Missão do ministro demitido era boicotar a Operação Lava Jato

Hostilidades às investigações da Lava Jato começaram com o PT e prosseguem com o vice escolhido por Dilma

Enfim, a função do ministro da Transparência de Temer era catar informações com os responsáveis pela Operação Lava Jato para informar os suspeitos e aconselhá-los a como agir.

Pelo menos foi o que ele fez quando era membro do Conselho Nacional de Justiça – cargo equivalente a juiz da mais superior instância, pois é o órgão de controle do Poder Judiciário.

Apesar disso, Temer manteve o elemento no ministério – e somente quando os funcionários em revolta não deixaram seu carro entrar no prédio, e, depois, por pouco não sobem a rampa do Planalto, resolveu demiti-lo. No entanto, é óbvio que não pareceu grave a Temer que seu ministro da Transparência fosse um sabotador da Operação Lava Jato. Ao que parece, era essa mesmo a missão dele.

Como é que se explica tanta aberração? E por que nada dá certo para as maltas do PT, PSDB e PMDB?

Estamos vivendo a derrocada de um estado de coisas, que, com alguns intervalos (mais precisamente, dois: parte do governo Itamar, e, também parcialmente, o segundo mandato de Lula), inferniza o país desde 1990. Esse estado de coisas é uma espécie de lepra política provocada pelo "topa tudo por dinheiro" do neoliberalismo – ou seja, pelo roubo desabrido das metrópoles imperialistas, com seus calabares e silvérios dentro do país.

ENGODO

Assim como o neoliberalismo, ideologicamente esse regime político é uma farsa, uma fraude - e um permanente estelionato eleitoral. A mais cínica falsificação da democracia, com o apodrecimento cada vez maior dos partidos que formam esse establishment espúrio. Não é à toa que, assim como o PT, um dos gurus (?!) econômicos do PSDB escreveu, sobre o governo Dilma, que "do ponto de vista das regras de funcionamento da democracia, não há problemas. Estelionato faz parte do jogo" (v. HP 16/09/2015, p. 8).

Haja democracia, aquela que se baseia na mentira, no engodo e na traição aos eleitores!

Também não à toa, nenhum desses partidos acha um escândalo eleger-se com dinheiro roubado da Petrobrás. As dificuldades para cassar um escroque comprovado como Cunha não são ocasionais: durante meses, após a eleição desse celerado para a presidência da Câmara, o PT cumulou-o de elogios, como bem sabe o deputado Sibá Machado. Nenhuma diferença houve em relação ao submundo da Câmara.

Daí porque seja palhaçada a entrevista da presidenta - de uma arrogância tão alucinada que deve ter deixado Lula de cama durante uns dois dias - que usa Cunha, esse morto-vivo, como espantalho.

CORDÕES

Dilma ainda não chegou – e nem vai chegar, exceto por oportunismo – à conclusão de que Temer não é ruim por causa de Cunha. Ele é ruim porque é ruim mesmo – para o país, para o povo, para a inteligência das pessoas e dizem que até para o Michelzinho, a julgar pelos maus hábitos que está forçando o menino a herdar. A desgraça é que Dilma o escolheu para vice-presidente.

Em suma, a bancarrota dessa oligarquia política – que, ao contrário de outras que já houve no país, é uma oligarquia-marionete, com os cordões que a movem atravessando as fronteiras até Wall Street e lugares semelhantes - com seus integrantes disputando o posto de serviçal-mor dos monopólios financeiros externos, é sobretudo uma bancarrota moral. Ou, para ser exato, é sob o aspecto moral que mais aparece a sua bancarrota econômica e política.

Qual a diferença de essência entre o PT, o PSDB e o PMDB? É a diferença entre:

1 - uma presidenta que assevera que "nunca" o atual presidiário Marcelo Odebrecht esteve no Palácio do Alvorada – e algumas horas depois descobre-se que ele esteve lá duas vezes a convite dela (e mais duas vezes no Palácio do Planalto, ver matéria nesta página);

2 - um ministro da Transparência escolhido pelos tugúrios que estão na mira da Lava Jato;

3 – e um presidente de partido, como o sr. Aécio Neves, que depende da proteção do sr. Gilmar Mendes para não ir ao banco dos réus.

Essa é a diferença entre PMDB, PSDB e PT: na essência, absolutamente nenhuma.

Dizem alguns que o ex-ministro da Transparência, um certo Fabiano Silveira, ficou ofendido quando se apontou que ele era uma indicação de Renan Calheiros e Romero Jucá.

Realmente, é uma injustiça. Claro que ele foi indicado pelos próprios méritos. Quem, no Brasil, não ouviu falar no sr. Fabiano Silveira – e em sua proficiência no terreno da Transparência e da Ética?

Quanto aos seus méritos, é fácil perceber quais são:

SÉRGIO MACHADO: Esse foi o motivo, Fabiano… (inaudível). As explicações que estão aí, você vê que são todas contundentes.

FABIANO SILVEIRA: Eu concordo com a sua condição de, tendo sido objeto de uma medida cautelar, simplesmente, não… Dizer assim: ‘olha, não é comigo isso…’. Acho que tem que dizer, tem que se dirigir ao relator prestando alguns esclarecimentos, é verdade.

RENAN CALHEIROS [referindo-se a uma propina de R$ 400 mil, oriunda dos contratos da Transpetro, então presidida por Machado, lavada como contribuição de campanha eleitoral]: Cuidado, Fabiano! Esse negócio do recibo… Isso me preocupa pra caralho.

FABIANO SILVEIRA (para Renan): A única ressalva que eu faria é a seguinte: está entregando já a sua versão pros caras da… PGR [Procuradoria Geral da República], né. Entendeu? Presidente, porque tem uns detalhes aqui que eles… (inaudível) Eles não terão condição, mas quando você coloca aqui, eles vão querer rebater os detalhes que colocou.

SÉRGIO MACHADO: Diz que o… Janot não sabe nada. O Janot só faz… (inaudível). Cada processo tem um procurador.

FABIANO SILVEIRA: Eles estão perdidos nesta questão.

SÉRGIO MACHADO: A última informação que vocês têm, não tem nada, não apuraram nada até hoje, é isso?

FABIANO SILVEIRA: Não.

VOZ NÃO IDENTIFICADA: É a última informação, né? (inaudível). Eles, desde o início, Sérgio, eles estão jogando verde para colher maduro. O cara fala: ‘eu não conheço o Renan’… (inaudível).

FABIANO SILVEIRA: Eles foram lá buscar o limão e saiu uma limonada.

Para encerrar essa antologia de conversas da cafua, no dia 11 de março, Renan comentou com Machado o resultado da espionagem de Silveira, junto ao Procurador Geral da República, Rodrigo Janot:

RENAN CALHEIROS: Ele disse ao Fabiano: ‘Ó, o Renan… Se o Renan tiver feito alguma coisa que eu não sei… Mas esse cara, porra, é um gênio’, usou essa expressão. ‘Porque nós não achamos nada’.

De onde se conclui que Renan Calheiros não ficou mais esperto desde que quase perdeu o mandato. Somente ele para achar que o procurador Janot iria confiar no sr. Fabiano Silveira, cuja única credencial conhecida era a de ser funcionário do Senado – e que somente era membro do Conselho Nacional de Justiça porque foi indicado pelo presidente do Senado, isto é, por Renan Calheiros.

Assim, de espião e conselheiro jurídico de Renan e outros peemedebistas, Silveira ascendeu ao ministério. Por 19 dias.

CARLOS LOPES

 

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Missão do ministro demitido era boicotar a Operação Lava Jato

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