 e 3, grifo nosso).

Na última quarta-feira, os petistas de alto coturno, a começar por Dilma, berravam que as gravações da conversa de Jucá mostravam que o impeachment era um golpe para impedir a continuação da Operação Lava Jato. Disse Dilma: "A gravação mostra (…) o meu afastamento como parte integrante e fundamental de um pacto que tinha como objetivo interromper as investigações. Se alguém ainda não tinha certeza de que há um golpe, as declarações eliminam qualquer dúvida".

Como dizem os mineiros: uai, o golpe não era a Operação Lava Jato? Ou, nos termos do Diretório Nacional do PT: a Lava Jato não era o "instrumento político da escalada golpista"? Há poucas semanas, na posse de Lula no Ministério, segundo Dilma, o objetivo da Lava Jato era "convulsionar a sociedade brasileira em cima de inverdades, de métodos escusos, de práticas criticáveis, viola princípios e garantias constitucionais, viola os direitos dos cidadãos e abre precedentes gravíssimos. Os golpes começam assim".

Como é que, agora, depois da divulgação das gravações de Jucá, o golpe é para impedir as investigações da Operação Lava Jato?

Então, o golpe do PMDB foi para impedir o golpe? De quem? O golpe do PT?

Como é que os petistas de boa fé – pois devem existir – conseguem conviver com esse paiol de cinismo, mentira, oportunismo e falta de vergonha?

Em poucas horas, Dilma e o PT, de acusadores da Operação Lava Jato e obstrutores abertos da Justiça, transformaram-se em defensores das investigações contra o Jucá e sua malta, tão viciada no poder, nas mordomias e no roubo quanto a malta de Dilma e Lula.

O fato de que Jucá não foi imediatamente demitido do Ministério por conspirar para obstruir a Justiça e as investigações de crimes contra o país – inclusive, obviamente, daqueles que ele mesmo é suspeito -, o fato de que seu afastamento só ocorreu horas depois que já virara um Judas em sábado de aleluia, sob a fórmula de uma esdrúxula "licença", e cumulado de elogios pelo presidente interino ("Conto que Jucá continuará, neste período, auxiliando o Governo Federal no Congresso de forma decisiva, com sua imensa capacidade política"), só mostra que Temer não acha grave o que Jucá fezprovavelmente, não acha nem ao menos irregular. Apenas, gostaria que não tivesse vindo a público.

Portanto, realmente, esse governo só não acaba com a Operação Lava Jato porque não pode, não tem poder para isso, pois é um governo podre sobre uma base tão podre quanto ele.

Do ponto de vista moral, acontece o mesmo que na política econômica: o governo Temer é uma continuação do governo Dilma. Não é a degeneração da degeneração: é a mesma degeneração. Até o substituto de Jucá no governo interino é o vice-ministro da Fazenda do governo Dilma, Dyogo Oliveira, no momento sob suspeita de intermediação na venda de Medidas Provisórias...

Veja-se a resolução do PT: o trecho que transcrevemos acima é apenas a colocação, em documento oficial, da obstrução à Justiça e à Lava Jato de Dilma e Lula.

Pois é a mesma posição de Jucá. Assim, Lula trama o suborno de Cerveró para impedir a prisão de Bumlai – o que foi inútil - e Dilma nomeia para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), um ministro, tendo como moeda de troca a soltura de Marcelo Odebrecht – o que, também, foi inútil.

Já o sr. Romero Jucá é um hermeneuta de si próprio. O que diz jamais significa o que diz. Assim, explicou que com "estancar a sangria" queria dizer "evitar o desemprego e o sofrimento da sociedade brasileira. Sangria não é a questão da Lava Jato". Texto completo do que foi assim interpretado por Jucá: "Você tem que ver com seu advogado como é que a gente pode ajudar. Tem que ser política, advogado não encontra [inaudível]. Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra… Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria".

Mais interessante ainda é a explicação de "boi de piranha", na frase: "Tem que ser um boi de piranha, pegar um cara, e a gente passar e resolver, chegar do outro lado da margem".

A explicação de Jucá foi genial: "Pegar o boi de piranha é pegar quem tem culpa". Como as vacas velhas, nos rios do Brasil, que são retalhadas pelas piranhas: todas muito culpadas.

 

CARLOS LOPES

 

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Jucá, PT e Dilma concordam: Lava Jato tem que parar já

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